Mover vende toda sua participação na Motiva (MOTV3), dona do VLT Carioca e da Linha 4 em SP, para o Bradesco BBI
O grupo Mover vende sua participação de 14,86% na Motiva, gigante de mobilidade com rodovias, metrôs e aeroportos, num acordo avaliado em cerca de R$ 4,4 bilhões

O grupo Mover, em recuperação judicial, decidiu vender toda a sua participação na Motiva (MOTV3) para o Bradesco BBI. O acordo envolve a participação de 14,86% do grupo Mover na Motiva, com aproximadamente 300,15 milhões de ações, e o valor não foi divulgado.
As ações da Motiva encerraram o dia cotadas a R$ 14,69, o que confere um valor de cerca de R$ 4,4 bilhões ao acordo, segundo cálculos da Reuters. O negócio ainda precisa de aprovação de autoridades governamentais e cumprimento de outras condições precedentes, afirmou a Mover na carta à Motiva.
A transação foi informada pela própria Motiva, em fato relevante divulgado ontem (28), contendo a carta das acionistas do grupo Mover, acionistas Sucea Participações e Sincro Participações.
Soares Penido, Itaúsa e Votorantim também são acionistas, e 49,61% dos papéis estão no novo mercado.
A Motiva é uma empresa de transporte e mobilidade com atuação em 13 estados do país, com 37 ativos entre concessões de rodovias, trens, metrôs e aeroportos.
São mais de 5 mil quilômetros de rodovias administradas, 3 milhões de passageiros transportados diariamente por metrôs, trens e VLT, e 20 aeroportos no Brasil e na América Latina.
São dela as rodovias da CCR RioSP, como a Dutra e a Rio Santos, os aeroportos internacionais de Goiânia, Belo Horizonte, e São Luis, além da CCR Metrô Bahia, a ViaMobilidade para as linhas 5, 8 e 9, em São Paulo, além da Linha 4 Amarela e do VLT Carioca.
Ela divulga os seus resultados hoje (29) depois do fechamento do mercado.
A recuperação do Grupo Mover
Antigo grupo Camargo Corrêa, o grupo Mover e sua subsidiária Intercement entraram em recuperação judicial em dezembro de 2024. A dívida com credores externos, na ocasião, era de R$ 14,2 bilhões.
O grupo tem companhias em diversos segmentos, como cimento (InterCement), engenharia e construção (Camargo Corrêa Infra), incorporação imobiliária (CCDI e HM), outsourcing (Vexia), além da atuação em transporte e mobilidade urbana com a antiga CCR, hoje Motiva, que acaba de ser vendida.
Em janeiro de 2025, a Justiça bloqueou a cobrança e execução do Bradesco BBI de uma dívida com a então CCR, já que a empresa estava protegida pelo "stay period" para negociar com seus credores. As ações da empresa de mobilidade estavam como garantia dessas dívidas.
