Nasdaq opera em baixa de 3% e registra pior queda diária no ano

As bolsas de valores dos Estados Unidos operaram em forte queda nesta sexta-feira, 6. O movimento foi puxado por uma onda de vendas em ações de semicondutores e pela disparada dos juros dos títulos do Tesouro americano. O gatilho foram os dados do mercado de trabalho de maio, muito acima do esperado.
O Nasdaq Composite recuava cerca de 3% por volta das 14h30 (horário de Brasília). Éa maior queda diária do índice desde 10 de outubro de 2025. O S&P 500 perdia 1,8%, enquanto o Dow Jones Industrial Average caía 465 pontos, ou 0,9%. O S&P 500 poderá encerrar a primeira semana no vermelho após dez altas semanais consecutivas.
Chips lideram as perdas em Wall Street
O setor de tecnologia concentrou os maiores tombos do pregão. As ações da Broadcom caíam 6% no dia, após um tombo de mais de 12% na véspera. Marvell Technology e Micron Technology recuavam 10% cada. Intel e Advanced Micro Devices perdiam 8% e 9%, respectivamente.
Para Anshul Sharma, diretor de investimentos da Savvy Wealth, o movimento reflete uma realização de lucros após uma temporada robusta de resultados para empresas de inteligência artificial. "A narrativa em torno da IA segue intacta, mas as expectativas ficaram mais elevadas do que o justificado", disse à CNBC. "Até boas notícias podem decepcionar quando ficam aquém do esperado", completou.
Payroll vem mais que o dobro do esperado
O Departamento do Trabalho dos EUA informou a criação de 172 mil vagas no setor não-agrícola em maio. O número foi mais que o dobro das 80 mil esperadas por economistas consultados pelo Dow Jones. A taxa de desemprego ficou estável em 4,3%, em linha com as projeções. Os dados de março e abril também foram revisados para cima.
"Os dados de hoje reforçam a resiliência econômica, mas também devem manter o Fed e os mercados atentos às pressões inflacionárias", afirmou Ellen Zentner, do Morgan Stanley Wealth Management, citada pela Bloomberg.
Mercado precifica alta de juros pelo Fed ainda em 2026
Com os dados, os mercados ampliaram as apostas em uma elevação de juros pelo Federal Reserve (Fed) até o fim do ano. A taxa do título do Tesouro de 10 anos subiu acima de 4,5%.
O estrategista Neil Dutta, da Renaissance Macro Research, avaliou que a reação do mercado é exagerada. "Se o Fed estiver subindo juros porque o emprego está crescendo, não necessariamente isso é ruim para as ações", argumentou à Bloomberg. "Estagflação é ruim para a bolsa. Um ciclo inflacionário com expansão econômica, não."
Já Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, descartou a leitura de que o relatório de emprego forçará o Fed a agir. "Isso está completamente errado", disse à Bloomberg Television. "Os choques de petróleo sobre a inflação básica são historicamente temporários e não geram inflação duradoura."
Consumo básico sobe com rotação para fora da tecnologia
Em meio à fuga do setor de tecnologia, o segmento de bens de consumo básico operava em alta de 2%. Colgate-Palmolive e Coca-Cola subiam mais de 3% cada. A rotação reflete a busca dos investidores por setores defensivos diante da incerteza sobre os juros americanos.
