Negociações técnicas entre EUA e Irã ocorrerão na próxima semana, diz Rubio

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira, 24, que acredita que as negociações técnicas entre os Estados Unidos e o Irã serão retomadas em 29 ou 30 de junho na Suíça.
"O grupo técnico retornará, acredito, no dia 29 ou 30... Creio que eles voltarão para a Suíça, se não me engano", disse Rubio, de acordo com a AFP. Osecretário está em uma viagem por países do Golfo, aliados norte-americanos, para tranquilizá-los quanto aos efeitos dos ataques retaliatórios iranianos que ocorreram em decorrência da guerra com os EUA.
O chefe da diplomacia americana antecipou que pretende abordar com as autoridades regionais o memorando de entendimento com Teerã, que não menciona o programa de mísseis iraniano nem o apoio a seus grupos aliados, como o Hezbollah no Líbano e os rebeldes houthis no Iêmen.
As conversas deverão incluir os detalhes finos do acordo de paz entre os países, firmado com um pacto preliminar na semana passada. Entre as questões centrais a serem discutidas, o funcionamento do Estreito de Ormuz, oprograma nuclear iraniano e os conflitos no Líbano estão incertos.
Irã diz que acordo é 'uma declaração de derrota dos EUA'
O Irã afirmou nesta quarta-feira que o acordo alcançado para acabar com a guerra no Oriente Médio é "uma declaração de derrota dos Estados Unidos".
Após a assinatura do acordo, as partes iniciaram um processo que pretende alcançar um pacto permanente, o que deu fôlego às autoridades do Irã.
"O memorando de entendimento de Islamabad não é resultado de pressão nem de coerção, e sim o resultado da resistência e da determinação da corajosa nação iraniana", declarou o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, sobre o acordo, que foi alcançado graças à mediação do Paquistão. "Por isso, o memorando de entendimento de Islamabad adquiriu o valor de uma declaração de derrota dos Estados Unidos."
O Estreito de Ormuz e a política de pedágios
Além das inspeções nucleares, oEstreito de Ormuz se tornou um dos principais pontos das negociações entre os dois países. A passagem marítima, por onde circulava 20% das exportações globais de petróleo e gás, foi afetada pela escalada militar no Oriente Médio.
Trump afirmou que a Marinha americana deixaria de bloquear o estreito após as concessões atribuídas ao Irã. Ele disse, porém, que navios da frota dos Estados Unidos permaneceriam na região caso fosse necessário retomar o bloqueio.
O trânsito pela rota começou a apresentar sinais de recuperação. Segundo dados da empresa de monitoramento marítimo Kpler citados pela CBS, 35 navios comerciais atravessaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira, o maior volume desde o início da guerra. O número, no entanto, ainda representa cerca de um terço do fluxo registrado antes do conflito.
O Irã, porém, deseja cobrar taxas pelo uso da rota marítima. O principal negociador iraniano afirmou que o estreito “nunca mais retornará às condições anteriores à guerra” e que o Irã manterá controle sobre a via marítima.
Enquanto 11 mil marinheiros ainda retidos em Ormuz começaram a ser evacuados, o preço do petróleo Brent continuou em queda, ficando abaixo de 75 dólares (R$ 386) por barril pela primeira vez desde o início da guerra, bem distante do pico de 126 dólares (R$ 648) alcançado durante o conflito.
Trump diz que o Irã aceitou inspeções nucleares, mas Teerã nega
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 23, que o Irã aceitou "plena e completamente" permitir o retorno dos inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao país e que a Marinha dos Estados Unidos deixará de bloquear o Estreito de Ormuz. Anteriormente, o governo iraniano negou que tenha feito esse compromisso e afirmou que não há planos para o retorno da agência às instalações nucleares atingidas por bombardeios.
A divergência surgiu após a primeira rodada de negociações de alto nível entreWashington e Teerã, realizada na Suíça. Segundo a Associated Press, o vice-presidente americano, JD Vance, afirmou na segunda-feira, 22, que as conversas haviam criado uma base positiva para um acordo final e que o Irã teria aceitado permitir a inspeção de instalações nucleares bombardeadas pelos Estados Unidos no ano passado.
Trump reforçou a declaração nesta terça-feira, 23, em uma publicação na rede Truth Social. "O Irã aceitou plena e completamente inspeções nucleares do mais alto nível por um longo período de tempo (!!!Infinito!!!). Isso garantirá a 'Honestidade Nuclear'", publicou o republicano.
"Com base nisso e em outras concessões importantes que o Irã está fazendo, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça ABERTO, sem qualquer outro bloqueio naval", acrescentou.
Pouco antes da declaração de Trump, autoridades iranianas rejeitaram a informação de que Teerã teria autorizado o retorno dos inspetores da AIEA às principais instalações nucleares do país.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que nenhuma visita da agência internacional havia sido marcada para os locais atingidos por ataques americanos. Segundo a AFP, o governo iraniano argumenta que questões de segurança impedem o acesso às instalações.
AAIEA mantém presença no Irã desde a guerra de 12 dias ocorrida em 2025, mas ainda não recebeu autorização para inspecionar os centros de enriquecimento nuclear atingidos pelos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira, o diretor da Agência, o argentino Rafael Grossi, confirmou que as inspeções nas instalações nucleares iranianas "vão acontecer", mas não anunciou um calendário específico.
Conflito no Líbano
Paralelamente, sob influência das negociações entre Estados Unidos e Irã pelo fim da guerra, Israel e Líbano iniciaram nesta terça-feira, 23, a quinta rodada de diálogo sobre o próprio conflito, em Washington.
Os países do Levante têm aliados das duas potências e ofim dos ataques em território libanês são uma das principais demandas de Teerã nas negociações com o governo de Donald Trump.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o país espera que a nova rodada de conversas seja decisiva para alcançar um acordo. “Hoje, e nos próximos dias, iniciamos uma nova rodada de negociações, que esperamos seja decisiva para alcançar o que desejamos para o bem de nossa nação e de nosso povo”, declarou em publicação nas redes sociais.
Segundo o Departamento de Estado americano, as negociações reúnem representantes militares e políticos dos dois países e têm como objetivo avançar em um acordo amplo de paz e segurança.
O conflito teve início quando o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, lançou ataques contra Israel em apoio a Teerã. A ação desencadou ofensivas aéreas e terrestres israelenses que deixaram mais de 4 mil mortos no Líbano, segundo autoridades locais ouvidas pela Reuters.
Desde abril, quatro rodadas de negociações entre os dois países não produziram um acordo definitivo de cessar-fogo. O período de maior redução nos confrontos ocorreu após o entendimento entre Estados Unidos e Irã, que estabeleceu a interrupção dos combates em diferentes frentes do conflito, segundo a agência de notícias.
Os ataques no Líbano têm tensionado a relação entre o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e Donald Trump. O republicano criticou a continuidade das ofensivas das forças armadas de Israel e afirmou que a Síria deveria conduzir o combate ao Hezbollah.
