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Sacre Investimentos
Economia
23/07/2026
4 min

Não é o tarifaço dos EUA: exportação de produtos brasileiros caiu 42,5% por tarifas de outro país

Não é o tarifaço dos EUA: exportação de produtos brasileiros caiu 42,5% por tarifas de outro país

Desde o anúncio do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros neste mês (15), surgiu uma série de análises sobre os efeitos para os empreendedores, as ações de empresas exportadoras que são listadas na bolsa e para a economia como um todo. Porém, há um outro pacote de tarifas que não tem sido muito comentado no mercado, mas que, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), pode ser prejudicial para o Brasil.

Trata-se das tarifas cobradas pelo México, que estão em vigor desde 1º de janeiro deste ano.

O tarifaço mexicano é aplicado sobre a importação de 171 produtos brasileiros, com taxas que, em alguns casos, chegam até 50%, como em itens do setor metalúrgico e de automóveis.

A cobrança passou a ser feita nem tanto com foco no Brasil. Segundo a Secretaria de Economia do país, o objetivo com o tarifaço é proteger a indústria nacional e ampliar os empregos em polos industriais.

O alvo, segundo o órgão, é reduzir a dependência de importações asiáticas e incentivar a substituição pela produção local.

Mas mesmo que as tarifas não tenham sido criadas pensando no comércio brasileiro, os produtos do Brasil seguiram a toada das cobranças.

Com as tarifas implementadas em janeiro, o Brasil se tornou o quinto país mais exposto ao tarifaço mexicano. O primeiro da lista recheada de asiáticos é a China.

Segundo a análise da CNI, cerca de US$ 665 milhões – aproximadamente R$ 3,3 bilhões na cotação atual – em exportações brasileiras podem ser diretamente afetados. 

Neste primeiro semestre com a medida em vigor, as exportações dos produtos brasileiros que entram nas tarifas caíram 42,5% em comparação com o mesmo período dos três anos passados.

A queda não aconteceu de maneira uniforme. Em cada tipo de produto o impacto foi diferente. Dos 171 produtos brasileiros que pagam as tarifas mexicanas, 113 tiveram piora no desempenho de exportação.

A pior queda foi entre os veículos automotivos. A redução na exportação para o México foi de 51,8% no primeiro semestre em comparação com outros anos.

Outros produtos que sofreram redução foram borracha e material plástico, que recuaram 9,1%, metalurgia com 8% e couros e calçados com 7,4%.

Além disso, nos primeiros quatro meses do ano, tubos de ferro ou aço usados em oleodutos e gasodutos tiveram queda de 100% nas exportações brasileiras para o México. Ou seja, uma paralisação total das vendas.

Empresários da indústria pedem solução

Como representação dos empresários do setor industrial, a CNI tem defendido a isenção dos produtos brasileiros das novas tarifas de importação.

Além disso, a organização pede que os governos do Brasil e do México avancem em negociações de um acordo de livre comércio entre os dois países.

Nos cálculos da CNI, essa decisão poderia adicionar US$ 13,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) para as duas economias somadas, além de atrair cerca de US$ 8 bilhões em investimentos para os países.

Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, destaca que “o México é parceiro estratégico do Brasil em um momento em que a diversificação das relações comerciais brasileiras é cada vez mais importante”.

Para Negri, isentar os produtos brasileiros é importante para preservar a competitividade comercial no Brasil no exterior.

Tarifas mexicanas têm influência de Trump?

O México se inspirou no tarifaço de Donald Trump para aplicar novas tarifas sobre os produtos importados.

Quando a legislação mexicana entrou em vigor, ainda valia a série de tarifas globais que foi instaurada pelo presidente norte-americano no ano passado, mas que foi derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro de 2026.

Já no México, a decisão pelas tarifas sobre outros países foi feita em dezembro de 2025. O projeto de lei foi aprovado no Senado em caráter de urgência, com 76 votos a favor.

Porém, na época, 35 senadores se abstiveram por achar que a lei foi preparada às pressas por pressão de Trump. Além disso, havia também o argumento de que o México não se preocupou em avaliar os efeitos da medida na inflação do país.

Antes do tarifaço mexicano, o presidente dos Estados Unidos chegou a afirmar que o país vizinho servia como porta de entrada de produtos da China nos EUA. Atualmente, o gigante asiático é o país mais afetado pela medida.

AutorGiovanna Figueredo
FonteSeu Dinheiro
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