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14/10/2026
5 min

Mitre (MTRE3): Ações caem na bolsa após prévia do 3T26; veja o que dizem os analistas

As ações da construtora Mitre Realty (MTRE3) operam em queda nesta quarta-feira (14), no pregão seguinte à divulgação da prévia operacional do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Por volta das 13h15 (de Brasília), os papéis recuavam aproximadamente 2% na bolsa de valores, negociados a R$ 3,85, em um dia negativo para o mercado de renda […]

Mitre (MTRE3): Ações caem na bolsa após prévia do 3T26; veja o que dizem os analistas

As ações da construtora Mitre Realty (MTRE3) operam em queda nesta quarta-feira (14), no pregão seguinte à divulgação da prévia operacional do terceiro trimestre de 2026 (3T26).

Por volta das 13h15 (de Brasília), os papéis recuavam aproximadamente 2% na bolsa de valores, negociados a R$ 3,85, em um dia negativo para o mercado de renda variável.

No mesmo horário, o IMOB, indicador que acompanha o desempenho das ações mais negociadas do setor imobiliário brasileiro, perdia 2%, aos 1.604 pontos. Acompanhe aqui o movimento em tempo real.



O 3T26 da Mitre

Entre julho e setembro, a Mitre registrou vendas líquidas de R$ 253,7 milhões, queda de 9,3% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, mas crescimento de 28% em relação ao segundo trimestre de 2026.

A companhia não realizou lançamentos no 3T26, segundo a prévia operacional, mas entregou 906 unidades no período, o que representou um recuo de aproximadamente 16% ante o 3T25.

Além disso, ao fim do mês passado, a construtora tinha R$ 1,7 bilhão em estoque medido pelo Valor Geral de Vendas (VGV), montante 7,3% inferior ao registrado um ano antes.

O que diz o BTG Pactual

Para os analistas do BTG Pactual, os resultados operacionais da Mitre vieram “melhores do que o esperado” no terceiro trimestre. Segundo o banco, a receita bruta da empresa somou R$ 276 milhões, queda anual de 12%, enquanto os distratos atingiram R$ 22 milhões, recuo de 32% na mesma base de comparação.

Com isso, a receita líquida, de R$ 254 milhões, ficou 29% acima da estimativa da instituição.

Apesar da ausência de lançamentos, o BTG apontou que a Mitre apresentou velocidade de vendas (VSO) de 13% no 3T26, percentual estável em relação ao apurado no mesmo trimestre de 2025.

Na avaliação da casa, a construtora concentrou esforços na comercialização dos estoques existentes, que apresentaram bom desempenho.

“Os números operacionais ficaram acima das nossas estimativas, já que as vendas de estoque tiveram um desempenho melhor do que o esperado”, afirmou o banco.

“Apesar de uma avaliação descontada de 0,4 vez o múltiplo P/VP, mantemos nossa classificação neutra para MTRE3, visto que a empresa ainda apresenta um ROE [retorno sobre o patrimônio líquido] fraco e tem um índice de alavancagem acima da média”, acrescentou.

O preço-alvo do BTG para os papéis é de R$ 4,80, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 24%.

O que diz o Bradesco BBI

Analistas do Bradesco BBI, por sua vez, afirmaram que os indicadores operacionais da Mitre mostraram melhora nas vendas, apesar da ausência de lançamentos.

De acordo com o banco, a VSO de 13% no 3T26 ficou praticamente estável em relação ao ano anterior, mas com melhora significativa frente ao trimestre passado, de 3,8 pontos percentuais.

Outro ponto citado pela casa foi a redução nos distratos. Segundo o BBI, os cancelamentos representaram 8,1% das vendas brutas, ante 18,6% no 2T26, indicando uma “normalização relevante”.

Ainda assim, o banco ponderou, como ponto de atenção, que as vendas líquidas acumuladas em 2026 seguem abaixo dos níveis observados no ano passado.

De acordo com a instituição, no acumulado dos nove primeiros meses (9M26), as vendas líquidas totalizaram R$ 780,7 milhões, recuo de 12,8% na comparação anual.

“Embora a Mitre tenha apresentado melhora sequencial em vendas, VSO e nível de distratos, os indicadores operacionais ainda permanecem relativamente fracos em termos absolutos. A companhia registrou o segundo trimestre consecutivo sem lançamentos, enquanto as vendas líquidas acumuladas em 2026 seguem abaixo dos níveis observados no ano passado”, afirmou o Bradesco.

“Por outro lado, a redução relevante dos estoques e a normalização dos cancelamentos após o fraco desempenho do 2T26 sugerem uma melhora gradual na capacidade de monetização do estoque existente. Mas, de forma geral, apesar da melhora em relação ao trimestre anterior, acreditamos que os números do 3T26 ainda não são suficientes para indicar uma mudança significativa na trajetória operacional da companhia”, acrescentou.

Assim como o BTG Pactual, o banco também mantém recomendação neutra para as ações MTRE3.

O que diz o Itaú BBA

Em um tom mais cauteloso, o Itaú BBA avaliou que os resultados operacionais da Mitre no 3T26 vieram mais fracos do que o esperado, principalmente em razão da ausência de lançamentos. De acordo com a casa, a empresa focou mais uma vez nas vendas de estoque.

O banco apontou que a receita líquida ficou 40% abaixo do projetado, refletindo lançamentos menores do que o previsto nos primeiros nove meses de 2026.

Isso porque, no acumulado dos nove primeiros meses do ano (9M26), os lançamentos da construtora totalizaram R$ 917 milhões, ante R$ 1,8 bilhão esperado anteriormente pelo Itaú.

“Os números operacionais do setor no 3T26 reforçam as condições desafiadoras no segmento de habitação de renda média e alta, em meio a um desempenho de vendas mais fraco e níveis elevados de estoque em São Paulo”, afirmou o BBA.

“Embora uma perspectiva macroeconômica potencialmente mais favorável para as taxas de juros de longo prazo possa proporcionar algum alívio, e as ações da Mitre continuem sendo negociadas com desconto, preferimos manter nossa recomendação market perform (neutra), dada a perspectiva moderada de ROE no curto e médio prazo”, prosseguiu.

O preço-alvo do banco para os papéis MTRE3 é de R$ 4,60, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 19,5%.

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
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