Mortes de migrantes colocam atuação do ICE em xeque

O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) informou que está revisando seus protocolos de recrutamento e treinamento após a morte de três migrantes durante operações da agência neste mês.
O anúncio foi feito neste domingo, 26, por Tom Homan, responsável pela política de fronteiras do governo de Donald Trump, em entrevista à CNN.
Segundo Homan, a revisão ocorre após a divulgação de informações de que o agente do ICE que atirou contra o colombiano Joan Sebastián Durán Guerrero, morto no Maine em 13 de julho, tinha um histórico de comportamento violento, segundo relatos de ex-esposas que questionaram o processo de seleção da agência.
"O ICE tem cerca de 30 mil funcionários. Todos passam por uma verificação de antecedentes. Este é um caso raro. Mas o assunto está em revisão. Há várias coisas sob revisão. O treinamento está sob revisão", afirmou.Apesar disso, Homan negou que o ICE tenha cometido erros nas operações que resultaram nas mortes de Durán Guerrero e do mexicano Lorenzo Salgado Araujo, morto a tiros por agentes no Texas em 7 de julho.
Um terceiro caso ocorreu em 14 de julho, quando o mexicano Juan Jairo Coronilla Durán morreu atropelado por um caminhão na Flórida após fugir de uma operação da agência.
"Não diria que houve erros. Estamos avaliando a necessidade de treinamento adicional. Tudo está sendo revisado e veremos quais serão as conclusões", disse Homan.
As mortes levaram parlamentares do Partido Democrata e organizações de direitos civis a reforçarem o pedido para que agentes do ICE utilizem câmeras corporais de forma obrigatória durante as operações. Homan afirmou ser favorável à medida.
Na semana passada, o chefe da política de fronteiras havia declarado que os migrantes mortos "estariam vivos" se tivessem obedecido às ordens dos agentes.
Os casos ocorrem em meio ao aumento das prisões de imigrantes nos Estados Unidos. Segundo dados do governo, mais de 43 mil pessoas foram detidas em junho pelo ICE e pela Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), o maior número registrado desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025.
*Com informações da EFE
