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Sacre Investimentos
PolíticaACS
26/09/2026
5 min

‘Não é um jogo de truco’ e ‘estabilidade fiscal é obrigatória’; o que Lula disse para empresários no jantar com o PIB

“Vocês estão ao lado de um cara que governou o Estado mais rico do País por 16 anos e de um presidente que governa há 12 anos. Qual é a dúvida? Isso aqui não é um jogo de truco. Não tem como blefar”. A frase, do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da […]

‘Não é um jogo de truco’ e ‘estabilidade fiscal é obrigatória’; o que Lula disse para empresários no jantar com o PIB

“Vocês estão ao lado de um cara que governou o Estado mais rico do País por 16 anos e de um presidente que governa há 12 anos. Qual é a dúvida? Isso aqui não é um jogo de truco. Não tem como blefar”.

A frase, do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva(PT), ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), soou como um apelo aos mais de 700 empresários e representantes do setor privado reunidos em um hotel em São Paulo, na noite desta sexta-feira (25). Um apelo pelo voto e por um quarto de derradeiro mantado como presidente.

“Essa dupla aqui é a melhor que o que está na mesa. Aqui tem o ‘zap’ e o sete de ‘copas'”, emendou o presidente, citando as cartas mais valiosas do jogo de cartas, após ouvir demandas em evento organizado pela Esfera Brasil e pelo Prerrogativas, grupo de advogados e juristas ligados à esquerda. “Eu preciso do seu voto. Você não precisa gostar de mim”, emendou.

Para o presidente, para haver estabilidade política em um país o governante tem de ter biografia e história. “Se não tiver história, não governa, tem de ter partido político. Tem de ter estabilidade jurídica, que é incerta nesse País”, afirmou Lula.

Ele emendou e disse aos presentes que a escolha será entre o regime democrático ou a nova barbárie, numa referência ao adversário, Flávio Bolsonaro (PL), filho do seu antecessor, Jair Bolsonaro. Além da estabilidade política, o presidente afirmou que a estabilidade fiscal é obrigatória para o País.

“Eles sabem quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem vai pagar a conta é o pobre. Esse é um ponto básico”, afirmou ele, para, em seguida, defender o aumento real do salário mínimo. “Quanto mais o trabalhador ganhar, mais vai consumir”, disse ele aos empresários.

Lula ironizou e disse que os próprios empresários brigaram pelo Banco Central independente e citou as crises com o ex-presidente da instituição nos seus dois primeiros mandatos, Henrique Meirelles, ainda quando a autoridade monetária era ligada diretamente ao governo federal.

“Eu não troquei o Meirelles em oito anos. Tive para tirar o Meirelles duas vezes e, nas duas vezes, a gente conquistou o grau de investimento”, lembrou.

Ajuste fiscal sem bala de prata, diz Durigan

O ministro da Fazenda, Dario Duriganafirmou que a institucionalidade, segurança pública com participação maior do Estado, e juros serão os três desafios para o governo federal. Segudo ele, o ano a ano as contas públicas estão sendo acertadas com boas práticas fiscais.

“Não teve projeto aprovado sem respectiva fonte de receita ou adequação orçamentária. Nós vamos fazer ajustes fiscal com justiça social, arrumando as contas públicas, pois falar é fácil, fazer discurso com bala de prata é fácil”, disse.

Segundo Durigan, a diminuição da taxa de juros tem de ser estrutural e o discurso fiscal tem que ser feito “na política, com transparência e discurso republicano, sem desprezar a justiça social e o compromisso ambiental”, repetiu.

Três representantes do setor privado falaram no evento, com temas sensíveis ao governo. O CEO da Vale, Gustavo Pimenta afirmou que há uma “oportunidade histórica para minerais críticos” no Brasil e o grande desafio é ofertar essas matéria-primas. “O que temos dificuldades de destravar esse potencial minerário que poderia empregar 5 milhões de pessoas e dobrar a arrecadação. A reflexão é que temos oportunidade única que Brasil pode ser líder na transição energética e na oferta de minerais críticos”.

Jorge Cury, presidente do sindicato da Habitação de São Paulo – Secovi, elogiou Minha Casa, Minha Vida, com 3 milhões de unidades em quatro anos, mas lembrou que o programa é feito com recursos subsidiado. “Vamos ter alguma chance de reduzir o juros para permitir que classe média possa adquirir moradias. Esse será o grande motor, a classe média”, argumentou.

Em um discurso curto, Marcos Almeida, managing partner e head do negócio de infraestrutura da Brookfield para a América do Sul, com US$ 1 trilhão de dólares de ativos sob gestão, cobrou somente que o presidente, caso seja reeleito, volte a buscar o grau de investimento no País, obtido nos seus primeiros mandatos.

A anfitriã

Em seu discurso, a CEO da Esfera, Camila Funaro Camargo Dantas, lembrou do encontro semelhante, durante a campanha de 2022, no qual, em vez de fazer um discurso inicial, Lula pediu ao anfitrião que escolhesse empresários e que cada um dissesse o que faria se fosse presidente. “O candidato que todos vieram ouvir começou ouvindo”, lembrou.

Quatro anos depois, lembrou a anfitriã, o presidente participa do evento na semana em que abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas “e lembrou ao mundo que a guerra é a falência da política”, o que, segundo ela, corrobora com o respeito em alta da comunidade internacional pelo Brasil. “Mas o cenário externo e o interno pedem cuidado, e é por isso que a conversa de hoje à noite importa tanto”.

Camila citou que os associados da Esfera “não são só a Faria Lima” e a instituição reúne a indústria, o varejo, os serviços e também os maiores bancos do país. “São pessoas que investem antes de saber se vai dar certo, honram a folha de pagamento todo mês e recolhem tributos”, afirmou.

A CEO da Esfera lembrou o passado do presidente como metalúrgico e que, negociando com empresários, sabq eu “não há emprego sem empresa, nem empresa sem trabalhador. A prosperidade não se reparte entre capital e trabalho. Ela se constrói com os dois”.

Por fim, Camila retomou que, há quatro anos, Lula perguntou a empresários o que fariam se fossem presidentes. “Hoje, são os empresários que perguntam ao três vezes presidente da República o que teria dizer a quem investe, arrisca, emprega, paga impostos e ainda sonha com um país melhor?”.

AutorGustavo Porto
FonteMoney Times
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