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Sacre Investimentos
InvestMercados
01/09/2026
3 min

Motiva conclui venda de aeroportos para operadora mexicana por R$ 12,2 bi

Companhia usará recursos para reduzir a dívida da holding e ampliar aportes em rodovias e trilhos

Motiva conclui venda de aeroportos para operadora mexicana por R$ 12,2 bi

A Motiva (ex-CCR) fechou de vez a saída do setor aeroportuário. A companhia concluiu nesta segunda-feira, 1º, a venda de 100% da sua plataforma de aeroportos para a mexicana Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR) por R$ 12,211 bilhões. O negócio havia sido anunciado em novembro do ano passado, quando o valor girava em torno de R$ 11,5 bilhões, e agora é dado como encerrado após atualização monetária e ajustes de balanço.

Do total, R$ 5,187 bilhões correspondem ao equity pelas ações da CPC Holding, veículo que reunia as participações da Motiva nos 20 aeroportos, e R$ 7,024 bilhões referem-se às dívidas dos ativos. A conclusão veio depois do aval de órgãos de concorrência, credores e poderes concedentes de Brasil, Equador, Costa Rica e Curação, os quatro países onde a operação atuava.

Por que a Motiva se desfez dos aeroportos

A venda faz parte da estratégia da Motiva de enxugar o portfólio para concentrar capital em rodovias e trilhos, segmentos em que a empresa se considera líder na América Latina. A conta principal está no endividamento: os recursos vão para a redução da dívida da holding, e a alavancagem consolidada deve cair de 3,7 vezes para cerca de 3 vezes dívida líquida/Ebitda.

Com mais fôlego no balanço, a companhia mira um pipeline de R$ 170 bilhões em oportunidades mapeadas para os próximos anos em concessões de rodovias, trens e metrôs no Brasil. É o mesmo raciocínio que vinha sendo desenhado desde que a venda começou a ser especulada no mercado, em meados do ano passado, quando a ação chegou a liderar altas do Ibovespa com a notícia.

Pelos termos finais, os ativos saíram a um múltiplo EV/EBITDA de 8,8 vezes, acima do múltiplo em que a própria Motiva negocia. Segundo o CEO Miguel Setas, o encerramento amplia a capacidade de investir nos negócios em que a empresa tem "competências distintivas".

O que muda a partir de agora

Começa um período de transição para transferir os sistemas corporativos da Motiva para a ASUR. O Centro de Serviços Compartilhados da brasileira vai prestar suporte temporário de backoffice ao grupo mexicano, incluindo folha de pagamento, suprimentos e TI, para manter os 20 aeroportos rodando sem sobressalto para os passageiros.

Os funcionários da plataforma serão transferidos para a ASUR já no dia seguinte ao fechamento. E os resultados da operação, hoje contabilizados na linha de ativos mantidos para venda, deixam de ser consolidados no balanço no terceiro trimestre de 2026.

O que estava no pacote

A plataforma vendida reúne 20 aeroportos, sendo 17 no Brasil e três em outros países da região, com movimento anual de cerca de 45 milhões de passageiros e mais de 200 rotas regulares. É a terceira maior operação do país e inclui ativos como os aeroportos de Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia.

Nos 12 meses de referência informados pela companhia, o negócio somou receita líquida de R$ 2,96 bilhões e Ebitda de R$ 1,52 bilhão, com margem de 51%, além de 524 mil toneladas de carga movimentadas. Do outro lado, a ASUR reforça sua posição como um dos maiores operadores aeroportuários da América Latina, incorporando os 45 milhões de passageiros anuais da carteira brasileira.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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