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InvestMercadosBDR
04/11/2026
5 min

Midterms: Nasdaq chegou a cair 2,4% com vitória democrata, mas virou. Entenda

Ações de data centers recuam, enquanto saúde e energia solar disparam em Nova York

Midterms: Nasdaq chegou a cair 2,4% com vitória democrata, mas virou. Entenda

As bolsas de Nova York passaram a madrugada desta quarta-feira, 4, digerindo a vitória ampla do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as midterms. Depois de uma queda forte durante a noite, os contratos futuros dos principais índices americanos viraram e operam em alta antes da abertura.

Os futuros do Dow Jones sobem 1,18%, aos 52.507 pontos. Os do S&P 500 avançam 0,74%, a 7.653,25 pontos, e os do Nasdaq ganham 0,62%, a 28.482 pontos.

O movimento apaga as perdas da madrugada. À medida que os resultados saíam, os futuros do Nasdaq-100 chegaram a recuar 2,4%, e os do S&P 500, 1,4%, segundo a agência Reuters.

Democratas avançam sobre redutos republicanos

O partido de oposição a Donald Trump conquistou cadeiras no Senado em estados tradicionalmente republicanos, como Carolina do Sul, Texas e Kansas. Com a vitória na disputa de Iowa, os democratas retomaram o controle das duas Casas do Congresso, de acordo com a revista Fortune. A votação era tratada como o principal teste de Trump nas urnas no segundo mandato.

Os democratas também venceram as eleições para governador no Texas e em Ohio, dois dos principais polos de data centers do país. No Texas, a agência AP projetou a vitória de Gina Hinojosa sobre o republicano Greg Abbott, que tentava a reeleição. Hinojosa prometeu uma moratória para novos data centers no estado.

O que fez o mercado virar

A recuperação dos futuros veio depois que Trump aceitou o resultado das urnas e reconheceu que a guerra no Irã pesou nas derrotas republicanas.

Para Daniela Hathorn, analista sênior da Capital.com, citada pela Reuters, a postura do presidente aliviou o temor de um confronto político prolongado, embora o poder de veto da Casa Branca mantenha a perspectiva de divergências relevantes entre os Poderes.

Trump também afirmou ao jornal Financial Times que não tem planos imediatos de atacar o Irã, o que derrubou os preços do petróleo. O presidente havia ameaçado retomar as ações militares depois das eleições.

Os juros dos títulos longos do Tesouro americano também recuam nesta manhã.

Data centers na mira

A maior preocupação dos investidores está no setor de inteligência artificial. A oposição pública à expansão acelerada dos data centers vinha crescendo justamente nos estados onde os democratas avançaram, e analistas temem restrições ao setor em escala nacional.

Limites ao boom da IA podem trazer incerteza relevante para a economia americana, a inflação e a política monetária.

O setor já vinha pressionado pela desconfiança sobre o retorno dos investimentos bilionários das big techs em IA. Na segunda-feira, o Nasdaq-100 confirmou a entrada em correção técnica.

No pré-mercado, as chamadas neoclouds lideram as perdas, com CoreWeave em queda de 3,6% e Nebius, de 1%. Empresas ligadas a data centers, como IREN, Hut 8 e Applied Digital, também recuam. As ações da SpaceX caem 4,8% e as da Tesla, 4,9%, enquanto a Trump Media perde 6,5%.

As gigantes de tecnologia resistem. A Amazon sobe 1,1%, a Microsoft avança 0,3% e a Nvidia, 0,5%.

A exceção é a Alphabet, que cede cerca de 0,4%. A AMD dispara 6,2% depois de projetar um crescimento acima do esperado para 2027, puxado pelas vendas para data centers.

Saúde e energia solar entre as vencedoras

Na outra ponta, operadoras de planos de saúde e redes hospitalares avançam. A Molina Healthcare salta 6,3% e a Centene, 4,7%. UnitedHealth e HCA Healthcare sobem cerca de 1,4%. Antes da votação, o JPMorgan já apontava o setor como beneficiado por um Congresso democrata, que poderia reverter os cortes no Medicaid aprovados no pacote fiscal de Trump.

As ações de energia solar também disparam. A First Solar ganha 8,1%, a Canadian Solar, 7%, e a SolarEdge, 3%. Já as empresas de defesa recuam.

Christopher Hodge, economista-chefe para os EUA do Natixis CIB Americas, avalia que os democratas podem usar o peso nas negociações do teto da dívida e do orçamento para obter concessões em gastos com saúde e subsídios à energia limpa.

Paralisia no radar

Wall Street costuma gostar de governos divididos, já que o impasse impede que um partido leve sua agenda ao extremo. Desta vez, porém, há quem veja risco no cenário. O economista Ed Yardeni, em entrevista à Fortune, alerta que a polarização pode transformar o impasse em uma paralisia política prejudicial, num momento em que os investidores de títulos já demonstram desconforto com a dívida e o déficit americanos.

Segundo Yardeni, uma vitória democrata nas duas Casas pode complicar as negociações sobre gastos do governo e o teto da dívida. Paralisações prolongadas do governo, os shutdowns, poderiam pressionar os juros dos títulos do Tesouro e pesar sobre o valor das ações.

O economista lembra ainda que Trump tem governado com forte uso de decretos, que um Congresso democrata não consegue frear com facilidade. Políticas que mais abalaram os mercados, como as tarifas e a guerra no Irã, foram adotadas sem aval do Legislativo.

Yardeni diz que a onda azul pode ser um banho de água fria para as ações, mas que veria uma queda forte como oportunidade de compra, dada a força da economia e dos lucros das empresas.

Para Hodge, do Natixis, os democratas não devem superestimar o recado das urnas. O economista avalia que o resultado reflete tanto uma rejeição aos republicanos quanto uma adesão aos democratas, e que estados mais divididos, com candidatos republicanos moderados, tiveram disputas mais apertadas do que a ideia de onda azul sugere.

Por ora, a reação do mercado supera as projeções feitas antes da votação. Em estimativa divulgada antes das eleições, o JPMorgan calculava que uma vitória democrata nas duas Casas levaria o S&P 500 a oscilar entre queda de 0,25% e alta de 0,50%.

*com agências internacionais

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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