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PolíticaMPOL
29/09/2026
8 min

Meu vice, Alfredo Gaspar, é católico fervoroso. Meu pai também é católico, diz Flávio

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, citou nesta segunda-feira (28) a religião de seu vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), e de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para rebater acusações de que teria preconceito contra católicos. Evangélico, Flávio afirmou, durante entrevista ao SantoFlow Podcast, que não teria escolhido um católico para compor […]

Meu vice, Alfredo Gaspar, é católico fervoroso. Meu pai também é católico, diz Flávio

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, citou nesta segunda-feira (28) a religião de seu vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), e de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para rebater acusações de que teria preconceito contra católicos. Evangélico, Flávio afirmou, durante entrevista ao SantoFlow Podcast, que não teria escolhido um católico para compor sua chapa se tivesse resistência à religião.

“Meu vice, Alfredo Gaspar, é católico fervoroso. Meu pai também é católico”, afirmou. “Se eu tivesse algum preconceito, não teria escolhido um vice católico”, acrescentou.

A declaração ocorre em meio à tentativa do candidato de afastar a informação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Flávio nega ter defendido a medida e acusa adversários políticos de disseminarem a informação. Nesta segunda, participou da entrevista com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida à sua frente.

Flávio também tem sido questionado sobre uma declaração feita anteriormente na campanha de que, caso fosse eleito, seu primeiro ato seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Nesta segunda-feira, a assessoria do candidato afirmou que a declaração se refere a uma oração que ele pretende fazer durante a cerimônia de posse, e não à edição de um decreto.

Segundo a assessoria, Flávio “fará uma oração antes de ler o termo de posse quando assumir a Presidência da República, entregando o Brasil nas mãos de Jesus”. A explicação ocorre após a declaração provocar questionamentos sobre a relação entre a proposta e o caráter laico do Estado brasileiro.

Flávio tem intensificado referências à religião ao longo da campanha. O candidato, que frequenta a Igreja Batista, tem participado de cultos, eventos evangélicos e encontros com lideranças religiosas e associado sua candidatura a um “propósito” divino.

Alfredo Gaspar, deputado federal por Alagoas, foi anunciado em agosto como candidato a vice na chapa de Flávio.

Não existe projeto sobre retirada de título

O candidato citou a primeira-dama Janja Lula da Silva e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, entre aqueles que, segundo ele, fizeram parte de uma “rede de mentiras”.

“Não existe projeto de lei sobre retirada do título de Nossa Senhora de Padroeira do Brasil”, afirmou. O candidato disse ainda não ter ficado surpreso com a exploração política do episódio pelo PT e mencionou o atentado a faca sofrido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante a campanha eleitoral de 2018.

Flávio afirmou que estava jogando futebol com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) quando tomou conhecimento da repercussão do caso. “Fiquei muito indignado com a fake news sobre Nossa Senhora”, disse.

Nesta segunda, Flávio também relacionou a controvérsia ao debate sobre a laicidade do Estado. “O Brasil não é um Estado laico? A esquerda entende que o Estado laico é um Estado sem religião, e não é isso”, afirmou.

A primeira-dama Janja publicou na sexta-feira uma fotografia de Lula segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e escreveu: “Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, olhai por nós!”. Nesta segunda, ela também apareceu em cerimônia no Palácio do Planalto usando uma medalha com a imagem da santa.

Católicos contra evangélicos

O candidato do PL à Presidência responsabilizou o PT pela polarização política no País e acusou o partido de tentar criar uma divisão entre católicos e evangélicos. O senador relacionou a avaliação à repercussão da informação de que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

“Tudo que não precisamos neste momento é de um País mais dividido ainda, como o PT faz”, afirmou. “O PT aposta na divisão. Agora tiveram a audácia de colocar católicos contra evangélicos”, acrescentou.

Flávio, que é evangélico, negou novamente que pretenda retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e disse que a controvérsia foi construída a partir de uma “narrativa mentirosa”. O candidato também mencionou a relação de sua família com as duas vertentes do cristianismo.

Jair Bolsonaro declarou-se católico ao longo de sua trajetória política, embora tenha construído forte aproximação com lideranças e eleitores evangélicos. Em maio de 2016, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro foi batizado nas águas do rio Jordão, em Israel, pelo pastor Everaldo, então presidente do PSC. O ex-presidente, contudo, continuou a se identificar publicamente como católico depois da cerimônia.

A relação com o eleitorado evangélico tornou-se um dos componentes da trajetória política da família Bolsonaro. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é evangélica e Flávio frequenta a Igreja Batista. Em janeiro deste ano, o senador foi batizado pela segunda vez no rio Jordão, durante viagem a Israel.

Ao longo da campanha presidencial, Flávio tem buscado se apresentar como uma alternativa à polarização e atribuído ao PT a responsabilidade pela divisão política no País. Ao mesmo tempo, reivindica a herança política do pai e afirma que sua candidatura representa a continuidade do legado de Jair Bolsonaro, mas com uma postura diferente.

“Olham para mim enxergando o legado de Jair Bolsonaro com outra postura”, disse Flávio na mesma entrevista. O senador afirmou que não gosta de “briga” e que seu perfil seria adequado ao atual momento do País.

STF

Bolsonaro acusou Lula de ter transformado o Supremo Tribunal Federal (STF) em um “comitê eleitoral” para interferir nas eleições. Flávio criticou ministros da Corte e afirmou que, se eleito, pretende indicar nomes contrários ao aborto e à descriminalização das drogas.

“Lula transformou o Supremo em um comitê eleitoral para interferir nas eleições”, afirmou. O candidato também criticou os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, ambos indicados por Lula ao STF durante o atual mandato.

“Sem os ministros de Lula no STF, o Brasil vive”, disse Flávio. O candidato afirmou ainda que Dino teve um voto “carregado de raiva e preconceito” e lembrou a atuação de Zanin como advogado de Lula.

Flávio também voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes e acusou o magistrado de ter “boicotado” o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, além de ter tomado decisões que, na avaliação do candidato, favoreceram Lula. Moraes não foi indicado por Lula: chegou ao Supremo em 2017 por indicação do então presidente Michel Temer.

Ao tratar das indicações que faria ao STF, Flávio vinculou a escolha de ministros a pautas caras ao eleitorado conservador. “Vou indicar pessoas que são contra o aborto e contra as drogas. Numa canetada, eles proíbem o aborto e as drogas”, afirmou. “É importante votar em presidente que vai indicar ministros do STF a favor da vida”, acrescentou.

Caneta de emagrecimento no SUS

Flávio Bolsonaro também a proposta de Lula de oferecer canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) à promessa de picanha feita pelo petista em eleições anteriores. Flávio afirma que Lula “não vai entregar” os medicamentos e acusou o adversário de fazer promessas que considera inviáveis em busca de votos.

“Está faltando remédio para dor de cabeça na UBS e o cara está prometendo canetinha de R$ 3 mil por mês”, disse Flávio, em referência aos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade. “É a nova picanha dele. Ele vai prometer e não vai entregar”, afirmou.

O senador também buscou contrapor sua proposta econômica à do atual governo. “Eu quero que o pobre seja rico e o Lula quer que o pobre se mantenha na pobreza. Comigo aqui é prosperidade”, declarou. Em outro momento, afirmou que sabe que pode “fazer muito mais que Lula” e que pretende fazer com que as pessoas tenham “ambição de prosperar”.

Flávio ainda afirmou que Lula “não é pai dos pobres há muito tempo” e fez referência a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. “Ele é pai de um cara muito rico, o Lulinha”, declarou.

O candidato do PL também disse que brasileiros pobres estão “na fila do osso” durante o atual governo e afirmou que não pretende fazer propostas que considera inexequíveis. “Eu não vou prometer coisas mirabolantes atrás de voto, como acontece com o Lula”, disse.

A oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS foi anunciada por Lula em 17 de setembro, durante visita à fábrica da Eurofarma em Montes Claros (MG). Na ocasião, o presidente afirmou que os medicamentos seriam oferecidos gratuitamente a pessoas com obesidade, mediante indicação e acompanhamento médico.

Na quinta-feira, 24, o Ministério da Saúde protocolou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) um pedido de análise para que medicamentos da classe GLP-1 sejam oferecidos para o tratamento da obesidade. A solicitação prevê a avaliação de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida. A oferta dependerá da análise da comissão e da definição de critérios clínicos para determinar quais pacientes poderão receber o tratamento.

O Ministério da Saúde também conduz um estudo com 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. Entre os objetivos está avaliar se o tratamento pode beneficiar pacientes que aguardam cirurgia bariátrica e reduzir complicações relacionadas à obesidade.

AutorEquipe Money Times
FonteMoney Times
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