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Sacre Investimentos
InvestMercadosFIN
02/09/2026
4 min

Mobius quer levantar até R$ 1 bi com precatório, crédito e fazenda na mesma cota

Gestora de ex-Credit Suisse aposta na liberdade de alocação para capturar prêmio nessas três frentes

Mobius quer levantar até R$ 1 bi com precatório, crédito e fazenda na mesma cota

Imagine reunir, dentro de uma mesma cota de fundo, um precatório do governo federal, o recebível de uma empresa saudável em plena expansão e um ativo real, como uma fazenda comprada de um produtor endividado. É com essa combinação de teses que a Mobius Capital, gestora independente de investimentos alternativos, quer levantar até R$ 1 bilhão em seu novo fundo de crédito estruturado.

A aposta é reunir num único veículo as estratégias que a casa desenvolveu ao longo de seus fundos anteriores, para ter liberdade de alocar onde enxergar o melhor prêmio a cada momento do ciclo econômico. Convencer o investidor a comprar essa liberdade, porém, não é trivial.

"É realmente um processo de convencimento do investidor profissional de que essa liberdade traz muita responsabilidade, disciplina e gera valor", afirma Eduardo Almendra, sócio-fundador da gestora. "Ele tem que ter um conforto muito grande de que essa liberdade vai ser usada da melhor maneira, aproveitando os ciclos econômicos da economia brasileira."

O primeiro fechamento da captação, inicialmente previsto para o fim de julho, deve ocorrer ao longo de setembro, com a oferta permanecendo aberta em seguida. Por questões regulatórias, a gestora não revela quanto já reuniu. "A gente não tem obsessão de ser um bilhão. O que a gente quer é ter pelo menos R$ 500 milhões", diz Almendra.

As três frentes

A espinha dorsal do fundo é o crédito privado. Aí, a gestora atua em dois perfis que, segundo Almendra, convivem mesmo num ambiente adverso. De um lado, empresas saudáveis em crescimento que precisam de capital de prazo longo e não são atendidas pelos grandes bancos. De outro, companhias maduras em estresse financeiro, muitas em recuperação judicial, para as quais a Mobius se apresenta como capital de solução.

"O cara que está perto de uma recuperação judicial ou já está nela é onde a gente entra como capital para prover a solução. E o cara que performou melhor que os concorrentes é o que consolida a indústria e precisa de dinheiro para crescer", diz.

Na tese de crescimento, a gestora se diz seletiva com o empreendedor. "O empreendedor precisa fazer a diferença. A gente ajuda com governança, mas não conserta empresa. Não somos private equity."

A segunda frente são os ativos judiciais, uma vertical tocada pelo sócio Renato Herkenhoff. Aí entram a compra de precatórios nas esferas federal, estadual e municipal e a aquisição de ações judicializadas entre empresas, quando a gestora se sente confortável com o mérito jurídico e com o risco de crédito envolvido.

A terceira, mais oportunista, é a de ativos reais, com foco na compra de fazendas. Por setor, a gestora tem olhado principalmente infraestrutura e agronegócio, e de forma pontual o imobiliário.

Prêmio, tíquete e prazo

Para o novo veículo, o pedido de prêmio comunicado aos investidores é de CDI mais 10%.

Almendra explica que o retorno não vem de uma taxa única, e sim de uma engenharia ao longo do investimento. "Empresa mais arriscada eu empresto a CDI mais 'um montão'. Empresa menos arriscada, a CDI mais 5%, 6%."

"A gente prefere prometer CDI mais 8%, CDI mais 10% e entregar alguma coisa maior."

Os tíquetes variam por classe de ativo. No crédito, a gestora persegue operações de R$ 30 milhões a R$ 250 milhões. Em ativos judiciais, o desembolso parte de R$ 10 milhões. Em ativos reais, o corte fica em torno de R$ 30 milhões, com cheques de até cerca de R$ 150 milhões. Ser credor relevante, diz Almendra, dá acesso às melhores garantias, e é isso que justifica um fundo maior. Quando o cheque não cabe sozinho, a casa aciona a base de cotistas para coinvestir.

Os fundos da gestora têm estrutura de três a quatro anos para investir e prazo total de oito anos, algo que Almendra aponta como vantagem competitiva num mercado em que linhas bancárias para empresas fora do primeiro quartil raramente passam de dois ou três anos. As operações, por isso, são trabalhosas e levam de 90 a 120 dias para serem concluídas.

Devolução mais rápida que o previsto

Um ponto que Almendra classifica como diferencial diante da indústria é a velocidade de devolução do capital. Vários fundos de prazo determinado no mercado precisaram estender o prazo para conseguir devolver o dinheiro aos cotistas. Na Mobius, diz, cerca de metade do capital que passou pelos fundos já foi reciclado.

Na vertical de ativos judiciais, o ritmo tem superado a projeção. "Nas operações de legal claims, a gente está devolvendo 42% do dinheiro investido em menos de quatro anos", afirma.

Hoje a casa reúne cerca de R$ 1 bilhão entre capital comprometido e investido, distribuído em dois fundos flagship, além de fundos monoativos usados nas operações de coinvestimento.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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