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Sacre Investimentos
ESGESGCMDT
05/06/2026
4 min

NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS: O Brasil está atrasado na corrida das baterias. E agora?

NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS: O Brasil está atrasado na corrida das baterias. E agora?

O primeiro leilão de baterias do Brasil está previsto para dezembro e chega com anos de atraso em relação a demanda do setor elétrico.

Para se ter ideia, os Estados Unidos saíram de menos de 1 gigawatt de armazenamento em 2018 para mais de 40 gigawatts hoje — e na Califórnia, nos horários de pico do fim da tarde, as baterias já são a maior fonte de energia do estado. Na Europa, são 80 gigawatts-hora instalados.

Já o Brasil mal chegou a 1 gigawatt-hora de capacidade instalada, sendo que 70% está em sistemas isolados e fora da rede elétrica. É nesse contexto que o leilão é visto como um divisor de águas, mas também como uma oportunidade que pode ser desperdiçada se o formato não for bem desenhado.

"O modelo atual exige que as baterias fiquem 100% disponíveis para o operador do sistema, o que impede outros usos e inviabiliza o que a gente chama de empilhamento de receitas", explica Zebedeu Souza, diretor de Operações Estruturadas da Matrix Energia, em entrevista ao videocast NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS.

++ Leia mais: A corrida das baterias: empresas apostam em leilão de R$ 10 bi que pode redesenhar o setor elétrico

Para o executivo, o investimento em baterias só se paga com uma combinação de fontes de retorno: arbitragem tarifária, serviços prestados à rede e aplicações industriais. "Bateria não precisa de subsídio. Mas precisa da remuneração pelos serviços adicionais que ela presta para o sistema", destaca.

Confira o episódio completo no Youtube:

O gargalo que a matriz limpa não resolve

O paradoxo é que a necessidade é clara. O Brasil tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com quase 100% de fontes renováveis.

Mas um dos grandes gargalos atuais é a intermitência: a geração solar produz energia durante o dia  e a demanda explode justamente quando o sol vai embora.

"No fim do dia entram outras fontes para complementar exatamente no momento de maior estresse do consumo, quando as pessoas chegam em casa", explica Zebedeu. O resultado é um sistema que oscila entre excesso de geração em alguns horários e risco de colapso em outros.

Foi apostando nesse mercado ainda incipiente que a Matrix Energia se tornou pioneira no uso de baterias no Brasil, em parceria com a Huawei. A empresa escolheu um dos caminhos mais difíceis: instalar baterias diretamente nas instalações de grandes consumidores industriais, sem custo inicial para o cliente, cobrando o investimento via contrato de serviço.

Hoje são 60 clientes ativos, monitorados em tempo real pelo único centro de operações de baterias do Brasil. Dos cerca de 700 megawatts instalados no país, 160 foram implantados pela Matrix.

Laboratório no Paraná e ônibus em São Paulo

Além das aplicações industriais, a Matrix conduz um projeto considerado pioneiro no Brasil e raro no mundo. Em uma distribuidora paranaense da Pacto, as baterias já conseguem atender quase 100% da carga em determinados horários, funcionando como um laboratório real para o setor.

Em São Paulo, a empresa opera uma solução para abastecimento de ônibus elétricos: como a rede das garagens não suporta vários veículos carregando ao mesmo tempo, a bateria armazena energia ao longo do dia e a libera de forma rápida e controlada na hora do abastecimento.

Se o leilão de dezembro for bem estruturado, pode ser o ponto de virada. Mas Zebedeu é direto ao apontar o risco: um formato mal desenhado "pode travar o mercado antes mesmo de ele decolar".

E o tempo joga contra. "Os primeiros 100 gigawatts de baterias chegaram mais rápido do que os primeiros 100 gigawatts de solar. Será tudo muito rápido", diz. A questão é se o Brasil vai estar dentro ou fora dessa corrida. 

AutorSofia Schuck
FonteExame
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