Método que saiu da academia já forma 8,9 mil empreendedores nas 27 UFs
Criada a partir de pesquisa na UFSC, a TXM Methods virou negócio, ganhou escala com Sebrae, governos e empresas e hoje atua em todo o país

Antes de chegar às 27 unidades da Federação e acumular quase 9 mil pessoas formadas, a TXM Methods existia como uma ideia nascida dentro da universidade. A metodologia que hoje sustenta programas de empreendedorismo, inovação e aceleração começou a ser desenvolvida por Luiz Salomão Ribas Gomez a partir de pesquisas acadêmicas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A trajetória ajuda a contar uma história recorrente no ecossistema brasileiro de inovação: como transformar conhecimento produzido na academia em um negócio capaz de ganhar escala. No caso da TXM, o caminho passou pela criação de uma empresa, pela entrada de diferentes integrantes da família na operação e, principalmente, por parcerias com Sebrae, governos e grandes corporações.
Segundo dados fornecidos pela empresa, a TXM já formou 8.972 pessoas em 256 turmas, alcançou cerca de 8.500 empresas e recebeu 4.851 projetos em seus diferentes programas. A operação também acumula mais de 2,8 mil horas de mentorias e mobiliza uma rede superior a 500 mentores.
Entre os negócios que passaram pelos programas, as 40 principais startups aceleradas somam faturamento superior a R$ 75 milhões, de acordo com levantamento da própria companhia. A empresa informa ainda ter um NPS de 87,5, indicador utilizado para medir o nível de recomendação dos participantes.
Pesquisa virou negócio
A origem da metodologia está nos estudos de Salomão sobre design, branding e desenvolvimento de projetos. Doutor em Engenharia de Produção pela UFSC, ele começou a estruturar ainda no ambiente universitário modelos que rompiam com processos rígidos e lineares de desenvolvimento. A pesquisa acadêmica evoluiu posteriormente para uma abordagem voltada também à criação de novos negócios.
O modelo que daria origem à TXM Business passou a combinar ferramentas de gestão, design, comunicação, marketing e experiência do usuário. Em vez de obrigar todos os empreendedores a percorrer a mesma sequência, a metodologia permite avançar ou retornar às ferramentas conforme o estágio e as necessidades de cada projeto.
A transformação do conhecimento em empresa ganhou corpo em 2016. A estrutura empresarial começou a partir de um MEI de Pedro Henrique Gomez, filho de Salomão e desenvolvedor, que ajudou a transportar a metodologia para o ambiente digital e construir a plataforma usada nos programas.
Com a evolução da operação, Lucia Cristiana Ribas Gomez, irmã de Salomão, entrou no negócio trazendo mais de 20 anos de experiência nas áreas contábil, financeira e de controladoria em grandes corporações. Salomão assumiu a tarefa de aproximar a metodologia do mercado e fazer conexões que ajudariam a testar e ampliar sua aplicação.
A formação acadêmica do fundador acompanhou esse processo. Além do doutorado pela UFSC, Salomão teve o título reconhecido em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade da Beira Interior, em Portugal, realizou estudos de pós-doutorado relacionados a branding no IADE, também em Portugal, e desenvolveu atividades acadêmicas ligadas a economia criativa, empreendedorismo e maker spaces na Saxion University of Applied Sciences, nos Países Baixos.
Mas foi a conexão com o Sebrae que se tornou um dos principais motores para transformar uma metodologia acadêmica em uma operação de maior alcance. A parceria abriu espaço para aplicação das ferramentas em programas de empreendedorismo e ajudou a aproximar a TXM de ecossistemas de inovação em diferentes regiões.
Um dos principais veículos dessa expansão foi o Cocreation Lab, programa de pré-incubação criado para ajudar empreendedores a transformar ideias em negócios. Os participantes passam por mentorias e atividades de desenvolvimento utilizando a TXM Business. Em 2020, já existiam 19 unidades de laboratórios de pré-incubação aplicando a metodologia.
A expansão continuou nos anos seguintes. Dados da própria UFSC mostram que o Cocreation Lab já realizou mais de 125 turmas em mais de 30 cidades, alcançando milhares de empreendedores. A metodologia também foi utilizada em iniciativas como o Programa Nascer, da Fapesc e do Sebrae, e chegou ao Distrito Federal em projetos envolvendo FAPDF, Finatec, Sebrae, Universidade de Brasília e Instituto Federal de Brasília.
A lógica das parcerias tornou-se parte do próprio modelo de crescimento. Em vez de depender da abertura de unidades próprias em cada cidade, a TXM passou a combinar instituições locais, plataforma digital e uma rede de mentores para ampliar sua presença.
Segundo a companhia, esse processo levou a metodologia às 27 unidades da Federação e permitiu atender desde startups de base tecnológica até universidades, governos, médias e grandes empresas.
A aplicação também deixou de ficar restrita ao empreendedorismo tradicional. Por meio de iniciativas voltadas ao impacto social, as ferramentas passaram a ser utilizadas em comunidades economicamente vulneráveis, com o objetivo de ajudar participantes a estruturar ideias capazes de gerar negócios e renda.
Para Salomão, levar o conhecimento produzido na universidade para públicos tão diferentes faz parte da própria lógica que orientou a criação da metodologia.
“Ao levar o conhecimento acadêmico para comunidades periféricas, universidades e governos, a TXM Methods não apenas acelera empresas, mas fortalece o desenvolvimento regional de forma equitativa. Com o olhar voltado para o futuro, temos o compromisso de escalar o impacto social e econômico. Acreditamos que a inovação colaborativa é a chave para o crescimento do Brasil”, afirma.
Atualmente, segundo a TXM, sua plataforma conecta mais de 5 mil TXMakers ativos, como são chamados os integrantes da comunidade que utilizam ferramentas e recursos digitais para desenvolver projetos e negócios.
Depois da expansão territorial, a companhia prepara agora uma nova etapa. A estratégia para 2026 é ampliar a presença no mercado corporativo, aumentando a participação de projetos desenvolvidos para empresas. A TXM também projeta uma mudança de porte empresarial que deve levá-la a deixar o Simples Nacional.
É uma transição relevante para uma operação que começou dentro de um MEI. Em uma década, a TXM percorreu um caminho que começou com pesquisa acadêmica, passou pela transformação do conhecimento em produto, encontrou escala por meio de parcerias e chegou a uma operação nacional.
O próximo desafio já não é provar se uma metodologia nascida na universidade consegue funcionar no mercado. É transformar a presença conquistada em todo o país em crescimento empresarial sustentável.
