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NegóciosMPOL
20/06/2026
5 min

Na escola, ele era chamado de 'abacaxi' pelas espinhas no rosto. Hoje, fatura R$ 18 mi com skincare

Na escola, ele era chamado de 'abacaxi' pelas espinhas no rosto. Hoje, fatura R$ 18 mi com skincare

O empresário Lucas Penteado tinha 14 anos quando a acne deixou de ser apenas uma questão de pele. Na escola, em Santos, o rosto tomado por espinhas virou motivo de apelidos. Um deles ficou: “abacaxi”.

Entre 2012 e 2014, período em que sofreu bullying, Penteado diz ter se isolado. Deixou de frequentar a escola aos 16 anos, fez supletivo aos 18 e, anos depois, transformou a experiência em negócio.

Hoje, aos 27 anos, ele é dono da Piny, marca de skincare para peles oleosas e acneicas criada em Campinas (SP) e lançada oficialmente em março de 2021. A empresa projeta faturar R$ 18 milhões em 2026, depois de chegar a cerca de R$ 9 milhões no ano passado. A meta é alcançar R$ 70 milhões até 2028.

A Piny vende 20 mil produtos por mês e atende mais de 240 mil clientes por ano. Segundo a empresa, mais de 44 mil consumidores registraram resultados relacionados ao tratamento da acne com os produtos da marca.

“Eu sempre sofri com acne. Minha história com acne vem desde os meus 14 anos”, diz Penteado. “Na escola, eu era zoado. O pessoal me apelidava de abacaxi, de chapisco, de tudo que eu posso imaginar.”

Como o apelido virou marca

O nome Piny vem da palavra pineapple, abacaxi em inglês. A escolha foi uma forma de ressignificar o apelido da adolescência. O slogan da marca, segundo Penteado, também nasceu dessa memória: “pele de abacaxi nunca mais”.

Antes de criar a empresa, ele havia testado diferentes tratamentos para acne. Alguns reduziam as espinhas, mas deixavam a pele irritada, vermelha ou descamando. “Eu era de Santos. Com 14 anos, queria ir para a praia, jogar bola, surfar, nadar. Não podia fazer nada porque minha pele ficava inteira descamando”, afirma.

A virada começou quando uma tia dermatologista trouxe de um congresso nos Estados Unidosuma fórmula em uma bisnaga. Penteado testou o produto, viu melhora na pele e passou anos usando a fórmula de forma pessoal.

“Eu usei o produto em um mês e literalmente secou tudo. Parou de nascer espinha. Depois parei de usar, voltou, e eu falei: preciso comprar de novo”, diz.

Na pandemia, Penteado estudava Administração no Mackenzie, tentava estágio e não conseguia avançar nos processos seletivos. Antes disso, já havia tido pequenas experiências como empreendedor: ajudou o pai em uma loja de bijuterias em Santos, organizou festas na adolescência e investiu na bolsa.

Durante o período de isolamento social, decidiu apostar na fórmula que usava desde a adolescência para criar uma empresa. O investimento inicial foi de R$ 45 mil, usado para o primeiro estoque, embalagens e e-commerce. No primeiro ano, a Piny faturou cerca de R$ 700 mil.

“Eu comecei a Piny com 20 para 21 anos, bem na primeira semana de pandemia”, afirma. “Na época, era eu e meus 'oito braços'. Eu fazia marketing, gestão de influenciador, tráfego pago, tudo.

Qual foi a estratégia para crescer

No início, a operação era quase artesanal. Penteado diz que embalava produtos com ajuda de um primo e tocava a marca sozinho. Dois anos atrás, quando faturava cerca de R$ 500 mil por mês, passou a se aproximar dos fundadores da empresa Hidratei, que o ajudaram a estruturar melhor a operação.

A Piny cresceu principalmente pelo digital, com influenciadores, tráfego pago e lançamentos de produtos. Hoje, o portfólio inclui máscara, booster, pó e adesivos hidrocoloides em formato de estrela, vendidos no canal físico.

“Hoje a marca criou uma atração. A gente está pegando cada vez mais influenciador e criador de conteúdo e fazendo lançamento de produto”, diz Penteado.

A empresa tem cinco funcionários diretos em modelo PJ — e, considerando parceiros logísticos e prestadores ligados à operação, entre 20 e 25 pessoas envolvidas.

A meta de R$ 18 milhões para 2026 considera a média mensal atual de faturamento, de cerca de R$ 1,5 milhão, sem incluir eventuais picos de Black Friday, segundo o empreendedor.

Como a marca quer sair do digital

A nova fase da Piny passa pelo varejo físico. A marca já está presente na Drogaria Iguatemi e negocia entrada na Drogaria São Paulo. Também prepara um quiosque fixo no Iguatemi Faria Lima e pop-ups em shoppings como Eldorado, Morumbi e Ibirapuera.

A estratégia é usar produtos exclusivos do canal físico para levar consumidores do online para as lojas. É o caso dos adesivos hidrocoloides em formato de estrela.

“Hoje é muito difícil levar o consumidor do online para o físico. Então a gente vai fazer uma gama de produtos para o online e uma gama para o físico”, afirma.

A Piny também planeja ampliar o portfólio e estuda entrar no mercado de franquias. O objetivo declarado por Penteado é transformar a empresa em uma marca de maior escala no mercado de skincare.

Além dos produtos, a Piny desenvolveu um sistema próprio de análise de pele com inteligência artificial voltado ao segmento de acne. Pela plataforma da marca, o consumidor pode enviar uma foto do rosto para receber análise de oleosidade, identificação de acne e recomendação personalizada de rotina.

A proposta é criar um ecossistema para quem tem pele oleosa e acneica, indo além do tratamento pontual da acne.

“A ideia da Piny é fazer um ecossistema inteiro para quem sofre com pele oleosa”, diz Penteado. “Quem tem uma pele como a minha precisa cuidar todo dia. É igual escovar os dentes.”

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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