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NegóciosMPOL
18/07/2026
7 min

Nativa da internet, marca de moda fitness vai abrir lojas físicas e passar dos R$ 100 milhões

Nativa da internet, marca de moda fitness vai abrir lojas físicas e passar dos R$ 100 milhões

A marca de moda fitness Pozze, de Santa Catarina, passou os primeiros anos de operação evitando os caminhos mais tradicionais do varejo de moda. Sem lojas físicas, franquias, atacado ou presença em marketplaces, o negócio concentrou as vendas no próprio site, alcançando um faturamento de R$ 40 milhões em 2025.

Agora, a empresa pretende fazer, em um ano, um movimento ainda maior do que o realizado desde sua fundação: alcançar R$ 100 milhões em receita em 2026. A meta representa um crescimento de 150% e será perseguida com a entrada em novos canais, o aumento da frequência de lançamentos e uma estratégia para transformar consumidoras recorrentes em uma fonte ainda mais relevante de vendas.

“Estamos em uma rota de pleno crescimento”, afirma Fernando Correa, fundador e CEO da Pozze.

A companhia processa atualmente entre 15 mil e 20 mil pedidos por mês e informa que 52% de suas clientes voltam a comprar. Além do e-commerce próprio, a Pozze começou a vender pelo TikTok Shop e pelo Mercado Livre. No próximo ano, pretende dar início à expansão física, com lojas próprias e franquias.

Qual é a origem da Pozze

A origem da Pozze surgiu dentro de uma estamparia de Criciúma, no sul de Santa Catarina. Filho de empreendedores, Correa começou a trabalhar aos 21 anos em uma pequena empresa da família que fornecia insumos para a indústria têxtil. O negócio foi transformado em uma estamparia de tecidos e passou a atender marcas nacionais, entre elas Hering e Malwee.

Além de executar os pedidos dos clientes, a equipe criava estampas próprias para apresentar às confecções. Parte dos desenhos, porém, era considerada diferente demais e acabava não sendo utilizada.

A pandemiaserviu como ponto de virada. No fim de 2020, os sócios decidiram criar uma marca que permitisse levar essas estampas diretamente ao consumidor. A Pozze começou a operar em 2021 como um segundo negócio dentro da estamparia.

O crescimento da marca levou a família a abandonar gradualmente a produção para terceiros. Cerca de dois anos depois, a antiga estamparia passou a atender apenas a Pozze.

“Queríamos dar vida às estampas que criávamos. A marca nasceu com esse sonho e elas continuam sendo o nosso DNA”, diz Correa.

Moda fitness autoral: a Pozze aposta em estampas próprias, coleções mensais e peças voltadas a consumidoras que praticam atividades físicas com frequência (Pozze/Divulgação)

A produção é majoritariamente verticalizada. A companhia fabrica parte dos próprios tecidos e adquire outra parcela de fornecedores de Santa Catarina. A maior parte da manufatura é realizada internamente, enquanto a costura é executada por oficinas terceirizadas.

O portfólio inclui tops, leggings, bermudas, camisetas, regatas e jaquetas. Entre os produtos de maior destaque estão os shorts duplos, compostos por uma camada interna e outra externa, e as jaquetas estampadas. Em 2026, segundo o fundador, as calças wide leg também avançaram no ranking de vendas.

A empresa procura se diferenciar pela criação autoral. As estampas são desenvolvidas internamente, por uma área própria de pesquisa, sem reproduzir diretamente tendências de outras marcas.

Para Correa, essa identidade visual também aproxima a Pozze de uma consumidora que ele define como expansiva, vaidosa e interessada em peças que possam se destacar dentro e fora dos espaços de atividade física.

Mais coleções e mais lugares para comprar

A mudança mais visível na estratégia de 2026 está no ritmo de desenvolvimento de produtos. Até o ano passado, a Pozze apresentava uma nova coleção a cada dois ou três meses. Agora, o intervalo caiu para 30 dias ou menos.

A empresa ainda prevê lançar "coleções-cápsula" durante o segundo semestre. A lógica é manter o site abastecido com novidades, estimular novas compras e aproveitar a base de consumidoras que já conhece a marca.

A recorrência de 52% é central nessa estratégia. Em um negócio digital, fazer uma cliente voltar pode reduzir a dependência de investimentos constantes em publicidade para conquistar novos consumidores. A métrica ganha importância diante do encarecimento da mídia online e da multiplicação de marcas disputando espaço nas mesmas redes sociais.

“Aceleramos o lançamento de coleções e vamos criar cápsulas extras. Também continuaremos investindo nos canais digitais, mas, neste momento, não se trata apenas de aquisição de clientes. Precisamos trabalhar a marca e mostrar por que somos diferentes”.

Até o início deste ano, todas as vendas estavam concentradas no site próprio. A companhia passou, então, a testar o chamado comércio social no TikTok Shop e a usar a estrutura do Mercado Livre para alcançar consumidores que preferem concluir a compra dentro de grandes plataformas.

Segundo Correa, os dois canais vêm apresentando crescimento, embora a empresa não informe quanto já representam do faturamento. A entrada nos marketplaces permite aumentar a exposição e reduzir a dependência de uma única fonte de tráfego, mas acrescenta comissões e coloca a Pozze em vitrines nas quais a comparação de preços é mais direta.

O movimento acompanha o avanço do comércio eletrônico brasileiro. As vendas online somaram R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de 15,3%, segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico. O país registrou 438,9 milhões de pedidos, com tíquete médio de R$ 536,60. Moda e acessórios responderam por 10,4% do faturamento do setor.

O crescimento da Pozze, porém, não dependerá apenas dos novos canais. A empresa diz que manterá as estratégias digitais que funcionaram em 2025 e ampliará o investimento em conteúdo e posicionamento.

Produção em Santa Catarina: a Pozze fabrica parte dos tecidos e concentra a maior parcela da manufatura em sua estrutura de Criciúma (Pozze/Divulgação)

Um mercado maior — e mais disputado

A Pozze tenta ganhar escala em um momento favorável para a moda esportiva. Roupas antes restritas a academias passaram a circular no trabalho, em viagens e em outros compromissos cotidianos, movimento conhecido como athleisure.

No Brasil, a produção conjunta dos segmentos de moda praia e esportiva ou fitness chegou a 889,6 milhões de peças em 2024, avanço de 4,6% em relação ao ano anterior, segundo estudo do IEMI divulgado pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil. A procura por conforto e funcionalidade está entre os fatores que impulsionam a categoria.

O ambiente também é alimentado pela expansão da prática de exercícios e dos serviços de bem-estar. Globalmente, o número de associados a academias cresceu 6% em 2024, enquanto a receita média dos operadores avançou 8% e a quantidade de unidades aumentou quase 4%, de acordo com o relatório de 2025 da Health & Fitness Association.

O crescimento atrai concorrentes de diferentes portes. De um lado estão multinacionais esportivas e grandes varejistas de moda. Do outro, aparecem marcas brasileiras especializadas, operações locais, confecções que vendem diretamente pelas redes sociais e companhias que combinaram fábrica, lojas e franquias.

Um dos exemplos mais próximos da Pozze é a também catarinense Live, fundada em Jaraguá do Sul, que fatura mais de R$ 500 milhões e agora busca o primeiro bilhão em vendas.

Como será a expansão da Pozze com loja física

Depois de construir toda a operação pela internet, a Pozze pretende abrir as primeiras lojas em 2027. O plano inclui unidades próprias e franquias, modelo que pode permitir uma expansão mais rápida e com parte do capital fornecido pelos franqueados.

A prioridade inicial serão grandes centros, com São Paulo e Rio de Janeiro no início da lista. Capitais do Sul e do Sudeste também aparecem entre os mercados mais prováveis. Em um horizonte de três anos, Correa diz que pretende ter ao menos uma loja em cada capital brasileira.

“É algo que o mercado vem pedindo muito. Estamos estruturando o projeto para começar no início do ano que vem”, afirma.

A empresa já começou a adaptar a logística ao novo tamanho da operação. A matriz, em Criciúma, reúne fábrica e centro de distribuição próprio. Parte do estoque também passou a ser armazenada pela Kubo, operadora logística que começou a despachar pedidos da marca recentemente.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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