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Sacre Investimentos
EXAME AgroBDR
26/07/2026
4 min

'Não há para onde correr': o ciclo ruim da pecuária deve chegar aos frigoríficos

'Não há para onde correr': o ciclo ruim da pecuária deve chegar aos frigoríficos

"Não há para onde correr". Foi com essa mensagem que o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) resumiu o momento da indústria global de proteínas.

Segundo o banco, os mercados de carne bovina, frango e suínos passaram a enfrentar dificuldades ao mesmo tempo, tornando o segundo trimestre de 2026 um ponto de inflexão para frigoríficos como JBS, MBRF, Tyson Foods, Pilgrim's Pride e Minerva, com pressão sobre as margens em praticamente todas as principais operações.

Para a JBS, o BTG estima queda anual de 22,1% no EBITDA e de 60,5% no lucro líquido ajustado. A Pilgrim's Pride deve registrar retração de 50,4% no EBITDA e de 66,5% no lucro. Já a Minerva deve manter crescimento modesto de receita, mas ainda com queda de 3,3% no EBITDA.

Por outro lado, aTyson Foods deve reportar um segundo trimestre com resultados praticamente estáveis em relação ao mesmo período do ano passado. O banco estima receita de US$ 13,9 bilhões, alta de 0,3%, EBITDA ajustado de US$ 812 milhões, queda de 2,3%, e lucro líquido ajustado de US$ 311 milhões, avanço de 1,7% na comparação anual.

Para os analistas do BTG, o setor perdeu uma característica que historicamente funcionava como proteção para empresas diversificadas: a alternância entre ciclos positivos e negativos das diferentes proteínas.

"Neste ano, nossa percepção é de que a maior parte dos ciclos de proteína, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, está sofrendo erosão de forma simultânea", afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

Na prática, segundo o banco, isso significa que empresas presentes em bovinos, aves e suínos terão menos capacidade de compensar a fraqueza de uma operação com o desempenho de outra, tornando a temporada de resultados mais desafiadora.

O BTG aponta que o mercado americano de carne bovina continua sendo o principal foco de preocupação para o setor.

A análise ocorre em um momento em que os frigoríficos americanos enfrentam um dos períodos mais difíceis do ciclo pecuário nos EUA, com aumento de custos e margens apertadas.

Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. Já o rebanho bovino total dos Estados Unidos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem, levando produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar o caixa.

Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.

O cenário deve ajudar a explicar as projeções de margens negativas para as operações de carne bovina de companhias como JBS, Tyson Foods e Marfrig na América do Norte durante o trimestre.

Frango e suínos

Até recentemente, o segmento de aves vinha sustentando parte da rentabilidade da indústria, beneficiado por preços elevados e demanda aquecida. Para o BTG, porém, esse cenário começa a mudar.

O banco observa que os preços do frango já recuaram em relação aos picos registrados anteriormente e que as margens devem acompanhar esse movimento ao longo dos próximos trimestres.

"O segmento de frango vinha sendo o ponto positivo do portfólio, mas isso agora também parece estar mudando. Os preços já estão abaixo dos picos, e a expectativa é de que as margens sigam a mesma trajetória", afirmam os analistas.

Na visão do BTG, a correção ainda não terminou e a tendência é de continuidade da queda na rentabilidade do segmento durante o segundo trimestre.

O relatório também identifica deterioração no mercado de carne suína. No caso da JBS, por exemplo, o BTG projeta redução sequencial das margens da operação de suínos nos Estados Unidos, refletindo o enfraquecimento dos spreads da indústria.

A expectativa é que a margem EBITDA do segmento fique em 8,5%, abaixo dos 13,5% registrados no trimestre anterior.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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