Musculação em 36 minutos: como a Gaviões entrou no jogo das academias compactas com o lançamento da Fast Treino

A Academia Gaviões já se tornou uma “queridinha” entre os marombeiros que gostam de treinar de madrugada. Pioneira no modelo de operação 24 horas e com mais de cinco décadas de atuação, a rede soma 100 unidades espalhadas pelo estado de São Paulo, com cerca de 380 mil alunos. No entanto, a empresa até então focada na musculação tradicional agora quer expandir a atuação com academias compactas e treinos rápidos.
Para atingir esse objetivo, a Gaviões chegou à Fast Treino: uma nova rede do grupo focada em circuitos de alta intensidade, que funciona em 12 etapas e possibilita treinos de até 36 minutos.
Em um mercado de concorrência forte, com nomes como Smart Fit (SMFT3), SkyFit, Panobianco e BlueFit, o fundador e CEO da Fast Treino, Leandro Aguiar, explica que a rede de academias compacta é uma forma de atingir um novo público.
“Mais de 90% da população brasileira não frequenta academia. O setor fitness inteiro disputa praticamente a mesma parcela de pessoas que já treinam, enquanto existe uma enorme demanda reprimida de quem quer se exercitar, mas não consegue manter constância no modelo tradicional”, explicou ao Seu Dinheiro.
A primeira unidade da Fast Treino já está em operação. Inaugurada no final de abril em Alphaville, na cidade de Barueri, região metropolitana de São Paulo, a academia tem funcionado gratuitamente para testes e para que o público conheça a operação.
Em pouco mais de um mês, Aguiar afirma que a nova rede já atende cerca de 600 alunos e deve encerrar o ano com 30 unidades, além de um faturamento de R$ 18 milhões em 2026.
A empresa familiar que bate de frente com gigantes do setor fitness
A Academia Gaviões como é conhecida hoje teve origem em um estúdio de luta. O fundador, Leonildo Aguiar – pai do CEO da Fast Treino – chegou em São Paulo em 1974 e passou a dar aulas de karatê em uma garagem na Zona Norte da cidade. Na época, a academia era conhecida como Gaviões do Karatê.
A esposa, Roseli Aguiar, também passou a fazer parte da academia, dando aulas de dança e alongamento, o que também atraiu o público feminino para a até então Gaviões do Karatê. Foi só em 1979 que o negócio se tornou oficialmente um centro de treinamento físico.
Com cinco anos de funcionamento, a empresa tinha três aparelhos de exercícios físicos e aulas de diferentes modalidades, mas ao longo do tempo foi se direcionando para a musculação tradicional, que era uma tendência no período.
O modelo 24 horas começou em 2001, quando a Gaviões decidiu oferecer um diferencial no mercado. Até então, a rede tinha somente duas unidades e permaneceu com uma operação enxuta por décadas, o que mudou graças a uma virada de chave mais recente.
“A operação 24 horas aumentou muito nossa visibilidade ao longo dos anos. Pouco antes da pandemia de coronavírus, também tomamos a decisão estratégica de nos tornar uma franqueadora e começaram a surgir os primeiros interessados no modelo”, afirmou Aguiar filho.
'Boom’ de Gaviões
Quem mora em São Paulo deve ter percebido um “boom” de unidades da Gaviões em diferentes localizações nos últimos anos. É até surpreendente a informação de que a rede está no mercado há mais cinco décadas.
Mas isso não é uma mera impressão: foi só em 2019 que a empresa entrou no modelo de franquias e passou a expandir aceleradamente. Em um período de sete anos, a quantidade de unidades da Gaviões saltou 20 vezes.
O filho do fundador da Gaviões e CEO da Fast Treino atribui o crescimento da rede low cost ao diferencial de operar 24 horas, ao oferecimento de aulas variadas além da musculação, e ao senso de comunidade que existe entre os alunos.
Agora que o grupo está mais consolidado no mercado, o plano é atingir a marca de mil unidades até 2030 e se posicionar cada vez mais como um player de peso na briga do mercado fitness.
Para efeito de comparação, esse é o mesmo número de academias que foi registrado pela Smart Fit no Brasil no 1º trimestre de 2026 – no total, a companhia de capital aberto tem 2,1 mil unidades espalhadas mundialmente.
Fast Treino como a nova peça no jogo das academias compactas
O brasileiro tem uma preocupação crescente com saúde e estética corporal – exemplificada pelo aumento expressivo de canetas emagrecedoras como Ozempic e Mounjaro, e pela quantidade de centros de atividades físicas, que triplicou no país em 10 anos, de acordo com o Panorama Setorial Fitness Brasil 2025.
Os estúdios para treinos mais curtos se tornaram uma grande aposta das empresas que precisam atrair pessoas com uma rotina puxada no trabalho.
A Smart Fit, por exemplo, é uma das empresas que vêm direcionando esforços para esse cenário e acelerou os investimentos no mercado de estúdios boutique, focados em modalidades específicas, experiência premium e mensalidades mais elevadas.
Para isso, a companhia criou uma vertical própria de marcas especializadas, reunindo redes voltadas a diferentes nichos de treino, como Race Bootcamp (corrida indoor e funcional), Vidya (hot yoga), Jab House (boxe), One Pilates (pilates), Tonus Gym (musculação) e Velocity (spinning). Mais recentemente, lançou a BEON Studios para unificar esses serviços em uma só plataforma.
Segundo Aguiar, isso mostra uma percepção que a própria Gaviões teve há um tempo: o modelo tradicional de academia, sozinho, não atende mais a maioria das pessoas. “O mercado está se movendo, e isso é ótimo para todos”, afirma.
Agora, a Fast Treino chega para ser a nova peça dentro do jogo, e atrair especialmente o público que tem a rotina corrida, mas quer encontrar tempo — mesmo que curto — para academia.
“A Fast Treino foi pensada para quem busca praticidade, eficiência e resultado em menos tempo. É um modelo voltado para pessoas com rotina intensa, que querem treinar sem depender de agendamento ou acompanhamento constante. O Grupo Gaviões consegue atender tanto o público que valoriza permanência e variedade quanto quem prioriza agilidade, tecnologia e otimização do tempo”, explica.
A academia funciona com um circuito de 12 etapas com exercícios do corpo todo, com musculação e cárdio, todos com aparelhos. As máquinas são semelhantes às da Gaviões tradicional, com esteiras, escadas, equipamentos para treinos superiores e inferiores.
O que muda em relação à rede convencional é, principalmente, o tamanho da academia. Enquanto a estrutura da Gaviões tem, em média, 1,5 mil metros quadrados, a Fast Treino tem entre 40 metros e 500 metros quadrados.
Outra característica da academia compacta é a digitalização. As unidades funcionam com somente um instrutor para dúvidas, mas a ideia é que os alunos tenham autonomia tanto no check-in quanto na execução do treino.
Praticamente tudo é resolvido online: o check-in é feito por aplicativo e as catracas digitais identificam e liberam a pessoa. Porém, diferentemente de outros estúdios fitness que trabalham com uma operação enxuta, Aguiar diz que não possui agendamento. “A cada três minutos, uma nova pessoa consegue entrar no circuito”.
Durante o treino, o percurso de 12 etapas é guiado com setas, o tempo de exercício e descanso é cronometrado e o passo a passo do exercício é mostrado por telas.
A depender do tamanho da academia, existem mais aparelhos em cada estação e, consequentemente, mais alunos podem acessar a rede ao mesmo tempo.
“Existem outras operações internacionais famosas, como F45 Training e Orangetheory Fitness, mas o funcionamento é diferente. Essas operam com aulas fechadas, horários agendados e condução coletiva por instrutor. A Fast Treino segue outro caminho, com mais autonomia e liberdade para o aluno”, defende o CEO.
Custos menores para o empreendedor
Além de atender a demanda de brasileiros que gostariam de se exercitar, mas têm rotina corrida, Aguiar diz que a Fast Treino foi pensada para resolver outro gargalo: os custos da operação de uma academia.
Devido ao modelo digital, há uma redução dos gastos com folha de pagamento. Em uma academia tradicional, é preciso ter mais instrutores, pessoas para a limpeza, segurança e recepção.
Já a expectativa da Fast Treino é de que uma estrutura com cinco a 10 funcionários distribuídos em diferentes turnos seja suficiente.
“Isso representa uma redução de 80% na folha operacional. O modelo também trabalha com equipamentos fixos, operação padronizada e tem menor complexidade de gestão, tornando o negócio mais previsível”, afirma o fundador.
A operação da Fast Treino por enquanto e os próximos passos
A primeira Fast Treino já está em operação em Alphaville e tem funcionado como uma forma de divulgação do modelo.
Aguiar explica que, por enquanto, a academia está gratuita para os alunos que quiserem testar a operação. Nesse período de pouco mais de um mês, 600 pessoas já treinaram na academia.
A expectativa é que, quando a rede começar para valer, um acesso avulso custe cerca de R$ 39 e as mensalidades sejam R$ 99.
O fundador diz que a empresa está em fase de fechar contrato com parceiros de benefícios corporativos, como Wellhub – antigo Gympass – e Totalpass, e só deve começar a cobrança para os alunos após a abertura da segunda unidade da rede, prevista para agosto, na famosa Avenida Paulista, em São Paulo.
Além disso, o objetivo da academia é expandir por meio de franquias. A meta é chegar ao fim de 2026 com 30 unidades da Fast Treino em operação, que podem funcionar no modelo 24 horas já conhecido no grupo Gaviões ou horário comercial.
Para atingir o plano de abertura de academias neste ano, o grupo tem investido na divulgação online, em feiras do setor e influenciadores digitais fitness.
“Cada unidade tem um tempo de maturação de seis meses. Devemos fechar 2026 com faturamento de R$ 18 milhões por conta das aberturas graduais, mas entramos em 2027 com a capacidade instalada de faturar R$ 57 milhões”, diz Aguiar.
Em relação aos números para a abertura de uma franquia, a Fast Treino estabeleceu cinco modelos. São o Container, Mini fast, Compacto, Standard e Max. Confira os valores:
Container
- Investimento inicial: R$ 485 mil
- Tamanho da unidade: 40 metros quadrados
- Estimativa de pessoas por mês: 14,4 mil
- Quantidade de aparelhos por exercício: 1 por estação
- Receita estimada por mês: R$ 286.560
Mini fast
- Investimento inicial: R$ 670 mil
- Tamanho da unidade: 100 metros quadrados
- Estimativa de pessoas por mês: 14,4 mil
- Quantidade de aparelhos por exercício: 1 por estação
- Receita estimada por mês: R$ 286.560
Compacto
- Investimento inicial: R$ 1,135 milhão
- Tamanho da unidade: 300 metros quadrados
- Estimativa de pessoas por mês: 28,8 mil
- Quantidade de aparelhos por exercício: 2 por estação
- Receita estimada por mês: R$ 573.120
Standard
- Investimento inicial: R$ 1,765 milhão
- Tamanho da unidade: 400 metros quadrados
- Estimativa de pessoas por mês: 57,6 mil
- Quantidade de aparelhos por exercício: 4 por estação
- Receita estimada por mês: R$ 1.146.240
Max
- Investimento inicial: R$ 2,395 milhões
- Tamanho da unidade: 500 metros quadrados
- Estimativa de pessoas por mês: 86,4 mil
- Quantidade de aparelhos por exercício: 6 por estação
- Receita estimada por mês: R$ 1.719.360
A empresa também destaca que o tempo médio de retorno é acelerado devido à operação. A expectativa é de um payback entre quatro e oito meses para unidades que operarem 30 dias por mês com 100% da ocupação.
Apenas a título de comparação, uma academia Gaviões tradicional demanda um investimento inicial a partir de R$ 2,8 milhões, área mínima de 750 metros quadrados e tempo médio de retorno entre 18 e 28 meses.
