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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
22/10/2026
5 min

'Não temos mais espaço': shopping de luxo investe R$ 110 milhões para aumentar de tamanho

Com quase 99% de ocupação, empreendimento de Curitiba vai ganhar 35 lojas e busca atrair grifes internacionais inéditas no Brasil

'Não temos mais espaço': shopping de luxo investe R$ 110 milhões para aumentar de tamanho
RESUMO +

O shopping Pátio Batel, do Grupo Soifer, investirá R$ 110 milhões em sua primeira expansão, prevista para o segundo semestre de 2028. O projeto elevará a área comercial em 22% e abrirá espaço para 35 novas lojas. O empreendimento registrou R$ 1,2 bilhão em vendas dos lojistas em 2024 e ocupação próxima de 99%.

O Pátio Batel, shopping de Curitiba que reúne marcas de luxo como Louis Vuitton, Prada, Gucci e Tiffany & Co., vai investir mais de R$ 110 milhões na primeira expansão de sua história. O empreendimento, inaugurado há 13 anos pelo Grupo Soifer, pretende aumentar em 22% sua área comercial e abrir espaço para 35 novas lojas até 2028. 

O investimento acompanha o crescimento da operação. O faturamento de 2025 foi de R$ 1,25 bilhão, alta de 4,16% em relação ao ano anterior.  Hoje, o shoppingrecebe cerca de 7 milhões de visitantes por ano e mantém uma taxa de ocupação próxima de 99%, segundo a administração.

Com poucas lojas disponíveis para locação, a expansão passou a ser uma alternativa para atender ao interesse de marcas que desejam entrar no empreendimento.

"Não temos mais espaço no Pátio Batel. Quando você está numa ocupação nesse nível, com marcas querendo entrar, é claramente um indício de que é o momento de trazer mais espaço", afirma Fernando Bonamico, superintendente do Pátio Batel.

Mais espaço para o público: shopping terá nova entrada, jardins, áreas de convivência e um centro de eventos para 500 pessoas. (Pátio Batel/Divulgação)

Como será a expansão do shopping

O projeto prevê a transformação do primeiro subsolo em um novo piso comercial, batizado de L0, com 6.500 metros quadrados de área bruta locável (ABL), medida que considera os espaços disponíveis para aluguel. A área comercial do shopping passará dos atuais 29.700 metros quadrados para 36.200 metros quadrados.

A intervenção ocupará uma área total de 10.760 metros quadrados. As obras começaram no fim de setembro de 2026 e devem durar 24 meses, com inauguração prevista para o segundo semestre de 2028. A expectativa é gerar mais de 500 empregos diretos.

Segundo Bonamico, a expansão já estava prevista no projeto original. O terreno em declive permitiu que o primeiro subsolo fosse construído com pé-direito elevado, semelhante ao dos demais pisos comerciais.

Agora, o espaço ganhará corredores amplos, iluminação natural e novos elevadores panorâmicos. Também será aberta uma entrada de pedestres pela rua Hermes Fontes, integrada a jardins, áreas de convivência, espaço infantil e área para animais de estimação.

Outra novidade será um centro de eventos de 650 metros quadrados, com capacidade para até 500 pessoas, instalado no piso L4. O local poderá receber eventos corporativos e sociais.

As intervenções serão realizadas sem interromper o funcionamento do shopping.

Quais segmentos o Pátio Batel quer atrair

A estratégia é ampliar a oferta de marcas premium nacionais e internacionais, com espaço também para restaurantes, conveniência e serviços ligados ao bem-estar.

Entre os formatos previstos estão lojas de departamento e megalojas, algumas com mais de 500 metros quadrados e outras que poderão ultrapassar 1.000 metros quadrados. Essas operações deverão funcionar como âncoras do novo piso, atraindo consumidores para as demais lojas.

O shopping também pretende instalar uma área dedicada ao bem-estar, com academia, cafés e estabelecimentos voltados à alimentação saudável.

Segundo Bonamico, a administração já iniciou conversas com marcas internacionais, incluindo empresas que ainda não possuem operações no Brasil. Os nomes, no entanto, permanecem em negociação, sem contratos concluídos.

"Estamos prospectando marcas inclusive inéditas no país, marcas premium nacionais, restaurantes e conveniência", afirma o executivo.

Novo piso comercial: projeto prevê lojas de marcas internacionais, restaurantes e espaços de bem-estar com inauguração em 2028. (Pátio Batel/Divulgação)

A ampliação também responde ao crescimento da demanda por espaços comerciais. Nos últimos quatro anos, o shopping manteve uma ocupação média próxima de 99%, o que deixa cerca de 400 metros quadrados disponíveis para locação, distribuídos em pequenas lojas.

Mesmo considerado um empreendimento maduro, o Pátio Batel continua atraindo novos consumidores. Em 2026, segundo Bonamico, o fluxo de visitantes registra crescimento próximo de 4%.

O superintendente espera que a chegada das novas operações aumente as vendas totais, mas ainda não apresentou uma projeção de crescimento do faturamento após a inauguração.

Como o shopping se tornou um endereço de luxo em Curitiba

Inaugurado em setembro de 2013, o Pátio Batel pertence ao Grupo Soifer, conglomerado familiar fundado por Salomão Soifer. O empresário, hoje com 93 anos, idealizou o empreendimento, cuja administração está ligada à terceira geração da família.

Desde a abertura, o shopping adotou um posicionamento voltado ao mercado de luxo, com arquitetura diferenciada, marcas internacionais, lojas nacionais premium e restaurantes de alta gastronomia.

Atualmente, são 192 lojas, incluindo 72 operações consideradas exclusivas pela administração. Além de marcas como Burberry, Ferragamo, Valentino e Carolina Herrera, o empreendimento reúne 11 restaurantes.

Bonamico explica que o modelo de um shopping de luxo é diferente daquele adotado por centros comerciais de grande circulação. A prioridade não está necessariamente em receber o maior número possível de visitantes, mas em atrair consumidores com maior capacidade de compra.

"Normalmente, um shopping de luxo é um shopping de menos fluxo, desses shoppings de massa, mas de alta conversão e alto tíquete médio de compra", afirma.

A nova expansão também acompanha a valorização imobiliária do Batel, um dos bairros de alto padrão de Curitiba. Segundo o superintendente, há aproximadamente 20 empreendimentos comerciais e residenciais em construção na região.

Apesar desse movimento, o Grupo Soifer não prevê, neste momento, incorporar torres residenciais ou comerciais ao shopping, estratégia adotada por outros grupos do setor.

Com a ampliação, a aposta é aumentar a oferta de lojas e serviços para consumidores atuais e futuros, mantendo o posicionamento de alto padrão construído ao longo dos últimos 13 anos.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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