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EmpresasACS
11/08/2026
6 min

Natura (NATU3): Ações sobem apesar de queda no lucro e receita; ‘Dificuldades no Brasil superaram expectativas’, diz CEO

As ações da Natura (NATU3) abriram o pregão desta terça-feira (11) em queda, mas inverteram o sinal para o positivo em reação aos números do segundo trimestre deste ano (2T26), que mostrou lucro líquido de R$ 35 milhões, resultado 82% menor na comparação com o mesmo período em 2025. Por volta de 11h (horário de […]

Natura (NATU3): Ações sobem apesar de queda no lucro e receita; ‘Dificuldades no Brasil superaram expectativas’, diz CEO

As ações da Natura (NATU3) abriram o pregão desta terça-feira (11) em queda, mas inverteram o sinal para o positivo em reação aos números do segundo trimestre deste ano (2T26), que mostrou lucro líquido de R$ 35 milhões, resultado 82% menor na comparação com o mesmo período em 2025.

Por volta de 11h (horário de Brasília), as ações operavam em alta, com avanço de 3,09%, cotadas a R$ 8,33. Acompanhe o tempo real.



Analistas do Bradesco BBI avaliam que a companhia surpreendeu positivamente no segundo trimestre do ano ao entregar resultados melhores do que o mercado esperava, após as expectativas terem sido revisadas para baixo em função da prévia de vendas divulgada pela companhia, que antecipou um resultado decepcionante.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado somou R$ 620 milhões, margem de 12%, superando as estimativas do Bradesco BBI em 21% e o consenso em 14%, impulsionado por um controle mais rígido de despesas operacionais (G&A) e melhora na margem bruta, que compensaram a queda de 9% na receita consolidada em base anual.

A alavancagem não se deteriorou, fechando em 2,35 vezes a relação dívida líquida sobre o Ebitda, e a empresa ajustou suas projeções, estimando agora uma margem Ebitda acima de 10% para 2026, com aceleração na geração de fluxo de caixa livre no segundo semestre em relação ao ano anterior.

“Apesar do cenário ainda desafiador para a retomada das vendas, especialmente no Brasil e na marca Avon, a Natura mostrou forte resiliência na proteção de margens e geração de caixa”, dizem os analistas.

O BBI já esperava uma reação positiva das ações no curto prazo devido à superação das baixas expectativas, mas mantém a recomendação Neutra diante da falta de clareza sobre o ponto de virada na receita.

Desempenho no Brasil frustrou

Em teleconferência de resultados realizada na manhã desta terça-feira, João Paulo Ferreira, CEO da companhia, reconheceu que os números do trimestre frustraram as expectativas devido à queda acentuada da receita no Brasil, que sofre com os impactos do cenário macroeconômico sobre a renda disponível, além de problemas relacionados à disponibilidade de produtos.

“As dificuldades operacionais no Brasil superaram nossas expectativas”, afirmou. “Reconhecemos, contudo, que grande parte dos problemas desse trimestre são internos, operacionais e fundamentalmente autoimpostos”, completou o executivo.

A escassez de produtos é apontada como um dos fatores que controbuíram para o cenário, com estresse causado pela indisponibilidade de produtos e parada da operação, mesmo com uma implementação tida como bem-sucedida do sistema SAP.

Há ainda as novas políticas comerciais nos canais D2C (direto ao consumidor) e efeito tributário temporário na receita.

João Paulo Ferreira afirma que a frustração com a operação brasileira ofuscou os resultados hispânicos, onde veem resultados consistentes e crescimento. De acordo com ele, as questões não se tratam de problemas estruturais e sim de execução, tendo em vista o desempenho no mercado hispânico, além de geração de caixa e preservação das margens.

Analistas do Itaú BBA pontuam que a receita foi praticamente um não evento após os números preliminares, apenas confirmando a estimativa de uma queda de aproximadamente 15% na comparação anual na Natura Brasil e um desempenho amplamente estável na América Latina Hispânica, em termos de reais.

Na visão da casa, os principais destaques foram a maior rentabilidade na América Latina Hispânica, especialmente no México, amplamente sustentada por uma forte redução de 15% nas despesas gerais e administrativas (G&A) na comparação anual, o que parece ter caráter estrutural.

Somado a isso, há a elevada receita proveniente de créditos tributários, de R$ 81 milhões no trimestre, parcialmente recorrente ao longo do ano, mas fortemente concentrada no trimestre e geração de fluxo de caixa livre (FCF) de R$ 62 milhões.

O BBA tem classificação market perform, equivalente à neutra, com preço-alvo de R$ 10 para NATU3.

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Há pontos positivos?

A visão de curto prazo do Citipara a Natura é negativa. Ainda que a companhia já tivesse sinalizado tendências mais fracas, o trimestre ainda ficou abaixo das estimativas do banco, particularmente abaixo da linha operacional.

De acordo com os analistas, houve, no entanto, alguns pontos positivos, com a economia nas despesas SG&A (gerais e administrativas) claramente se materializando e a continuidade de recuperação do negócio Hispânico.

“Supondo uma melhora mais significativa na trajetória da receita no Brasil, esperamos que as margens eventualmente superem os níveis históricos, refletindo a estrutura de custos mais enxuta da companhia. Por enquanto, contudo, permanecemos à margem”, dizem os analistas do banco.

O Citi observa que, após sinalizar um trimestre mais fraco, a ação mostrou uma resiliência surpreendente (em relação ao restante da nossa cobertura de varejo), sugerindo uma relação risco-retorno desfavorável na atual avaliação.

O banco tem recomendação Neutra/Alto Risco para a Natura, com preço-alvo de R$ 10.

O BTG Pactual coloca que, como parcialmente antecipado pela companhia em um relatório de prévia operacional divulgado há um mês, a Natura reportou resultados fracos no segundo trimestre, impactados por uma forte desaceleração da receita no Brasil, pior alavancagem operacional e pressão adicional de efeitos não recorrentes relacionados às demissões e aos efeitos da transição fiscal (ICMS-ST).

Considerando todos esses fatores, os resultados operacionais ficaram em linha com as estimativas do banco e no limite superior do consenso do mercado.

“Curiosamente, o mix foi um pouco diferente do esperado: a receita no Brasil (queda de 14,8% na comparação anual; 2% abaixo da nossa estimativa) foi afetada por um cenário macroeconômico desafiador, indisponibilidade de produtos (em decorrência de uma integração de sistemas) e um descasamento tributário temporário (2 pontos percentuais do crescimento da receita)”, dizem os analistas.

Por outro lado, a companhia apresentou uma recuperação melhor que a esperada na unidade Hispânica, com crescimento da receita de 0,7% na comparação anual (5,6% acima da estimativa), ou 7% em termos de moeda constante, após quatro trimestres de forte contração da receita, levando a uma melhora sequencial das margens.

O BTG tem recomendação neutra para a Natura, com preço-alvo de R$ 12.

AutorLorena Matos
FonteMoney Times
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