Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Economia
03/09/2026
4 min

“Moeda do Trump” de US$ 1 entra em circulação nos EUA e desafia lei nacional do século 19

Nova moeda com o rosto de Trump reacende debate sobre limites legais para homenagens a pessoas vivas; a peça é mais uma tentativa do presidente de associar sua imagem a símbolos nacionais.

“Moeda do Trump” de US$ 1 entra em circulação nos EUA e desafia lei nacional do século 19

Moedas comemorativas de US$ 1 estampadas com o rosto do presidente Donald Trump começaram a ser comercializadas na quarta-feira (2) nos Estados Unidos.

Cunhadas pela Casa da Moeda norte-americana, a iniciativa visa celebrar os 250 anos da independência americana. O design foi aprovado pela Comissão de Belas Artes dos Estados Unidos, cujos integrantes foram indicados pelo próprio Trump.

O item também possui valor de face acima do usual. Um rolo com 25 moedas custa US$ 61, enquanto um saco com 100 unidades sai por US$ 154,50.

Segundo a instituição, as peças já estão em circulação, embora o órgão não tenha esclarecido se elas poderão ser utilizadas ou se são uma mera edição comemorativa. Em julho, primeiro mês de produção, 9 milhões de unidades foram cunhadas na Filadélfia.

A iniciativa reacende o debate sobre uma tradição americana de mais de 160 anos. Historicamente, esta impediria a representação de pessoas vivas em moedas e cédulas para evitar o uso desses símbolos nacionais como instrumento de promoção política.

A “moeda do Trump”

Na parte da frente da moeda, a estampa do rosto de Trump está acompanhada da inscrição "LIBERTY" ("Liberdade") e do lema "IN GOD WE TRUST" ("Em Deus confiamos"), tradicional nas moedas dos Estados Unidos.

Também constam os anos "1776–2026", referindo-se aos 250 anos da independência dos EUA.

Já o verso exibe a tradicional imagem da águia-careca, símbolo nacional americano presente no Grande Selo dos Estados Unidos. A ave aparece com um escudo no peito e a inscrição "UNITED STATES OF AMERICA" ("Estados Unidos da América").

Sobre o escudo aparece a expressão em latim "E PLURIBUS UNUM", que significa "De muitos, um".

Cada residência poderá fazer até dois pedidos durante as primeiras 24 horas de venda da moeda. A restrição deixará de valer nesta quinta-feira (3), às 14h (15h em Brasília).

Segundo o jornal britânico Daily Mail, o design inicial do verso moeda retratava a reação de Trump à tentativa de assassinato em Butler, na Pensilvânia, em julho de 2024, com o presidente de punho erguido e a frase "Fight, Fight, Fight" ("Lutem, lutem, lutem").

No entanto, esse desenho teria sido substituído pelo selo presidencial para evitar a indignação dos legisladores.

Trump desafiou as leis nacionais?

Segundo a Casa da Moeda, a peça foi criada para "celebrar os 250 anos da herança americana". O secretário do Tesourodos EUA, Scott Bessent, afirmou que "com a imagem do presidente Trump, ela celebra a força dos valores americanos e a promessa de uma nação dedicada a preservar a liberdade para todos".

Tradicionalmente, pessoas vivas não podem ser retratadas em moedas e cédulas em circulação nos EUA. No entanto, uma lei aprovada pelo Congresso em 2020 permite que elas sejam estampadas na parte da frente de moedas comemorativas de US$ 1, mas não no verso.

Trump é o segundo presidente em exercício a aparecer em uma moeda dos EUA. Há cerca de 100 anos, Calvin Coolidge foi o primeiro, estampado em uma moeda comemorativa de meio dólar pelos 150 anos da independência americana.

Outras tentativas de Trump

Desde março deste ano, a assinatura de Trump também está sendo adicionada a notas recém-impressas. Tradicionalmente, as cédulas americanas levam as assinaturas do secretário do Tesouro e do tesoureiro dos Estados Unidos, e não do presidente.

Bessent também propôs uma nota de US$ 250 para operações interbancárias com o retrato e a assinatura de Trump, mas o projeto que a autoriza ainda está parado no Congresso.

Outras iniciativas do presidente para associar seu nome a instituições também geraram controvérsia. Entre elas estão medidas para incluir o nome de Trump no Kennedy Center e no Instituto da Paz dos Estados Unidos.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

AutorIsabella Scaramucci
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por