Motiva tem lucro de R$ 1,4 bilhão no 2º tri com impulso de concessão da Fernão Dias
Operacional cresceu com o avanço das novas concessões, mas ambiente de juros altos manteve o resultado financeiro sob pressão

A Motiva (MOTV3) registrou lucro líquido consolidado de R$ 1,413 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 57,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número incorpora um ganho contábil não recorrente de R$ 750 milhões proveniente da compra vantajosa da concessão Minas-SP, da Rodovia Fernão Dias. Excluído esse efeito de avaliação do ativo, o lucro líquido ajustado somou R$ 663 milhões, avanço de 67,0%.
O EBITDA Ajustado da companhia de concessões de rodovias e trilhos, a antiga CCR, cresceu 30,1% no trimestre, para R$ 2,370 bilhões, com expansão de 4,7 pontos percentuais na margem, que alcançou 65,3%. A Receita Líquida Ajustada avançou 20,8%, para R$ 3,631 bilhões.
O principal motor do crescimento operacional foi a maturação das novas concessões. Paraná, Pantanal, Sorocabana e Minas-SP contribuíram juntas com R$ 370 milhões ao EBITDA do período, montante 275,2% superior ao registrado um ano antes.
A entrada da Minas-SP, que administra a Fernão Dias entre São Paulo e Belo Horizonte, foi o principal evento estratégico do trimestre. A companhia assinou o contrato de compra e venda em abril e firmou um aditivo que estendeu o prazo da concessão por 15 anos.
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Portfólio e eficiência
No segmento de rodovias, o EBITDA Ajustado cresceu 29,5%, para R$ 1,995 bilhão, com margem de 78,7%. O tráfego comparável avançou 3,8%, com destaque para a RioSP, que teve alta de 13,5% impulsionada pela cobrança em fluxo livre (free flow) na Região Metropolitana de São Paulo. Em trilhos, o EBITDA Ajustado subiu 19,6%, para R$ 696 milhões, com ganho de 5,4 pontos percentuais na margem.
A disciplina de custos também apareceu nos números. O indicador de eficiência que mede a relação entre despesas operacionais em caixa e receita líquida ajustada nos últimos doze meses recuou 3,7 pontos percentuais, para 34,1%, refletindo a otimização do portfólio.
Dívida e o peso dos juros
Para financiar os novos ativos, a Motiva elevou o endividamento bruto em 31,8% na comparação anual. Os novos negócios adicionaram R$ 4,1 bilhões à dívida bruta, e a companhia realizou R$ 1,2 bilhão em aportes nas investidas ao longo do trimestre.
Com isso, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA Ajustado subiu para 3,7 vezes, um avanço de 0,1 vez ante o mesmo período do ano passado. A companhia argumenta que o aumento decorre do maior endividamento após a incorporação dos ativos, cuja contribuição ao EBITDA dos últimos doze meses ainda não ocorreu de forma integral, o que tende a normalizar o indicador à medida que as concessões maturam.
O resultado financeiro líquido negativo aumentou 11,1% no trimestre, passando de R$ 723 milhões negativos para R$ 803 milhões negativos. A pressão veio principalmente do ambiente de juros elevados.
A linha de variações monetárias saltou 163,6%, de R$ 198 milhões para R$ 522 milhões negativos, movimento explicado pela combinação de dois fatores: o aumento de 23,4% na parcela da dívida indexada ao IPCA e a alta de 0,49 ponto percentual do próprio índice de inflação entre os períodos comparados. Os juros sobre empréstimos, financiamentos e debêntures também cresceram.
Parte desse impacto foi atenuada por dois fatores. Um foi a capitalização de custos financeiros, regra que soma ao valor das obras em andamento os juros da dívida que as financia, em vez de lançá-los como despesa do período. Essa linha avançou 121,0% com o maior volume de investimentos. O outro foi o rendimento das aplicações financeiras, favorecido por um caixa médio 69,0% superior ao do ano anterior.
O capex do trimestre totalizou R$ 1,831 bilhão, alta de 13,2%, com os maiores desembolsos concentrados em RioSP, Pantanal, ViaSul e Paraná.
