Moderna perde US$ 20 bi em um dia após vazamento de dados de vacina contra câncer
Estudo mostrou benefício no melanoma, mas ficou abaixo do que o mercado esperava

As ações da Moderna chegaram a cair 25% nesta quinta-feira, 22, após a divulgação antecipada de dados de um estudo clínico de sua vacina experimental contra o câncer, desenvolvida em conjunto com a farmacêutica Merck.
Embora os resultados tenham indicado benefícios para pacientes com melanoma, as informações não foram suficientes para sustentar as expectativas elevadas do mercado em relação ao tratamento. A queda eliminou cerca de US$ 20 bilhões do valor de mercado da companhia.
Os dados apareceram brevemente no Oncology Central, site especializado em informações médicas, antes de serem retirados do ar. A apresentação completa estava prevista para sábado, durante o congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO). Capturas de tela do conteúdo publicado circularam nas redes sociais.
A reação negativa ocorreu mesmo diante de resultados favoráveis do ensaio clínico de fase 3, etapa avançada do desenvolvimento de medicamentos, que avalia a eficácia e a segurança de um tratamento em um grupo amplo de pacientes.
A combinação da vacina personalizada com o Keytruda, medicamento de imunoterapia da Merck, reduziu em 42% o risco de recorrência do melanoma ou morte, em comparação com o uso isolado do Keytruda.
O estudo também apontou uma redução de 38% no risco de disseminação do câncer para outras partes do organismo ou morte. Após dois anos, 82,2% dos participantes que receberam a combinação permaneciam vivos e sem sinais da doença, ante 70% daqueles tratados apenas com o medicamento da Merck.
Mercado tinha altas expectativas
Em agosto, as ações da Moderna mais que dobraram depois que a companhia anunciou que a vacina havia atingido os principais objetivos do ensaio clínico. Desde então, as expectativas em torno do tratamento ganharam força, com investidores enxergando nele uma possível nova fonte de receita para a farmacêutica, que busca ampliar seus negócios para além das vacinas contra doenças infecciosas.
A Moderna e a Merck investigam o potencial da tecnologia para outros tipos de câncer, o que amplia as possibilidades comerciais do projeto, mas também torna os resultados do estudo atual relevantes para as perspectivas futuras da parceria.
Conhecida como intismeran autogene, a vacina utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) e é desenvolvida a partir das características do tumor de cada paciente. A proposta é estimular o sistema imunológico a identificar e combater células cancerígenas que possam permanecer no organismo após a cirurgia.
O tratamento é administrado em conjunto com o Keytruda, uma das principais terapias oncológicas da Merck. A combinação busca reduzir as chances de retorno da doença em pacientes com melanoma de alto risco.
