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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
29/07/2026
7 min

Na nova franquia de R$ 120 mil da Morena Rosa, franqueado só paga a roupa depois de vender

Novo modelo do grupo paranaense usa estoque consignado para reduzir o risco do pequeno varejista e mira 200 lojas em cidades do interior

Na nova franquia de R$ 120 mil da Morena Rosa, franqueado só paga a roupa depois de vender

Em cidades como Capão da Canoa, no litoral gaúcho, e Monte Sião, no sul de Minas Gerais, abrir uma loja da Morena Rosa vai exigir menos dinheiro do que no restante da rede. A franqueada poderá expor as coleções sem comprar o estoque antecipadamente. Só pagará pelas peças depois que conseguir vendê-las.

A mudança rompe com uma das regras históricas do varejo de moda. Em vez de o lojista assumir sozinho o risco das mercadorias paradas, parte dele passa para a indústria.

Essa é a aposta do Grupo Morena Rosa com o Super Light, novo modelo de franquia da companhia. Com investimento inicial a partir de R$ 120 mil, a operação foi criada para acelerar a expansão em cidades onde o grupo ainda não possui presença relevante. A meta é chegar a 200 lojas.

"O interior faz parte da história do Grupo Morena Rosa. Foi nesses mercados que construímos uma relação sólida com as consumidoras e conhecemos seus hábitos e necessidades", afirma Lucas Franzato, CEO do Grupo Morena Rosa.

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Como funciona a franquia da Morena Rosa sem compra de estoque

Na prática, a companhia troca capital de giro por expansão. Em vez de receber pela coleção quando ela sai da fábrica, só recupera o dinheiro quando a peça chega ao consumidor final.

No Super Light, o Grupo Morena Rosa abastece a loja com cerca de três meses de estoque, definido a partir do histórico de vendas da região. A franqueada paga apenas pelas peças que efetivamente vende.

As vendas ficam registradas no sistema e, periodicamente, a empresa faz um acerto financeiro com o franqueado. A partir desse desempenho, também recalcula a reposição das coleções.

Caso uma peça não encontre comprador, franqueada e fábrica dividem o custo da liquidação. O grupo abre mão de parte da margem para viabilizar os descontos. O que ainda assim não vender pode ser direcionado a outros canais da companhia, como outlets, vendas B2B e exportações.

A estrutura também foi desenhada para reduzir custos. As lojas serão instaladas em ruas comerciais e deverão operar com a própria dona do negócio e uma ou duas funcionárias.

O público-alvo foge do investidor tradicional. A empresa procura mulheres que já trabalham no varejo de moda — gerentes, vendedoras ou microempreendedoras —, mas nunca tiveram capital suficiente para abrir uma loja própria.

O modelo prevê royalties de 5%, ponto de equilíbrio estimado em R$ 38 mil de faturamento mensal e rentabilidade líquida entre 15% e 20% para operações que superarem R$ 80 mil em vendas por mês.

"Nosso objetivo é reduzir os principais riscos enfrentados por quem deseja empreender. Eliminamos a necessidade de compra antecipada de estoque e diminuímos a pressão sobre o capital de giro, dois dos maiores desafios do varejo de moda", afirma Franzato.

As cinco primeiras unidades-piloto devem abrir até dezembro, concentradas no Sul e no Sudeste. Entre as cidades mapeadas estão Guarujá (SP), Cambuí (MG), Triunfo (RS), Capão da Canoa (RS) e Monte Sião (MG).

Se os testes confirmarem as expectativas da companhia, o formato será levado para outras regiões. A projeção é dobrar o faturamento do canal de franquias.

Por que o Grupo Morena Rosa aposta nas cidades do interior

O Grupo Morena Rosa não escolheu o interior por acaso. Cerca de 70% das vendas da companhia já vêm de cidades com menos de 200 mil habitantes.

Para o novo formato, a empresa mapeou 350 municípios onde ainda não possui franquias nem parceiros multimarcas. A ideia é ampliar a presença da marca sem disputar consumidores com lojistas que já revendem suas coleções.

A estratégia acompanha a própria história da empresa. Fundado em Cianorte, o grupo construiu sua distribuição longe das capitais. Hoje abastece mais de 2.000 pontos de venda multimarcas em cerca de mil cidades, enquanto o comércio eletrônico entrega para consumidores de 3.900 municípios.

A operação internacional está presente em 12 países e responde por 2% a 3% da receita.

Além de ampliar a cobertura da marca, o novo modelo aproxima a indústria do consumidor final. Durante décadas, a companhia cresceu principalmente no atacado. Agora, passa a acompanhar diariamente o desempenho de cada unidade.

Esses dados ajudam a ajustar a reposição das coleções, redistribuir produtos entre diferentes regiões e reduzir o risco do estoque que agora fica sob responsabilidade da fabricante.

A produção em Cianorte sustenta o estoque consignado

Assumir o risco do estoque só é possível porque oGrupo Morena Rosa controla praticamente toda a cadeia produtiva.

A companhia emprega mais de mil funcionários e realiza internamente cerca de 95% do processo, do desenvolvimento das coleções ao corte das peças. A produção supera 1 milhão de roupas por ano e está concentrada nas unidades industriais do Paraná.

O grupo importa tecidos. Todo o restante da cadeia é feito no Brasil.

Esse controle permite reagir rapidamente ao comportamento das lojas. Se uma categoria vende acima do esperado em determinada região, a produção pode ser ajustada para ampliar o abastecimento. Se uma peça perde força, pode ser redistribuída para outros mercados antes de entrar em liquidação.

O grupo reúne cinco marcas (Morena Rosa, Maria.Valentina, Zinco, Lebōh e Iódice), que juntas geram cerca de 50 mil SKUs por ano, renovados a cada 60 dias.

A Lebōh, marca de fast fashion do grupo, utiliza sobras de matéria-prima das demais coleções para produzir peças de menor preço e maior velocidade de lançamento.

Segundo Franzato, a companhia também avalia transferir parte da produção para o Paraguai, aproveitando a proximidade com Cianorte e o menor custo da operação. A possibilidade ainda está em estudo.

De quatro máquinas de costura a cinco marcas de moda

A história do Grupo Morena Rosa começou em 1993, quando Marco Franzato vendeu um Monza usado para comprar quatro máquinas de costura.

Ex-boia-fria e alfabetizado aos 15 anos, ele deixou o emprego na contabilidade de uma fábrica de doces e montou uma pequena confecção em Cianorte ao lado da mulher, Valdete, professora de matemática, e de dois cunhados.

A empresa começou produzindo camisetas básicas. Depois migrou para a moda feminina e construiu uma rede de representantes comerciais que percorreu o interior do Brasil vendendo as coleções de porta em porta.

Hoje, esse trabalho é feito por meio de 33 showrooms espalhados pelo país.

Lucas Franzato cresceu dentro da operação. Aos 11 anos, digitava os pedidos feitos pelos representantes comerciais. Depois de passar por diferentes áreas da empresa, assumiu a presidência em 2018.

Segundo o executivo, a experiência de mais de três décadas abastecendo lojistas independentes foi o que deu origem ao Super Light. Foi acompanhando o giro das coleções no atacado que a empresa concluiu que poderia assumir parte do risco do estoque.

O Grupo Morena Rosa não divulga faturamento, mas projeta crescer entre 8% e 12% ao ano. A expectativa é acelerar esse ritmo com o avanço das vendas digitais, das exportações e do novo modelo de franquias.

Se a aposta funcionar, o Super Light poderá levar o grupo a 200 franquias e dobrar o faturamento do canal. A companhia tenta resolver uma das principais barreiras para quem quer empreender no varejo de moda, o dinheiro necessário para colocar a primeira coleção na arara.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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