Muitas empresas cripto 'dormiram startups e acordaram bancos' por causa da regulação, diz ABToken
BC endureceu as regras para empresas do setor, assim como para as fintechs, em meio a preocupações com segurança

A diretora executiva da Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken), Regina Pedroso, afirmou que muitas empresas do setor de criptoativos sofreram tanta pressão da regulação que sentiram que se tornaram instituições financeiras.
“Muitas empresas dormiram startups e acordaram bancos no setor de criptoativos. Tem que analisar esse peso regulatório. Cripto é um mercado muito inovador”, disse Pedroso.O Banco Central publicou no final do ano passado a regulamentação do mercado de criptoativos do Brasil, estabelecendo que todas as empresas do setor precisam tirar licença junto ao próprio BC para continuarem operando como prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs).
Além disso, a autoridade monetária editou uma série de resoluções posteriormente, algo que aumentou muito o grau de exigência em supervisão de transações, prevenção à lavagem de dinheiro e requisitos de capital para as companhias.
“Algumas empresas do setor cripto não suportaram o ônus das obrigações e pararam suas atividades. Outros fizeram fusões & aquisições para sobreviver. No ecossistema cripto temos empresas de menor porte, mas essenciais. Provedores de liquidez, por exemplo”, argumentou a diretora da ABToken.Ao lado dela, Eduarda Davidovic, diretora de inovação e tecnologia bancária na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), ponderou que o cliente precisa ter a mesma segurança em uma instituição maior e em uma fintech, sem portas de entrada ao risco e à fraude. “Colocar uma área de compliance de pé é um custo, mas também é quase parte do caso de negócio”, diz.
Por outro lado, Davidovic disse que a proporcionalidade tem que ser o norte nessa regulação para que não coíba a inovação.
Combate à fraude
Ao lado delas, Sergio Costantini, presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), defendeu que as associações precisam cooperar para enfrentar fraudes, criminalidade e ilícitos, que são a grande preocupação do BC na regulação mais dura de empresas cripto e fintechs que vem desde o ano passado.
“Nós competimos em produto, mas em relação à fraude temos que cooperar, pois o fraudador não ataca uma empresa só. Estamos discutindo um padrão de fraude que pode se alastrar pelo mercado inteiro”, disse.
Para Euricion Murari, diretor de inovação e serviços da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), as associações fazem esse papel, buscando um consenso que pode ser considerado um início de autorregulação.
Os executivos falaram durante painel na Febraban Tech 2026.
