Mudança nos hábitos de consumo fazem Nestlé banir o uso de corantes artificiais em todos seus produtos

A Nestlé pretende se consolidar como a primeira grande empresa de alimentos a banir o uso de corantes artificiais de seus produtos. A expectativa é que a fabricante suíça elimine os corantes artificiais de todos os seus produtos até o fim de 2026.
A afirmação foi feita por Stefan Palzer, chefe do departamento de tecnologia da Nestlé, em entrevista exclusiva concedida à agência de notícias Reuters.
O movimento coincide com um momento de mudança nos hábitos de consumo e na tendência ao uso de medicamentos de perda de peso.
Nestlé bane corante
A medida da Nestlé não vem de uma decisão abrupta. A companhia já parou de recorrer a corantes artificiais nos produtos que circulam pelos Estados Unidos. De acordo com Stefan Palzer, a Nestlé já vem estudante a medida há anos.
“Nós tivemos que fazer muito trabalho de pesquisa e desenvolvimento, porque primeiro você precisa fazer uma triagem de todas as soluções naturais, testá-las durante e após a produção, e ainda testar sua vida útil na prateleira”, relatou Palzer a Reuters.
A decisão foi impulsionada por um movimento nos Estados Unidos que associava o consumo de corantes artificiais a transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), obesidade e diabetes.
A administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) decretou, em abril do ano passado, que a agência planeja banir o uso de corantes feitos à base de petróleo em produtos alimentícios consumidos no país.
Mais cedo no mesmo ano, o então presidente Joe Biden baniu o uso de corante vermelho 3 (também conhecido como eritosina), após estudos que ligavam os elementos químicos do corante com a manifestação de câncer em ratos machos. As empresas alimentícias, no entanto, têm até 2027 para eliminar o uso da substância.
O corante vermelho 3 já tinha seu uso banido anteriormente na União Europeia, Austrália e Nova Zelândia. A substância continua com uso permitido no Brasil.
Busca do consumidor por alimentos mais saudáveis
Em meio à popularização de medicamentos análogos ao GLP-1, como Monjauro e Ozempic, os hábitos do consumidor tem mudado — e a busca por alimentos mais naturais e saudáveis tem aumentado.
Atualmente, de acordo com a Euromonitor, quase metade dos brasileiros diz estar tentando emagrecer em 2026, e 5,5% já utilizam esse tipo de medicamento — percentual superior à média global, de 3,7%.
Na compra de mercado do brasileiro, no período de 2022 e 2025, a compra de açúcar caiu 14,2%, a de biscoitos diminuiu10,1% e massa instantânea recuou 16,6%, segundo dados da Scanntech.
Categorias de produtos consumidos no mundo fit como frutas in natura cresceram 33,9%, assim como ovos com um avanço de 24,3% e sardinha enlatada 19,6%.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi
