Na Augusta, Paladin compra imóveis de Vitrine, Taturana e sacolão numa só tacada
Após encontrar terreno único na Augusta, gestora aposta em novos projetos na rua e prepara torre de apartamentos compactos

A rotina de empreendimentos tradicionais da Rua Augusta, em São Paulo, mudou depois de uma movimentação imobiliária que reuniu quatro imóveis em uma única negociação. A Paladin Realty Partners, em parceria com a Kallas e Hedge, prospectou o terreno de 1.280 metros quadrados onde funcionam a casa noturna Vitrine, a hamburgueria Taturana, um sacolão e uma oficina mecânica, em uma operação que pode abrir espaço para um novo empreendimento imobiliário na região.
Paulo Cunha, sócio do Vitrine e do Taturana, conta que os primeiros sinais apareceram meses antes, quando começaram a surgir movimentações de corretores interessados na área.
“Soubemos da especulação imobiliária uns seis meses antes. Surgiram alguns comentários de corretores pedindo licença para olhar o imóvel. A imobiliária já não queria fazer contratos longos de aluguel há um tempo, e então recebemos um e-mail nos dando a preferência pelo imóvel por um valor de R$ 26 milhões”, afirma.
Além dos estabelecimentos onde Cunha atua como sócio, a área inclui o sacolão e uma mecânica. Após a negociação, os atuais ocupantes receberam um prazo de seis meses para encontrar novos endereços. O prazo começou a contar em abril e os negócios correm para reorganizar suas operações até novembro.
O Taturana já encontrou novo endereço: a hamburgueria vai para a Rua Antônio Carlos, 268, também na região da Consolação, em um espaço um pouco maior que abrigará uma nova operação com proposta de steakhouse e hamburgueria. Já o Vitrine ainda não encontrou um novo ponto que atenda às necessidades de infraestrutura do restaurante.
Até então, os dois estabelecimentos funcionavam em imóveis alugados. Segundo o inquilino dos imóveis, o Vitrine pagava cerca de R$ 25 mil por mês, enquanto o Taturana tinha aluguel de aproximadamente R$ 13 mil mensais. Nos últimos anos os contratos passaram a ser mais curtos, com reajustes anuais, em vez de contratos longos de permanência.
O proprietário do sacolão, também inquilino do imóvel, não quis comentar a negociação, mas afirmou que vai se unir com o Frutaria da Terra, um outro sacolão que fica na Frei Caneca com a Peixoto Gomide.
O terreno foi prospectado pela Paladin e a compra não deve ser uma operação isolada da gestora. Segundo Ricardo Rinaldi, head de novos negócios da companhia, ela já possui outro imóvel na rua e continua buscando novas oportunidades na região.
A empresa avalia atualmente outros dois ou três terrenos na região, mantendo a estratégia de encontrar áreas que, apesar da localização privilegiada, ainda não estejam no radar das grandes disputas imobiliárias.
Quem encontrou o terreno
A parceria no empreendimento que nascerá no terreno é estruturada a partir da divisão entre a gestão do capital e a incorporação imobiliária. A Paladin e a Hedge atuam como gestoras de capital e fazem a cogestão do Fundo Hedge Paladin Desenvolvimento Residencial FII RL, responsável pela captação dos recursos e pelo aporte financeiro nos projetos. Enquanto isso, a Kallas entra como parceira de incorporação, responsável pelo desenvolvimento imobiliário do projeto.
No site da incorporadora, o empreendimento ainda aparece como um futuro lançamento. À EXAME, a Paladin explicou que a aquisição faz parte de uma estratégia mais ampla de buscar terrenos bem localizados em regiões consolidadas da cidade.
A compra foi feita por meio de uma prospecção ativa, modelo que faz parte da estratégia da gestora para encontrar oportunidades antes que elas cheguem ao mercado.
“Pelo menos 80% dos terrenos que eu comprei na minha carreira foram de prospecção ativa. O que eu quero dizer com isso? Eu gostei daqui, então tenho um corretor de confiança da casa que vai lá e bate na porta dele para ver se ele quer vender”, conta Rinaldi.
No caso da Augusta, apesar de o terreno reunir diferentes negócios, a propriedade pertencia a uma única família, dona de outros imóveis relevantes na própria rua.
“Mas isso é raro. Eu te diria que eu faço isso há 15 anos e acho que eu só encontrei terrenos que pertenciam a uma única pessoa umas três vezes", afirma. A negociação foi concluída integralmente em dinheiro.
Segundo o executivo, a Paladin chegou a avaliar uma estrutura com permuta, mas o acordo final seguiu outro formato. "A boa notícia é que a gente conseguiu fazer um bom negócio. Como a gente sempre brinca: capital é rei”, diz.
A aquisição faz parte de uma aposta maior da Paladin na Rua Augusta, região que a gestora considera estratégica pela proximidade com a Avenida Paulista e pela combinação entre turismo, cultura e circulação de pessoas.
Além da proximidade com a avenida, a gestora vê espaço para novos projetos porque a região ainda não passou por uma onda de lançamentos que criasse excesso de oferta.
O projeto em desenvolvimento pela parceria entre Paladin, Hedge e Kallas será uma torre única com cerca de 360 apartamentos compactos, distribuídos em um prédio de térreo mais 23 pavimentos.
As unidades terão metragens de 21, 24 m e 29 metros quadrados, com foco maior nos apartamentos menores, pensados principalmente para investidores interessados em locação. Ao todo são 8.000 mil metros quadrados de área privativa. Apesar do perfil voltado ao investimento, o produto também poderá atender compradores interessados em moradia.
A demolição das estruturas existentes está prevista para começar em 1º de novembro. O lançamento comercial deve ocorrer em março, com início das obras estimado para o segundo semestre do ano que vem.
