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MercadosCMDT
23/07/2026
4 min

Momento é de “oportunidade” no agronegócio apesar da pressão sobre o setor, dizem gestores

Momento é de “oportunidade” no agronegócio apesar da pressão sobre o setor, dizem gestores

Em meio ao aumento do custo financeiro, à queda da liquidez e às margens mais apertadas no agronegócio, gestores que acompanham o setor do agronegócio afirmam que o momento exige uma postura mais conservadora, mas também abre espaço para novas oportunidades de investimento em operações de crédito e estruturas lastreadas em ativos rurais.

Durante um painel na XP Expert, os executivos destacaram que a redução da oferta de crédito por parte de bancos e financiadores tem ampliado a demanda por alternativas no mercado de capitais, ao mesmo tempo em que permite selecionar empresas e produtores com balanços mais sólidos.

Gustavo Almeida, gestor de Fiagros da XP Asset, afirmou que o ambiente continua desafiador para o setor, com geração de caixa pressionada, dificuldades na liberação de recursos do Plano Safra e menor liquidez no mercado. Ainda assim, segundo ele, a gestora tem encontrado oportunidades em operações com produtores e empresas mais robustos financeiramente.

“A maioria das notícias hoje é negativa. O agro está com margens apertadas, custo financeiro elevado e liquidez menor. Mas, ao mesmo tempo, estamos vendo muita oportunidade de negócio”, disse.

Segundo Almeida, a estratégia da XP tem sido priorizar segurança em detrimento de retornos mais elevados, aceitando spreads menores em troca de menor risco de crédito. A gestora também voltou a prospectar operações que haviam sido deixadas de lado em anos anteriores.

Hoje, as operações da corretora estão concentradas principalmente em Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais, com foco em soja, milho, cana-de-açúcar e fertilizantes.

“O mais importante hoje é preservar liquidez. Ela parece ser mais importante do que maximizar a geração de caixa”, afirmou.

O gestor também ressaltou que a piora das margens em segmentos como o sucroenergético não altera a visão de longo prazo para o setor. “Se eu faço uma operação de cinco anos com qualquer commodity, é impossível que ela esteja sempre em um bom momento. Se fosse assim, não seria commodity”, afirmou.

Pedro Freitas, sócio e head de agronegócio no banco de investimento da XP, avaliou que o mercado de capitais voltado ao agronegócio segue em processo de amadurecimento desde a expansão dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Dificuldades abrem oportunidades

Segundo ele, os gestores têm um papel crescente na originação e acompanhamento das operações, especialmente em momentos de maior volatilidade.

“A palavra do momento é oportunidade. É hora de abrir novos relacionamentos, estruturar novas operações e olhar principalmente para a liquidez dos clientes para atravessar esse período mais difícil”, disse.

Já Paulo Mesquita, gestor de agronegócio da Riza Asset, afirmou que a casa também mantém uma postura conservadora, priorizando operações com produtores organizados e financeiramente sólidos.

A Riza administra cerca de R$ 25 bilhões e atua tanto em crédito quanto em investimentos em terras agrícolas.

Segundo Mesquita, uma das frentes que mais ganhou espaço recentemente é a modalidade de sale and leaseback, em que o fundo compra a propriedade rural e a arrenda de volta ao produtor.

“Hoje essa é nossa principal frente no setor. Compramos a terra com desconto, o produtor continua operando e nunca tivemos problemas nesse tipo de estrutura ao longo de cinco anos e meio”, afirmou.

O executivo destacou que a queda no preço das terras agrícolas tornou esse tipo de operação mais atrativo.

“Há três anos era praticamente impossível fazer esse tipo de negócio. Em regiões como Sorriso (MT), áreas que chegaram a valer R$ 300 mil por hectare hoje podem ser encontradas por R$ 50 mil ou R$ 60 mil”, disse.

Além de soja, milho e algodão, a gestora também passou a avaliar culturas perenes, como o café, buscando diversificação de receitas.

Para Mesquita, apesar do momento mais difícil para diversas commodities, a competitividade do agronegócio brasileiro permanece elevada.

“Se está ruim para o produtor brasileiro, provavelmente também está ruim para os concorrentes lá fora. No fim, é uma questão de oferta e demanda. Os players vão se consolidar e o Brasil tende a sair fortalecido desse processo”, afirmou.

AutorVitor Azevedo
FonteMoney Times
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