México aciona Justiça dos EUA por mortes de migrantes sob custódia do ICE

O governo do México apresentou nesta quarta-feira, 22, denúncias ao judiciário dos Estados Unidos por mortes de migrantes de seu país emcentros de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês) ou em operações dos agentes do órgão. Desde janeiro de 2025, quando Donald Trump assumiu a Casa Branca, 17 mexicanos morreram em ações do ICE, de acordo com a denúncia.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do México, foram apresentadas 20 denúncias criminais em diferentes jurisdições norte-americanas.
O governo protocolou oito ações em promotorias estaduais e 12 em promotorias de condados onde ocorreram as mortes, nos estados do Arizona, Califórnia, Flórida, Geórgia, Illinois, Louisiana, Missouri e Texas.
Do total de 17 mortes registradas desde o retorno de Donald Trump à Presidência, em janeiro de 2025, 14 ocorreram enquanto os migrantes estavam sob custódia do ICE e outras três durante operações conduzidas por agentes da agência.
México cobra esclarecimentos sobre mortes
O embaixador mexicano nos Estados Unidos, Roberto Lazzeri, afirmou ter solicitado o esclarecimento de todos os casos em reuniões com representantes do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do próprio ICE.
Durante os encontros, o diplomata também manifestou preocupação com as condições dos centros de detenção migratória administrados pelas autoridades americanas.
Além das denúncias apresentadas à Justiça dos Estados Unidos, o governo mexicano informou que o chanceler Roberto Velasco encaminhou um pedido ao alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, para que solicitasse informações ao governo americano e apresentasse recomendações técnicas destinadas a evitar novos episódios semelhantes.
De acordo com Lazzeri, o objetivo das medidas é garantir investigações independentes, preservar provas e esclarecer as circunstâncias de cada morte, além de reforçar mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos.
Caso no Texas intensificou pressão do governo mexicano
A iniciativa ganhou força após a morte do mexicano Lorenzo Salgado Araujo, baleado por um agente do ICE durante uma operação realizada em 7 de julho, em Houston, no Texas. O caso provocou protestos na cidade e pedidos de investigação por parlamentares do Partido Democrata.
Segundo o governo mexicano, também foram enviadas notificações formais aos centros de detenção onde ocorreram mortes de cidadãos do país, começando pela unidade de Adelanto, na Califórnia, onde quatro mexicanos morreram. As comunicações exigem melhorias no atendimento médico e providências diante de supostas violações de direitos humanos.
A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que a defesa dos mexicanos residentes nos Estados Unidos deve mobilizar toda a sociedade e declarou que a situação não pode ser considerada aceitável.
Apesar da ofensiva jurídica e diplomática, o governo mexicano afirmou que as denúncias não devem comprometer a relação bilateral com os Estados Unidos, em um momento em que os dois países negociam a revisão do tratado de livre comércio da América do Norte (T-MEC), que também inclui o Canadá.
