Microsoft prepara nova rodada de demissões no Xbox após crise da divisão de games
Reestruturação prevê cortes de centenas de funcionários, integração de estúdios e foco em franquias como Minecraft e The Elder Scrolls

A Microsoft deve anunciar nesta semana uma nova rodada de demissões no Xbox, que vai atingir centenas de funcionários e juntar vários estúdios de games em uma única estrutura, segundo o site The Information.
Os cortes fazem parte de uma reestruturação anunciada em julho. Em 6 de julho, a CEO do Xbox, Asha Sharma, informou aos funcionários que a divisão eliminaria cerca de 3.200 vagas ao longo do ano fiscal de 2027, que termina em junho do ano que vem.
Metade delas, 1.600, foi cortada naquele mesmo dia, dentro de um corte de 4.800 vagas em toda a Microsoft, o equivalente a 2,1% da empresa. As outras 1.600 sairiam ao longo dos meses seguintes. O total representa cerca de 20% dos funcionários do Xbox.
Segundo o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, a nova rodada deve atingir a Blizzard, dona de franquias como Diablo e World of Warcraft, que havia sido poupada em julho.
Menos estúdios, mais franquias
A reestruturação de julho já havia tirado quatro estúdios da Microsoft.
A Compulsion Games e a Double Fine voltaram a ser independentes, enquanto a Ninja Theory e a Undead Labs negociam com novos donos. A Arkane, na França, passou por um processo de consulta sobre o próprio futuro. Os cortes atingiram também Activision, Bethesda, King, Mojang e os Xbox Game Studios.
A estratégia de Sharma é reduzir o número de equipes e concentrar investimento nas maiores franquias. Segundo a revista Variety, o Xbox pretende manter o gasto com conteúdo no mesmo nível recorde do ano anterior, mas priorizando séries como Minecraft e The Elder Scrolls.
Uma divisão que não dá lucro suficiente
Sharma assumiu o comando do Xbox em fevereiro, com a aposentadoria de Phil Spencer, e herdou uma divisão em crise. A receita caiu quase US$ 500 milhões em cinco anos, e a margem encolheu para 3%, mesmo depois da compra da Activision Blizzard por US$ 68,7 bilhões, concluída em 2023.
O Game Pass, assinatura que deveria ser o motor do negócio, virou parte do problema. Depois de um aumento de 50% no preço, em outubro de 2025, o serviço perdeu "milhões" de assinantes, segundo a própria empresa. No Brasil, o plano mais caro passou de R$ 59,99 para R$ 119,90 por mês. Sharma chegou a admitir que o serviço ficou caro demais para os jogadores, reduziu parte dos preços e, neste mês, passou a limitar as horas de jogo na nuvem.
