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InvestMercadosACS
27/10/2026
6 min

Movida dobra o lucro no 3º tri com mais carros alugados e menos usados à venda

Locadora lucrou R$ 152 milhões no trimestre, com recorde no aluguel de carros

Movida dobra o lucro no 3º tri com mais carros alugados e menos usados à venda
  • Lucro da Movida de R$ 152 milhões no 3º trimestre, alta de 117% e o maior em quatro anos
  • Receita do aluguel cresce 19,3%, enquanto a venda de seminovos recua 16,2%
  • Alavancagem cai a 2,56 vezes, o menor nível em seis anos

A Movida (MOVI3) lucrou R$ 152 milhões no terceiro trimestre de 2026, mais que o dobro dos R$ 70 milhões registrados um ano antes. É o maior lucro trimestral da locadora em quatro anos e confirma a prévia divulgada em 13 de outubro e supera o teto da projeção da própria companhia.

De janeiro a setembro, o lucro soma R$ 412 milhões, alta de 90,8%, e já passa dos R$ 318 milhões de todo o ano de 2025, quando a empresa encerrou o exercício com alta de 64% no lucro do quarto trimestre.

Mais diárias, e mais caras

Entre julho e setembro, a Movida vendeu 7,4 milhões de diárias, 22% mais que no mesmo período de 2025, e cobrou mais por elas. O valor médio subiu 5%, para R$ 167. A taxa de ocupação dos carros disponíveis para locação foi a 77,7%, alta de 5,9 pontos percentuais, e a empresa afirma ter ganhado participação de mercado.

Em entrevista à EXAME, o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, afirmou que a continuidade no repasse de preço é "super relevante, dado o ambiente inflacionário que a gente vive".

Com mais volume e preço maior, a receita líquida do aluguel de carros (RAC, na sigla em inglês) cresceu 27,8%, para R$ 1,117 bilhão. A margem Ebitda do segmento, que mostra quanto da receita vira geração de caixa operacional, chegou a 69,8%, a maior da série histórica divulgada pela empresa, iniciada em 2017.

No aluguel de frotas para empresas (GTF), a receita líquida subiu 15%, para R$ 1,189 bilhão, com frota média apenas 4,5% maior. A diferença veio de preço. A receita mensal por carro aumentou 10,1%, e os contratos novos estão sendo fechados com rendimento de 3,7% ao mês sobre o valor do veículo, contra 3,2% da carteira em vigor. A margem do segmento atingiu o recorde de 79,2%, e o GTF respondeu por 53% do Ebitda da companhia no trimestre.

Segundo Moscatelli, a distância entre os contratos novos e a carteira tende a diminuir à medida que os antigos vencem. "Vai transparecer nos resultados nos próximos trimestres", afirmou.

Por que a receita total quase não saiu do lugar

Somadas, as duas frentes de locação faturaram R$ 2,399 bilhões, recorde e alta de 19,3%. A receita líquida total, porém, avançou só 2,8%, para R$ 3,870 bilhões. A explicação está na venda de seminovos, os carros que deixam a frota de aluguel e são revendidos. Essa receita caiu 16,2%, para R$ 1,471 bilhão, com 20.051 carros vendidos, 18,1% menos que um ano antes.

Segundo a empresa, a queda foi planejada. Com a demanda aquecida na alta temporada, a Movida manteve mais carros alugando em vez de colocá-los à venda e acelerou a desmobilização a partir de agosto. As vendas do terceiro trimestre superaram as do segundo, de 19.414 unidades, e a idade média da frota de aluguel recuou de 12,6 para 12 meses.

"Onde a gente aloca mais capital, a gente está gerando mais retorno. Então a gente deixa os carros um pouco mais de tempo alugados e, depois que passa o período de sazonalidade, acelera a desmobilização e a venda", explicou o CEO. Segundo ele, a manobra só foi possível porque o tamanho da frota está praticamente estável há quase três anos, o que dá à empresa uma flexibilidade que ela não tinha antes.

O negócio de seminovos segue com margem estreita. O preço médio de venda subiu 2,5%, para R$ 75.281, e a margem bruta passou de 4,9% para 5,8%. Já a margem Ebitda do segmento ficou em 1,1%, praticamente o mesmo patamar desde o início de 2025. De acordo com Moscatelli, vender mais no varejo do que no atacado, e com financiamento, "faz com que você consiga manter a margem do segmento de seminovos mesmo tendo alguma elevação na depreciação do veículo".

Lucro operacional cresce mais rápido que a frota

O Ebitda consolidado somou R$ 1,795 bilhão, alta de 21,4%. A margem da locação foi a 74,2%, recorde, 1,6 ponto percentual acima do terceiro trimestre de 2025. O lucro antes de juros e impostos (Ebit), que já desconta a depreciação dos carros, subiu 27,2%, para R$ 1,086 bilhão, enquanto a frota operacional média cresceu 10%, para 249 mil veículos.

O retorno sobre o capital investido (ROIC) nos últimos 12 meses chegou a 16,6%, 2,2 pontos percentuais acima de um ano antes. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi a 14,7%, contra 11,7% em 2025.

Dívida maior, alavancagem menor

A dívida líquida terminou setembro em R$ 17,5 bilhões, 13,3% acima de um ano antes, acompanhando a expansão da frota total, que chegou a 294 mil carros, alta de 13%. Como a geração de caixa cresceu em ritmo mais forte, a relação entre dívida líquida e Ebitda caiu de 2,74 para 2,56 vezes, o menor nível em seis anos e distante do limite de 3,5 vezes acertado com credores. Com o Ebitda do trimestre anualizado, o indicador fica em 2,34 vezes.

"É uma alavancagem muito inferior aos patamares históricos, com um perfil de dívida também muito diferente", disse o CEO.

A companhia tinha R$ 3,5 bilhões em caixa, valor suficiente para cobrir os vencimentos de 2026 (R$ 919 milhões) e de 2027 (R$ 2,571 bilhões). O custo médio da dívida é de CDI mais 1,8% ao ano, com prazo médio de 4,2 anos. Em outubro, a Movida anunciou um financiamento de até R$ 1,5 bilhão com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com prazo de até oito anos e dois de carência, a ser liquidado entre o quarto trimestre de 2026 e o primeiro de 2027.

Os juros seguem como o grande filtro entre a operação e o acionista. Do lucro operacional de R$ 1,086 bilhão, sobraram R$ 152 milhões depois das despesas financeiras e dos impostos, num período em que a Selic média dos últimos 12 meses foi de 14,6%. Ainda assim, a margem líquida dobrou, de 1,9% para 3,9% da receita. Ou seja, para cada R$ 100 de receita, a Movida transformou R$ 3,90 em lucro, contra R$ 1,90 um ano antes.

Para Moscatelli, a empresa mantém em andamento iniciativas para elevar a ocupação, atrair clientes e cortar custos, como a abertura de oficinas próprias para a manutenção da frota. "É daí que eu acredito que vão vir resultados ainda melhores do que esse que a gente está divulgando neste trimestre", afirmou.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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