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Inteligência ArtificialBDR
22/09/2026
4 min

Microsoft quer que seus jogos tenham anúncios iguais aos de vídeos do YouTube

Patente descreve sistema que pausa o jogo em momentos estratégicos, como fim de fase ou tela de carregamento, para exibir propaganda, recompensando quem assiste com um período livre de anúncios

Microsoft quer que seus jogos tenham anúncios iguais aos de vídeos do YouTube
RESUMO +

A Microsoft registrou uma patente que descreve um sistema de "créditos de anúncios" para jogos de PC e Xbox. A tecnologia usa aprendizado de máquina para identificar momentos adequados para interromper a partida e exibir publicidade. Depois do anúncio, o jogador receberia um período livre de comerciais. Embora analistas associem a ideia a jogos gratuitos e ao Xbox Cloud Gaming, a patente não limita explicitamente o sistema a jogos free-to-play.


Se você já trocou o plano pago do YouTube pelo gratuito e teve que engolir anúncio no meio do vídeo, prepare-se: a Microsoft registrou uma patente que traz exatamente essa lógica para dentro dos jogos de PC e Xbox. O documento, publicado no início de setembro no Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO), descreve um sistema de "créditos de anúncios" que interrompe a jogatina para exibir propaganda, e depois devolve ao jogador um período de tempo livre de comerciais, como recompensa por ter assistido.

A mecânica vai além de um cronômetro simples que dispara comercial a cada X minutos, técnica batida em jogos de celular. Segundo a patente, batizada de "Gestão Contextualmente Consciente de Acesso a Aplicativos de Software Interativos", o sistema usa aprendizado de máquina para monitorar sinais enviados pelo próprio motor do jogo e identificar o momento menos incômodo para interromper a partida.

Se o jogador está no meio de uma luta contra um chefe ou disputando uma partida competitiva, o anúncio simplesmente não aparece — o sistema espera por uma "janela de pausa natural", como o fim de uma cutscene, a tela de conclusão de uma missão, o encerramento de uma fase ou uma tela de carregamento. Detectado o momento certo, o jogo é congelado, o controle é tirado do jogador, e um bloco de anúncio (vídeo ou imagem estática) é exibido. Só depois disso o sistema libera um novo "crédito" de tempo, por exemplo, meia hora ou uma fase inteira, livre de interrupções, até o ciclo recomeçar.

Nem só para jogos gratuitos, ao que tudo indica

A leitura mais comum entre analistas é que a tecnologia mira principalmente jogos free-to-play e o Xbox Cloud Gaming — caminho que a própria Microsoft já vinha testando. Em julho, a empresa começou a experimentar uma versão gratuita do serviço de nuvem, na qual o jogador assiste a cerca de dois minutos de anúncio antes de cada sessão de uma hora, para transmitir jogos que já possui, sem precisar assinar o Game Pass.

Mas há um detalhe incômodo na nova patente: o texto, em nenhum momento, restringe explicitamente o sistema a jogos gratuitos. Ele fala genericamente em "aplicativo de software interativo", o que teoricamente deixaria a porta aberta para aplicar o mesmo mecanismo até em títulos vendidos a preço cheio — cenário que já rendeu críticas de usuários nas redes, questionando por que alguém pagaria o preço integral de um jogo e ainda assim veria propaganda no meio dele.

Vale o alerta de sempre com documentos desse tipo: é um pedido de patente, não uma funcionalidade anunciada ou confirmada. Grandes empresas registram protótipos de ideias o tempo todo, e boa parte nunca vira produto de fato. Não há qualquer sinal, por ora, de quando (ou se) esse sistema chegaria a um jogo de verdade.

Parte de um movimento maior para cortar custo no Xbox

A patente se encaixa num padrão recente da Microsoft de tornar sua divisão de games mais lucrativa e mais barata de operar. Em setembro, a empresa passou a limitar o uso de jogos na nuvem para assinantes do Game Pass, encerrando anos de acesso ilimitado — o plano Ultimate, mais caro, ficou restrito a 15 horas mensais na nuvem, com cobrança extra para quem ultrapassar o teto.

É a mesma lógica por trás dos ajustes recentes de preço da IA da própria Microsoft, como o Copilot, cobrado cada vez mais com base no uso real: uma empresa disposta a monetizar cada centímetro da experiência, inclusive o intervalo entre uma fase e outra.


AutorAndré Lopes
FonteExame
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