Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
EconomiaACS
23/06/2026
4 min

Moody’s vê Banco do Brasil (BBAS3) mais conservador após piora no agro; Caixa e BNDES mantêm expansão do crédito

Moody’s vê Banco do Brasil (BBAS3) mais conservador após piora no agro; Caixa e BNDES mantêm expansão do crédito

O Banco do Brasil (BBAS3) tem adotado uma postura mais conservadora na concessão de crédito em meio ao aumento da inadimplência no sistema financeiro, diferentemente da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que seguem mais alinhados à estratégia do governo de expandir o crédito para estimular a economia.

A avaliação é da Moody’s Ratings, em relatório divulgado nesta segunda-feira (22) sobre os bancos públicos brasileiros.

Segundo a agência, o Banco do Brasil reduziu o ritmo de crescimento da carteira de crédito para 9% em 2025, abaixo dos 12,9% registrados em 2024, após o aumento da inadimplência observado principalmente na carteira de agronegócio. Para 2026, a instituição trabalha com uma projeção de expansão entre 0,5% e 4,5%.

A Moody’s afirma que o banco tem concentrado esforços na melhora da qualidade da carteira, reduzindo a exposição a segmentos considerados mais sensíveis ao atual ambiente de juros elevados e endividamento das famílias.

“O BB reduziu o crescimento dos empréstimos rurais e foi mais seletivo na concessão de crédito”, destaca o relatório.

Agronegócio pressiona resultados

A deterioração da carteira rural aparece como uma das principais preocupações para o banco.

Segundo a Moody’s, desde o fim de 2024 o Banco do Brasil vem registrando aumento das perdas relacionadas ao agronegócio, movimento que levou a instituição a rever seu apetite por crédito. A demanda para a safra 2026/2027 permanece incerta, uma vez que produtores precisam regularizar operações anteriores para acessar novas linhas junto ao banco.

O relatório aponta ainda que o BB reduziu entre 25% e 30% as originações vinculadas ao Plano Safra e registrou queda de 10% nos empréstimos para pequenas e médias empresas nos últimos 12 meses.

A pressão também aparece nos indicadores de inadimplência. Os empréstimos de varejo com atraso superior a 90 dias avançaram para 6,82% da carteira em março de 2026, ante 5,1% um ano antes, refletindo principalmente a piora em linhas sem garantia, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.

Caixa e BNDES seguem estratégia de expansão

Enquanto o Banco do Brasil adota uma postura mais defensiva, a Caixa e o BNDES continuam desempenhando papel central na implementação dos programas de crédito do governo.

A Moody’s projeta que a Caixa amplie a concessão de empréstimos acima da média do mercado em 2026, impulsionada principalmente por programas habitacionais e iniciativas voltadas à população de baixa renda. O banco elevou sua carteira de crédito em 10,9% em 2025.

Já o BNDES expandiu sua carteira em 11,3% no ano passado e, segundo a agência, possui uma posição de capital mais confortável para sustentar um crescimento mais acelerado. O banco tem sido um dos principais canais de financiamento para projetos de infraestrutura e programas de desenvolvimento econômico.

Governo amplia programas de crédito

A análise da Moody’s ocorre em um momento em que o governo federal amplia programas de apoio social e estímulo econômico por meio do sistema financeiro.

Banco do Brasil, Caixa e BNDES têm participação relevante em iniciativas voltadas ao financiamento agrícola, habitação popular, infraestrutura e renegociação de dívidas, desempenhando um papel que a agência classifica como anticíclico em períodos de desaceleração econômica.

Apesar disso, a Moody’s alerta que a expansão do crédito ocorre em um cenário de condições financeiras mais desafiadoras. O elevado endividamento das famílias e a Selic em 14,25% têm pressionado a capacidade de pagamento dos tomadores e contribuído para a alta gradual da inadimplência no sistema bancário.

Lucros devem continuar pressionados

Para a agência, os resultados do Banco do Brasil seguem sendo os mais impactados pelo aumento das provisões para perdas com empréstimos.

Os lucros trimestrais do banco estão nos níveis mais baixos desde 2020, refletindo tanto o aumento das provisões relacionadas ao agronegócio quanto a exposição ao crédito de varejo sem garantia. A Moody’s avalia que a necessidade de novas provisões pode continuar pressionando a rentabilidade dos bancos públicos até 2027.

Segundo o relatório, o desafio para Banco do Brasil, Caixa e BNDES será equilibrar os objetivos de política pública com a preservação da qualidade dos ativos e da rentabilidade em um ambiente econômico ainda fragilizado.

AutorMaria Carolina Abe
FonteMoney Times
Distribuído por