Monfredini, transportadora de São José dos Campos, mira R$ 1 bilhão
Companhia prevê alcançar a marca em 2026 e prepara R$ 370 milhões para ampliar a frota, construir nova matriz e entrar no setor de armazenagem

Sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo, a Monfredini Transportes prevê chegar a R$ 1 bilhão em faturamento em 2026, depois de multiplicar por quase 17 sua receita e o conjunto de equipamentos usados na operação desde 2022.
Fundada em 1992, a companhia cresceu principalmente no transporte de grandes volumes entre centros de distribuição, em uma operação ligada à expansão do comércio eletrônico no país.
Para 2027, a Monfredini prepara R$ 370 milhões em novos investimentos, destinados à renovação e ampliação da frota, à construção de uma nova matriz e à entrada no segmento de armazenagem. O bilhão deve ser alcançado antes mesmo de dois dos maiores projetos da empresa começarem a contribuir para a receita.
Somente em 2026, foram cerca de R$ 250 milhões aplicados em equipamentos. Hoje, a companhia realiza mais de 500 viagens por dia em operações dedicadas entre centros de distribuição.
Como a empresa cresceu quase 17 vezes
Parte desse avanço acompanha uma transformação mais ampla no varejo online. O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a consultoria Neotrust.
Com mais compras pela internet, aumenta também a pressão sobre a estrutura que movimenta os produtos antes da entrega ao consumidor. Nos últimos anos, grandes plataformas ampliaram centros de distribuição e aproximaram estoques de diferentes regiões do país, encurtando prazos de entrega.
É nesse trecho da cadeia que a Monfredini concentrou boa parte de sua expansão. A empresa atua no chamado middle mile, etapa que conecta centros de distribuição, unidades de armazenagem e instalações regionais antes da entrega final.
Nesse tipo de operação, os veículos precisam cumprir horários rígidos de coleta e descarga, absorver oscilações de volume e manter a operação em períodos de alta demanda, como Black Friday e grandes campanhas promocionais.
Middle mile: Monfredini conecta centros de distribuição e operações regionais antes da entrega final (MONFREDINI/Divulgação)
Por isso, a empresa afirma ter investido antes que a demanda exigisse nova capacidade. Além da renovação da frota, os aportes incluíram telemetria, rastreamento, sistemas de gestão e acompanhamento em tempo real. A frota tem idade média inferior a três anos.
“Crescemos porque decidimos investir antes de precisar. A estrutura, a tecnologia na frota e o cuidado com quem dirige foram pensados não apenas para sustentar o tamanho que temos hoje, mas para preparar a empresa para o que vem pela frente”, afirma Arthur Monfredini, fundador e presidente da companhia.
R$ 370 milhões para o próximo ciclo
Com o primeiro bilhão no horizonte, a empresa já desenha a próxima etapa. Dos R$ 370 milhões previstos, R$ 250 milhões serão destinados em 2027 à aquisição e renovação de equipamentos. Entre as compras planejadas estão 50 cavalos mecânicos e 50 caminhões do tipo truck movidos a gás, em parceria com a Scania.
Os outros R$ 120 milhões virão de recursos próprios da empresa e serão destinados à infraestrutura. Desse total, R$ 80 milhões serão aplicados na nova matriz, em construção às margens da Rodovia Presidente Dutra, no km 138, em São José dos Campos. O projeto ocupará um terreno de cerca de 191 mil metros quadrados, com pátio para até 650 conjuntos, oficina própria e estrutura de apoio aos motoristas.
Na sequência, outros R$ 40 milhões serão aplicados em um galpão logístico de 40 mil metros quadrados, com capacidade para 30 mil posições-pallet. A estrutura permitirá à Monfredini avançar em armazenagem e integrar essa atividade ao transporte entre centros de distribuição.
A aposta agora é integrar mais etapas da logística
Com a nova frente, a companhia pretende participar de uma parcela maior da cadeia logística, em vez de atuar apenas no deslocamento das cargas de um ponto a outro.
Esse movimento também deve aumentar o tamanho da operação. Para 2027, a Monfredini projeta chegar a aproximadamente 1.500 colaboradores e operar com cerca de 1.800 equipamentos, além de uma rede de aproximadamente 500 transportadores agregados.
Ao mesmo tempo, a companhia prevê ampliar a frota de caminhões movidos a gás. A nova matriz terá um posto de abastecimento desenvolvido em parceria com a Ultragaz, com oferta de diesel e biometano, o que permitirá à empresa aumentar gradualmente o uso de um combustível de menor emissão em sua operação.
“Chegar ao primeiro bilhão será um marco, mas não representa o fim do nosso projeto de crescimento. Estamos construindo a estrutura para o próximo ciclo sem abrir mão daquilo que trouxe a Monfredini até aqui”, afirma Kellen Monfredini, vice-presidente e sócia da companhia.
Se a projeção se confirmar, a Monfredini chegará ao primeiro bilhão antes de a nova matriz e a armazenagem entrarem plenamente na conta.
