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19/08/2026
6 min

Na era das canetas emagrecedoras, 'Coca-Cola Zero cresce como startup', diz presidente

Luciana Batista, presidente da Coca-Cola Brasil, conta como a busca por menos açúcar e calorias está transformando o portfólio e dando um novo ‘gás’ de crescimento para a multinacional

Na era das canetas emagrecedoras, 'Coca-Cola Zero cresce como startup', diz presidente

Na era das famosas canetas emagrecedoras, a Coca-Cola Company inova para acompanhar um consumidor que busca cada vez mais opções com menos açúcar e calorias. Esse novo comportamento está transformando uma das categorias mais tradicionais da indústria de bebidas e abrindo uma avenida de crescimento para a multinacional no Brasil - e no mundo.

No segundo trimestre de 2026, enquanto o volume global de refrigerantes da companhia avançou 4%, a Coca-Cola Zero Sugar cresceu 16%, com expansão em todas as regiões onde a multinacional atua. No primeiro trimestre, a alta já havia sido de 13%.

No último ano não foi diferente. No acumulado de 2025, a Coca-Cola Zero Sugar cresceu 14% globalmente, também com avanço em todas as regiões.

No Brasil, a velocidade dessa transformação chama a atenção de Luciana Batista, presidente da Coca-Cola Brasil.

“A Coca-Cola Zero está tendo taxas de crescimento dignas de startups”, afirma Batista, em entrevista exclusiva ao “De Frente com CEO”, da EXAME.

A executiva não revelou o percentual de expansão da marca no país, mas colocou o desempenho da versão sem açúcar dentro de uma transformação mais ampla dos hábitos de consumo. Para ela, o desafio da companhia é acompanhar as mudanças no paladar e no estilo de vida dos consumidores.

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Canetas emagrecedoras mudam o consumidor?

A ascensão de medicamentos para perda de peso, como são chamadas as canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, adicionou uma nova variável a uma transformação que já estava em curso: consumidores mais atentos a açúcar, calorias, ingredientes e funcionalidade dos alimentos e bebidas.

Para a Coca-Cola, porém, a resposta não passa por apostar todas as fichas em uma única tendência.

“O que eu vejo, e que é muito importante, é a gente conseguir evoluir junto com o consumidor à medida que o paladar e o estilo de vida dele evolui”, afirma Batista.

Na prática, a estratégia é manter espaço tanto para a indulgência quanto para produtos adaptados aos novos hábitos de consumo. É justamente nesse segundo grupo que as versões sem açúcar ganham importância.

Linha zero + Copa do Mundo: combinação que deu um 'gás no negócio'

O desempenho ocorre enquanto a própria companhia amplia produtos destinados a consumidores que procuram combinações como zero açúcar e funcionalidade.

Nos resultados do segundo trimestre, a Coca-Cola afirmou em balanço que suas inovações contribuíram para o crescimento de 5% do volume global vendido no período. Entre as apostas citadas pela companhia estão Coca-Cola Zero Zero (zero açúcar e zero cafeína), Sprite+Tea e BODYARMOR FIT.

No mesmo período aconteceu também a Copa do Mundo, evento em que a Coca-Cola esteve presente como patrocinadora.

“Durante o trimestre da Copa, a Coca-Cola registrou crescimento de 5% em volume global”, afirma Batista. “Não é apenas um patrocínio para a construção de marca. Ele acaba gerando uma parte comercial bastante forte.”

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Luciana Batista, presidente da Coca-Cola Brasil: “Uma empresa do nosso tamanho nunca cresce por uma coisa só. É uma soma de várias iniciativas” (Leandro Fonseca /Exame)

Coca-Cola quer vender mais do que 'Coca-Cola'

A mudança também faz parte de uma estratégia maior. A multinacional busca se consolidar como uma “empresa total de bebidas”, aumentando sua presença em diferentes momentos do dia e reduzindo a dependência das categorias que construíram sua história.

Isso significa disputar espaço não apenas com refrigerantes tradicionais, mas com isotônicos, bebidas funcionais, águas, sucos, cafés, chás e até bebidas alcoólicas prontas para beber.

No segundo trimestre de 2026, por exemplo, enquanto os refrigerantes gaseificados cresceram 4% globalmente, o conjunto formado por água, bebidas esportivas, café e chá avançou 6%.

No caso das bebidas alcoólicas, a companhia busca combinar marcas conhecidas com coquetéis e ocasiões de consumo em que historicamente tinha menor participação.

Batista ressalta, no entanto, que isso não significa abandonar o centro do negócio.

“Nossa liderança segue sendo na categoria de bebidas não alcoólicas”, afirma.

A inovação também chega às marcas tradicionais. A presidente adianta que a Fanta terá um novo sabor no Brasil ainda em 2026, associado à tradicional campanha de Halloween.

“Fanta, por exemplo, a gente sempre faz campanha de Halloween. Esse ano também vem com um novo sabor, muito bacana. Aguardem”, diz.

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Brasil está entre os motores de crescimento

A transformação do portfólio ganha peso especialmente no Brasil. O país já é o 4º maior mercado da Coca-Cola no mundo e, segundo Batista, fica constantemente entre os 3 mercados que mais contribuíram para o crescimento absoluto da companhia nos últimos três anos.

Os resultados mais recentes reforçam o peso do país. No segundo trimestre de 2026, o Brasil esteve entre os mercados que lideraram o crescimento de volume da Coca-Cola globalmente. Na América Latina, o volume avançou 3%, e a companhia ganhou participação em valor, puxada por Brasil e México.

É nesse cenário que a Coca-Cola prepara um ciclo de R$ 30 bilhões em investimentos no Brasil até 2030, que deve envolver expansão de fábricas existentes, novas unidades industriais, centros de distribuição, frota, equipamentos nos pontos de venda e iniciativas comerciais e ambientais.

A expansão da linha zero, portanto, é apenas uma das peças de uma estratégia mais ampla.

Para uma companhia do tamanho da Coca-Cola, Batista diz que não existe uma única aposta capaz de sustentar o próximo ciclo de expansão.

“Uma empresa do nosso tamanho nunca cresce por uma coisa só. É uma soma de várias iniciativas, com muita consistência ao longo do tempo.”

Mas, diante de um consumidor que bebe de maneira diferente, a Coca-Cola Zero mostra como uma marca centenária pode encontrar novo fôlego justamente onde seria um desafio, e fazê-lo, nas palavras de sua presidente no Brasil, uma oportunidade de dar um ‘gás’ no crescimento em um ritmo acelerado de startup.

Veja a entrevista completa da Luciana Batista, presidente da Coca-Cola Brasil, ao programa "De frente com CEO":

AutorLayane Serrano
FonteExame
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