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25/07/2026
4 min

Mudança global na alimentação pode reduzir emissões agrícolas em até 85%, diz estudo

Mudança global na alimentação pode reduzir emissões agrícolas em até 85%, diz estudo

Adotar uma dieta mais saudável em escala global pode reduzir em até 85% as emissões de carbono geradas pelas mudanças no uso da terra na agricultura até 2050, segundo um estudo publicado na revista Nature. Além dos benefícios para o clima, a transição também mudaria profundamente a forma como os alimentos são produzidos, com menos criação de gado e maior cultivo de frutas, verduras, nozes e leguminosas.

As conclusões são dos cientistas da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), da Universidade Cornell e de outras instituições. Para os resultados, os pesquisadores utilizaram modelos para simular como seria o sistema alimentar global caso a população adotasse uma alimentação baseada nas recomendações da Comissão EAT-Lancet.

A mudança exigiria transformações importantes naagricultura e na economia, mas também poderia gerar benefícios relevantes para a saúde humana e para o meio ambiente.

Menos pecuária e mais alimentos de origem vegetal

Os modelos indicam que a maior redução ocorreria na criação de animais ruminantes, como bovinos, ovinos e caprinos. Até 2050, o valor global desse setor poderia cair 70%, o equivalente a US$ 274 bilhões, com cerca de 400 milhões de ruminantes a menos em comparação com 2020.

Ao mesmo tempo, a produção de alimentos de origem vegetal seguiria o caminho oposto. O valor global da produção de frutas, verduras, nozes e leguminosas poderia aumentar 57%, representando um crescimento estimado em US$ 890 bilhões.

Segundo os pesquisadores, alimentos como feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico tendem a exigir menos recursos naturais para serem produzidos e oferecem importantes fontes de proteínas e fibras.

Mudança na alimentação reduziria emissões e uso da terra

Além da redução da pecuária, o estudo aponta que uma alimentação mais saudável poderia diminuir a necessidade de expandir áreas agrícolas. Os modelos estimam que o uso global de terras destinadas à agricultura seria 6% menor do que o previsto pelas tendências atuais.

Essa redução teria impacto direto nas emissões associadas às mudanças no uso da terra, comodesmatamento, conversão de pastagens e drenagem de áreas úmidas para atividades agrícolas.

Segundo os pesquisadores, as emissões líquidas de dióxido de carbono provenientes dessas mudanças poderiam ficar 85% abaixo dos níveis registrados em 2020.

Benefícios vão além do meio ambiente

Os autores destacam que a transformação do sistema alimentar também pode trazer ganhos para a saúde pública. Eles citam estimativas anteriores da Comissão EAT-Lancet indicando que a adoção global de dietas saudáveispoderia evitar até 15 milhões de mortes prematuras por ano.

Além disso, pesquisas anteriores sugerem que o sistema alimentar atual gera entre US$ 10 trilhões e US$ 20 trilhões anuais em custos indiretos relacionados a problemas de saúde, impactos ambientais e perda de produtividade. Segundo os pesquisadores, grande parte desses custos está associada ao consumo de dietas consideradas pouco saudáveis.

Transição teria impactos diferentes entre os países

Apesar dos benefícios projetados, os autores alertam que uma mudança dessa magnitude afetaria profundamente diferentes setores da agricultura. Nos Estados Unidos, por exemplo, o valor da produção pecuária poderia cair 73%, enquanto a produção agrícola aumentaria 20%.

Na Índia, o cenário seria diferente: a produção agrícola poderia crescer 65%, enquanto a pecuária teria uma redução estimada de apenas 8%. Já na Europa, a produção pecuária poderia encolher 66%, refletindo diferenças nas dietas, nos sistemas de produção e na disponibilidade de terras.

Transição para dietas saudáveis depende de vários fatores

No entanto, os pesquisadores ressaltam que os resultados representam um cenário hipotético, baseado na ideia de que as pessoas adotariam voluntariamente dietas mais saudáveis. Na prática, fatores como renda, preço dos alimentos, tradições culturais e disponibilidade de produtos podem dificultar essa transição.

Por isso, os autores afirmam que os modelos não representam uma previsão do futuro, mas uma ferramenta para ajudar governos a planejar políticas públicas capazes de tornar os sistemas alimentares mais sustentáveis, saudáveis e economicamente viáveis, ao mesmo tempo em que reduzem os impactos sobre agricultores e comunidades dependentes da pecuária.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
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