Na estratégia de inteligência artificial do Bradesco, a BIA ganha reforço
Cíntia Barcelos, CTO, detalha como o banco está reestruturando governança, nuvem e liderança para transformar a IA agêntica no núcleo de seu modelo de negócios até 2030

O setor financeiro é o que mais investe em tecnologia no Brasil. Dados da Febraban apontam que, em especial, os bancos devem aportar R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, alta de 8% em relação a 2025. Neste contexto, e com destaque para a inteligência artificial, o Bradesco entra como um dos principais players fonte destes recursos. A instituição vive um processo estratégico de aceleração digital e aumentou em 22% seus investimentos em tecnologia no ano de 2025.
Para a CTO do Bradesco, Cíntia Barcelos, essa agenda faz parte de uma estratégia desenhada em longo prazo: ser uma instituição com foco em agentes de IA. Segundo a executiva, essa guinada significa que a inteligência artificial deixa de atuar apenas como um recurso utilitário isolado para se consolidar como "o próprio modelo operacional das empresas". Para que essa transição ocorra de forma fluida, Cíntia aponta que a mudança exige redefinir processos, decisões e o trabalho conjunto entre humanos e sistemas.
O investimento em agentes de IA se ancora na BIA (Bradesco Inteligência Artificial). Com dez anos de existência, ela teve o seu desenvolvimento iniciado em 2014 e foi oficialmente lançada em 2016. Ao longo desta década, a assistente virtual transformou-se na verdadeira chave de centralidade no cliente do banco, evoluindo de um chatbot de triagem de dúvidas para um ecossistema que acumula bilhões de interações.
O que intensifica a estratégia de agentes mencionada por Cíntia é a Bridge um dos pilares dessa estratégia que já suporta centenas de iniciativas voltadas para otimizar processos internos, automatizar análises de atendimento e apoiar assessorias de investimentos. Além disso, o lançamento recente do ecossistema "Meu Bradesco" unifica essas frentes tecnológicas para elevar a personalização dos serviços, consolidando uma arquitetura em nuvem preparada para escalar o uso de agentes inteligentes e redefinir a experiência digital no setor financeiro.
"Nós já estamos em uma estratégia para tornar-se uma organização agêntica nos próximos anos, e isso engloba pilares fundamentais como a adoção massiva de nouvem, o dado muito bem sedimentado e um uso intensivo de cibersegurança para garantir toda essa governança sobre tudo o que é executado no ecossistema digital", explica. Para Cíntia, neste contexto, um dos maiores desafios será a gestão humana. "O papel do novo líder é saber orquestrar essa nova organização múltipla e garantir que a decisão e o julgamento final sempre vão ser de responsabilidade de um humano".
Esse posicionamento é reflexo da transformação transversal iniciada em 2023, quando Marcelo Noronha assumiu como CEO e decidiu acelerar mudanças em todas as áreas da instituição. "Como o Bradesco atua como 'um banco para toda a população brasileira, prestando serviços desde correntistas idosos e tradicionais até nativos digitais e clientes de variadas classes sociais, a evolução tecnológica e o refinamento de ferramentas conversacionais e preditivas, como a BIA, exigem precisão absoluta", conclui a CTO.
