Ministro iraniano diz que acordo com EUA 'nunca esteve tão próximo'

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira, 12, que um acordo entre seu país e os Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio "nunca esteve tão próximo". A fala ocorre pouco depois do presidente dos EUA, Donald Trump, acusar o Irã de divulgar uma versão falsa do plano de paz com termos que "não têm nada a ver" com o que foi acordado "por escrito".
"O memorando de entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo. Enquanto aguardamos sua conclusão, a imprensa deve se abster de especular sobre seu conteúdo" e "todos os detalhes" serão comunicados "no momento oportuno", escreveu Araghchi no X.
The Islamabad Memorandum of Understanding has never been closer. Pending its finalization, the media should refrain from entering speculation about its content.
In line with our responsible and transparent approach, all details will be shared with the public in due course.…
— Commentary Syed Abbas Araghchi (@Araghchhi) June 12, 2026
Versões conflitantes da negociação
Apesar de ambos os lados afirmarem que o acordo está próximo, informações conflitantes levantam dúvidas sobre os detalhes da negociação, sobretudo quanto à questão nuclear.
Uma autoridade de alto escalão da Casa Branca comunicou à AFP que o Irã concordou em desmantelar seu programa nuclear e destruir material nuclear como parte do acordo com os EUA, nesta sexta-feira, 12. A fonte também disse que Teerã também concordou em abrir o Estreito de Ormuz e não receberá quaisquer fundos congelados até cumprir os compromissos estabelecidos no "acordo baseado em desempenho".
No entanto, a agência de notícias iraniana IRNA havia reportado no início da manhã que o país não abriria mão de seu programa nuclear nem do controle sobre o Estreito de Ormuz.
Trump chama mídia iraniana de 'fake news'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 12, que os termos do acordo de paz com o Irã divulgados pela mídia iraniananão correspondem ao acordo escrito e são mentira.
As agências de notícias iranianas Mehr e IRNA publicaram horas antes o que descreveram como um rascunho do acordo em negociação entre Irã e EUA para encerrar a guerra.
Citando uma fonte próxima à equipe negociadora iraniana, a Mehr afirmou que o documento reúne compromissos políticos, econômicos e de segurança que serviriam de base para o fim do conflito e a retomada das negociações diplomáticas.
Em publicação no seu perfil da rede social Truth, o republicano afirmou que a mídia iraniana é "fake news".
"O que eles disseram, incluindo sua declaração fraca e patética sobre ter um acordo, não tem nenhuma relação com a verdade", escreveu o presidente.
Trump também colocou em cheque a possibilidade de negociação com o Irã. "Pessoas muito desonrosas para se negociar. Com eles, não existe negociação de boa fé", afirmou.
"Além disso, o ataque com drones que eles repeliram completamente na noite passada contra navios indianos que saíam do Estreito de Ormuz é totalmente inaceitável. É melhor eles se organizarem, e rápido!"
Turbulências no acordo EUA-Irã
A divulgação das agências iranianas ocorreu em meio à expectativa de que o acordo seja assinado nos próximos dias. Na quinta-feira, 11, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as partes estão próximas de um entendimento. Embora Teerã diga que ainda não tomou uma decisão final, autoridades iranianas reconhecem que grande parte do texto já foi concluída e está sob análise dos órgãos responsáveis.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, confirmou em entrevista na quinta-feira que "textualmente, o texto foi quase finalizado em suas partes principais", mas ressaltou que "as posições contraditórias dos Estados Unidos sempre causaram turbulência e perturbação nesse processo".
Segundo ele, desde o cessar-fogo declarado em abril, tanto os EUA quanto Israel violaram a trégua repetidamente, incluindo ataques americanos à infraestrutura do sul do Irã e a dois reservatórios de água em Sirik.
