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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
26/08/2026
4 min

'Muitos empregos vão desaparecer': os 3 maiores riscos da era da IA, segundo Bill Gates

Em ensaio de quase 12 páginas, cofundador da Microsoft lista três riscos que considera subestimados por líderes mundiais e propõe empregos reservados a humanos e taxação de tokens de IA

'Muitos empregos vão desaparecer': os 3 maiores riscos da era da IA, segundo Bill Gates

Para Bill Gates, a "era turbulenta" da inteligência artificial (IA) já chegou, e o mundo ainda não tem um plano para atravessá-la.

Em ensaio de quase 12 páginas publicado nesta quarta-feira, 26, em seu site pessoal, o Gatesnotes, intitulado "A turbulent AI era and critical choices to make" ("Uma era turbulenta de IA e escolhas críticas a fazer", em tradução livre), o cofundador da Microsoft detalha três riscos que, segundo ele, líderes mundiais ainda não estão preparados para enfrentar: o desaparecimento definitivo de empregos, o fortalecimento de criminosos e o comprometimento do desenvolvimento infantil.

Gates também defende medidas concretas, como a criação de empregos reservados exclusivamente a humanos e a taxação do uso de tokens de IA pelas empresas, além de pedir que governos construam novas instituições antes que a confiança pública na tecnologia se esgote.

Risco 1: empregos vão desaparecer para sempre, começando pelos mais jovens

Segundo Gates, "muitos empregos vão desaparecer para sempre" — uma preocupação que ele considera particularmente grave para jovens, à medida que vagas de nível iniciante se tornam cada vez mais raras.

Para ele, o impacto deve começar em cargos administrativos, como atendimento ao cliente, engenharia de software e trabalho paralegal, que devem ser os primeiros a desaparecer, enquanto os setores de construção civil e hotelaria devem passar por uma transição significativa para robôs até o fim da década.

Como contrapartida, Gates propõe a criação de categorias de emprego formalmente "reservadas a humanos", protegidas da automação por política pública.

Risco 2: criminosos ganham poder de fogo nunca antes disponível

O segundo risco listado por Gates é o empoderamento de criminosos por meio de fraude, desinformação, deepfakes e vigilância viabilizados por IA.

Segundo ele, a tecnologia elimina a barreira técnica que antes limitava esse tipo de ataque: "mesmo criminosos com habilidades muito limitadas serão capazes de atingir vítimas em qualquer escala: indivíduos, empresas e governos", escreve.

Risco 3: crianças crescendo sem serem desafiadas por companheiros de IA

O terceiro risco é o mais delicado do ensaio. Gates alerta que o desenvolvimento infantil pode ficar "atrofiado" pelo uso de companheiros de IA que nunca colocam a criança para fora de sua zona de conforto — ou seja, sistemas desenhados para agradar e validar, em vez de desafiar e formar.

O ponto conecta-se à preocupação mais ampla do ensaio, de que a tecnologia molde comportamento humano de formas ainda pouco compreendidas por pais, educadores e reguladores.

"O maior equalizador já inventado, ou a pior fonte de injustiça"

"A IA será ou o maior equalizador já inventado, ou a pior fonte de injustiça", escreve Gates, resumindo o dilema central do texto.

Para ele, garantir que a tecnologia funcione como força do bem deveria ser tratado como prioridade máxima pelo mundo.

"O desafio é monumental", afirma. Segundo Gates, uma das saídas propostas é que empresas que utilizam intensamente tokens de IA em suas operações passem a ser taxadas por isso, como forma de financiar a transição e redistribuir parte dos ganhos de produtividade da tecnologia.

Um chamado por novas instituições, antes que seja tarde

Gates encerra o ensaio com um chamado direto à ação: governos precisam construir novas instituições e marcos regulatórios, tanto em nível nacional quanto global, para administrar a transição para a era da IA — "antes que o desemprego suba de forma acentuada, comunidades sejam prejudicadas e a confiança pública se corroa", escreve.

"Eu raramente paro de pensar em IA — não porque eu tenha todas as respostas, mas porque as perguntas que ela levanta são consequentes demais para deixar nas mãos de um pequeno grupo de tecnólogos. Líderes da academia, dos negócios, do governo e da sociedade civil têm todos um papel a cumprir na construção do que vem a seguir", diz.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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