MRVCo (MRVE3): Os sinais mistos da prévia do 2T26, segundo analistas

O Bradesco BBI avaliou como “ligeiramente positivos” os números da prévia do segundo trimestre de 2026 (2T26) da MRV&Co(MRVE3), conglomerado que reúne as marcas MRV, Resia, Urba e Luggo. Os dados foram divulgados na véspera (9).
Em relatório, o banco destacou principalmente a retomada da geração de caixa operacional, que alcançou R$ 19,6 milhões na frente de incorporação — um dos principais pontos de atenção da tese de investimento da companhia nos últimos anos.
Considerando a venda de recebíveis, a geração de caixa da MRV Incorporação chegou a R$ 121 milhões entre abril e junho, contra a queima de R$ 55,1 milhões registrada no mesmo período do ano anterior.
Segundo o BBI, a evolução dos negócios no Brasil reforça que a construtora segue avançando gradualmente em sua disciplina operacional e financeira.
Conforme a prévia, as vendas líquidas da divisão de incorporação somaram R$ 2,75 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,4% na comparação anual.
Em relação aos lançamentos, as unidades totalizaram valor geral de vendas (VGV) de R$ 2,95 bilhões, queda de 14,4%.
Resia segue como principal desafio
Por outro lado, o BBI destacou que a Resia, subsidiária da MRV&Co nosEstados Unidos (EUA), continua sendo o principal fator de incerteza para a tese de investimento.
De acordo com o banco, o processo de venda de ativos e um eventual encerramento das operações ainda podem gerar volatilidade nos resultados e limitar a visibilidade dos resultados no curto prazo.
A prévia mostrou que a operação norte-americana apresentou geração de caixa de US$ 5,2 milhões entre abril e junho, queda de 87,1% na comparação anual.
No trimestre, cabe lembrar, a companhia assinou a venda dos empreendimentos legados Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos localizados no Texas, pelo valor de US$ 139 milhões (R$ 716 milhões).
“Apesar desses riscos [da Resia], a melhora gradual dos indicadores operacionais e financeiros sugere que a trajetória da empresa segue evoluindo na direção correta, enquanto o valuation das ações permanece bastante descontado frente ao seu valor patrimonial”, avaliou o BBI.
O que diz o Safra
O Safra, por sua vez, afirmou que os resultados operacionais da MRV&Co ficaram “aquém das estimativas”. Segundo o banco, embora o 2T26 tenha apresentado melhora sequencial nas vendas líquidas do segmento principal, os números ficaram 6% abaixo da expectativa.
No caso da geração de caixa, de R$ 19,6 milhões, o valor também ficou inferior à projeção da casa, de R$ 131 milhões.
Por outro lado, o Safra destacou que Resia alugou 149 novas unidades entre abril e junho, o que levou a uma taxa de ocupação melhorada de 80% em seus dois empreendimentos restantes, ante 63% no primeiro trimestre de 2026.
“A MRV&Co apresentou resultados operacionais fracos, com a geração de caixa recorrente mostrando apenas uma tímida melhora sequencial, apesar da menor diferença entre o volume de transferências e as unidades construídas (1.100 unidades contra 1.500 unidades no 1T26)”, disse o banco.
“Esperamos que sua maior alavancagem continue sendo um fator crítico no curto prazo, enquanto o ambiente de custos mais elevados pode afetar a recuperação da margem bruta”, prosseguiu.
“Também temos uma visão mais cautelosa sobre as vendas futuras de recebíveis, visto que o aumento do endividamento do consumidor, combinado com a redução da renda disponível devido ao aumento das deduções de empréstimos consignados, pode pressionar os níveis de inadimplência pró-soluto.”
O Safra mantém recomendação neutra para MRVE3.
O que diz o JP Morgan
Já o JP Morgan ponderou que, no geral, a MRV&Co teve um 2T26 “misto”, pois, apesar de lançamentos e pré-vendas praticamente em linha com o esperado, a diferença entre unidades produzidas e repassadas permaneceu elevada, em 1,1 mil unidades, contra 1,5 mil no 1T26.
Além disso, o banco norte-americano apontou que, ao ajustar a geração de caixa do segmento principal pela venda de recebíveis, o resultado foi de R$ 20 milhões, praticamente estável em relação aos R$ 22 milhões registrados no primeiro trimestre, limitando uma leitura mais positiva dos números diante da recente fraqueza das ações, que caíram 8% no último mês.
Ainda assim, a casa disse esperar uma reação neutra do mercado, já que os dados operacionais ficaram próximos das projeções internas.
“Vemos MRVE3 sendo negociada a um múltiplo P/L estimado de 3,8 vezes para 2027, contra 6,8 vezes da Cury, 6,2 vezes da Direcional e 5 vezes da Tenda”, afirmou o JP Morgan, que também mantém recomendação neutra para o papel.
