Muito além do tênis, por que Wimbledon é também uma passarela de moda?

Wimbledon é um dos poucos eventos esportivos capazes de reunir, em um mesmo espaço, atletas de elite, integrantes da realeza britânica, celebridades de Hollywood, editores de moda e executivos das maiores grifes do mundo. O Grand Slam, realizado entre 22 de junho e 12 de julho, em Londres, é o torneio de tênis mais antigo do mundo e também uma verdadeira passarela.
Disputado desde 1877 e organizado pelo All England Lawn Tennis Club, o campeonato britânico preserva tradições que fazem parte de sua identidade. Entre elas estão o rigoroso dress code branco para os atletas e os clássicos morangos com creme servidos ao público. A presença constante da família real, quase sempre vestindo produções smart casual, completa a atmosfera característica do torneio.
Todos os anos, durante o verão europeu, o torneio se consolida como um termômetro das tendências que devem dominar os meses seguintes. Linho, vestidos midi, alfaiataria, mocassins, sapatilhas, óculos retrô e bolsas estruturadas aparecem em massa nas arquibancadas e, pouco tempo depois, começam a ocupar vitrines.
Não por acaso, tendências como tenniscore, preppy e o chamado quiet luxury cresceram tão rapidamente.
Um palco estratégico para as grandes maisons
Ao contrário de esportes de massa, como futebol ou basquete, por exemplo, o tênis historicamente está associado a sofisticação, tradição e alto poder aquisitivo. Isso faz com que os torneios, especialmente Wimbledon, funcionem como um ambiente "natural" para marcas de luxo.
A Ralph Lauren, por exemplo, ocupa um papel central nessa relação. Até 2024, a marca assinava os uniformes de arbitragem e das equipes de apoio do torneio. Já a Rolex, é patrocinadora oficial desde 1978. A marca é a cronometrista do torneio e tem como embaixadores os tenistas Roger Federer, Jannik Sinner e Coco Gauff.
Enquanto isso, a casa italiana Loro Piana veste frequentemente convidados VIP durante o campeonato. A Louis Vuitton, por sua vez, mantém presença constante por meio de seus embaixadores e das aparições de celebridades. Já marcas como Gucci, Prada, Dior, Miu Miu e Burberry costumam dominar os registros de street style publicados durante o torneio.
O efeito Wimbledon
A cada edição de Wimbledon, cresce o interesse pelo chamado tenniscore. A estética inspirada no universo do tênis ganhou força após a pandemia e recebeu um novo impulso com o lançamento de Challengers, filme estrelado por Zendaya.
Segundo a plataforma de inteligência WeArisma, as marcas de moda movimentaram cerca de US$ 29,7 milhões em Earned Media Value durante a edição de 2025, impulsionadas por aparições de celebridades, ativações e conteúdos publicados nas redes.
Passeando pelas principais lojas de departamento, inclusive, é possível perceber que há um aumento expressivo no interesse por saias plissadas, polos, vestidos esportivos, cardigãs e tênis inspirados no universo do tênis ao longo dos últimos anos.
Mais que um dress code, regras
Todos os tenistas devem usar branco. O rigoroso dress code, que remonta à era vitoriana, nasceu da crença de que a cor disfarçava melhor as marcas de suor e transmitia elegância. Quase 150 anos depois, a regra continua sendo uma das principais marcas de Wimbledon e contribui para a identidade visual do torneio.
Desde 2014, aliás, as regras ficaram ainda mais restritas: os detalhes coloridos não podem ultrapassar um centímetro de largura. A exigência se estende a praticamente todo o uniforme, incluindo camisetas, shorts, saias, vestidos, bonés, munhequeiras, meias e até partes visíveis da roupa íntima.
Os atletas e o estilo
Embora o rígido dress code limite as possibilidades criativas dentro da quadra, muitos tenistas encontraram maneiras de se expressar. Nesta edição, por exemplo, Naomi Osaka voltou a fazer sua entrada em quadra em um momento de moda.
A tenista japonesa surgiu usando um kimono branco criado pela designer Hana Yagi. A peça, aliás, foi confeccionada com tecidos reaproveitados de quimonos vintage e de um tradicional vestido de noiva shiromuku, em homenagem às suas raízes. Sob o quimono, Osaka vestiu um uniforme desenvolvido pela Nike e inspirado na arte japonesa do kirigami.
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Ela, porém, não está sozinha. Nos últimos anos, Serena Williams, Coco Gauff, Jannik Sinner e Emma Raducanu passaram a dividir espaço nas páginas de moda pelo mesmo motivo. Fora delas, editoriais, campanhas de luxo e contratos milionários transformaram os atletas em importantes embaixadores da indústria fashion.
"Os jogadores encontram uma forma de se expressar. Mesmo que seja através das roupas brancas de Wimbledon", disse Malin Lundin, curadora sênior do Lawn Tennis Museum de Wimbledon, ao ABC News durante o torneio de 2019.
Arquibancada fashion
Se dentro da quadra predomina o branco, fora dela, o campeonato incentiva a arquibancada vestir roupas smart casual.
A Royal Box, por exemplo, o camarote mais prestigiado do torneio, costuma reunir nomes como Cate Blanchett, Zendaya, Sienna Miller, David Beckham, Keira Knightley, Tom Holland e integrantes da família real britânica. Os registros desses convidados circulam pelo mundo poucos minutos depois de chegarem ao complexo esportivo.
