Microsoft ganhou quase meio trilhão em valor de mercado em um dia; veja ranking
Alta de 15,5% após balanço impulsionado por IA adicionou US$ 450 bilhões à companhia, terceira maior valorização diária desde 2000

A Microsoft adicionou cerca de US$ 450 bilhões ao seu valor de mercado em um único pregão, em um dos maiores movimentos de criação de valor já registrados por uma empresa de capital aberto. A alta foi impulsionada pela percepção dos investidores de que osinvestimentos em inteligência artificial começam a se transformar em crescimento de receita, especialmente no negócio de computação em nuvem.
As ações da companhia encerraram a quinta-feira, 30, com valorização de 15,51%, terceira maior alta diária da Microsoft desde janeiro de 2000, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, elaborado com base na série histórica ajustada por proventos.
Uma alta superior a 15% não era registrada pela companhia desde outubro de 2008, quando as ações avançaram 18,60% em meio à recuperação dos mercados após anúncios de medidas coordenadas para estabilizar o sistema financeiro durante a crise global.
A maior valorização diária da Microsoft desde 2000 ocorreu em outubro daquele ano, quando os papéis subiram 19,57% após resultados trimestrais acima das expectativas em meio à turbulência causada pelo estouro da bolha das empresas de tecnologia.
O salto equivaleu a quase 47,3% de toda a capitalização das empresas listadas na B3 e a aproximadamente quatro vezes o valor de mercado da Petrobras, segundo a consultoria.
Antes do movimento, a Microsoft vinha negociando abaixo da marca de US$ 3 trilhões em valor de mercado desde junho de 2026. Em 25 de junho, a companhia chegou a uma capitalização próxima de US$ 2,62 trilhões, antes da recuperação impulsionada pelo balanço trimestral.
Veja os valores de mercado das 'Sete Magníficas':
Balanço da Microsoft
A companhia registrou receita de US$ 90,01 bilhões no trimestre encerrado em 30 de junho, alta de cerca de 18% na comparação anual e acima da expectativa de analistas consultados pela LSEG, que projetavam US$ 87,62 bilhões. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 4,74, contra uma previsão de US$ 4,24.
O principal motor do resultado foi a divisão de Nuvem Inteligente, que inclui a plataforma Azure. O segmento registrou receita de US$ 39,31 bilhões, alta de 31,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando as estimativas do mercado.
O crescimento do Azure acelerou para 43%, acima dos 40% registrados no trimestre anterior. A Microsoft informou ainda que a receita anual da plataforma ultrapassou US$ 100 bilhões pela primeira vez, consolidando o negócio como um dos principais ativos da disputa global por infraestrutura de inteligência artificial.
Além da nuvem, investidores acompanharam a evolução dos produtos de IA voltados para empresas. O Microsoft 365 Copilot, assistente de produtividade integrado ao pacote corporativo da companhia, alcançou mais de 30 milhões de licenças pagas, ante pouco mais de 20 milhões em abril.
O GitHub Copilot, ferramenta de programação baseada em inteligência artificial, chegou a 50 milhões de usuários, segundo o CEO Satya Nadella.
A divisão de produtividade, que reúne Office, Dynamics e LinkedIn, também superou expectativas. O segmento registrou receita de US$ 37,85 bilhões, crescimento de 14,3% na comparação anual.
A forte reação das ações reflete uma mudança na percepção dos investidores sobre a inteligência artificial, segundo informações da CNBC. Após um ciclo inicial de valorização baseado principalmente na expectativa sobre a tecnologia, o mercado passou a buscar sinais de monetização.
No caso da Microsoft, a tese ganhou força com o crescimento do Azure, a adoção de ferramentas corporativas de IA e o aumento dos contratos de longo prazo com empresas.
As obrigações comerciais restantes de desempenho da companhia — indicador que representa contratos já firmados, mas ainda não reconhecidos como receita — chegaram a US$ 678 bilhões, alta de 8% em relação ao trimestre anterior.
Apesar do avanço, a Microsoft mantém uma agenda agressiva de investimentos para ampliar sua capacidade computacional. Os investimentos de capital e contratos de leasing financeiro somaram US$ 41 bilhões no trimestre, alta de 69%.
A diretora financeira da companhia, Amy Hood, afirmou que a Microsoft espera cerca de US$ 175 bilhões em despesas de capital e contratos de leasing financeiro, após ajustes relacionados à contabilização da vida útil de edifícios de escritórios e data centers.
Para o ano fiscal de 2027, a executiva indicou que os investimentos devem crescer novamente diante de sinais de demanda em todo o portfólio da companhia.
Mesmo com o otimismo em torno da inteligência artificial, analistas acompanham riscos ligados à estratégia da Microsoft.
Qnalistas do Deutsche Bank consultados pela CNBC apontaram que a relação com a OpenAI representa um possível risco de concentração para a companhia, especialmente diante do avanço de modelos de inteligência artificial de código aberto.
A Microsoft informou anteriormente que cerca de 45% de suas obrigações comerciais restantes, equivalentes a aproximadamente US$ 625 bilhões, estavam relacionadas à OpenAI.
Outro ponto acompanhado pelo mercado é a disputa por capacidade computacional. De acordo com a CNBC, analistas avaliam que a Microsoft precisa equilibrar a alocação de recursos entre o Azure, a pesquisa em inteligência artificial e aplicações como o Microsoft 365 Copilot.
