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EconomiaACS
18/06/2026
5 min

Nem a Selic alta freou: Brasil lidera fusões e aquisições entre latinos e amplia vantagem sobre o México

Nem a Selic alta freou: Brasil lidera fusões e aquisições entre latinos e amplia vantagem sobre o México

Se o mercado de fusões e aquisições (M&A) fosse uma maratona, o Brasil estaria correndo em uma situação pouco confortável: carregando nas costas o peso de juros elevados, crédito mais caro e um crescimento econômico que dá sinais de desaceleração. Ainda assim, o país segue cruzando os postos de controle à frente dos concorrentes. 

Segundo relatório da Marsh em parceria com a Mergermarket, o Brasil movimentou US$ 55,1 bilhões em operações de M&A em 2025, respondendo sozinho por quase metade de todo o volume registrado na América Latina.  

O desempenho manteve o país na liderança regional com ampla vantagem sobre o segundo colocado, o México, que registrou US$ 22,5 bilhões em transações no período. 

O peso do Brasil no mapa de M&A da América Latina 

A América Latina movimentou US$ 114,3 bilhões em fusões e aquisições em 2025, um crescimento de 16% em relação ao ano anterior. Quase metade desse volume veio do Brasil. 

Foram US$ 55,1 bilhões distribuídos em 850 operações no mercado brasileiro, consolidando o país como o principal mercado de M&A da região.  

O México, frequentemente apontado como um dos maiores beneficiários do movimento de nearshoring dos Estados Unidos, registrou menos da metade do volume brasileiro. 

"O ano passado foi caracterizado por menos negócios, porém maiores. Isso foi impulsionado por grandes transações de energia e renováveis, um aumento acentuado no valor de Private Equity e a dominância do Brasil", destaca o relatório. 

A resiliência do mercado brasileiro ganha ainda mais relevância quando observada à luz do cenário macroeconômico.  

A política monetária restritiva adotada para controlar a inflação reduziu o ritmo de crescimento da economia, que saiu de uma expansão de 3,4% em 2024 para uma projeção de 1,6% em 2026. 

Energia foi o combustível da corrida 

Boa parte do desempenho de M&As em 2025 passou pelo setor de Energia, Mineração e Utilidades (EMU)

Segundo o relatório da Marsh, o segmento respondeu por US$ 42,6 bilhões em transações na América Latina em 2025, se consolidando como o principal motor de fusões e aquisições na região. 

No Brasil, o movimento foi impulsionado principalmente pela reorganização de portfólios.  

Em um ambiente de juros elevados e maior seletividade dos investidores, empresas têm buscado vender ativos considerados maduros para liberar capital, reduzir endividamento ou direcionar recursos para áreas com maior potencial de crescimento. 

"O ano passado foi caracterizado por menos negócios, porém maiores", afirma Felipe Escallón, chefe de Private Equity e M&A da Marsh para a América Latina. 

Segundo ele, além do protagonismo dos ativos ligados à energia e às renováveis, o Brasil se destacou pela utilização de seguros de riscos transacionais, que ajudam a reduzir divergências entre compradores e vendedores sobre valuation e facilitam a conclusão das operações. 

Em outras palavras, em um cenário em que o custo do dinheiro continua elevado, mecanismos que aumentam a previsibilidade das transações ganharam importância para que os negócios conseguissem cruzar a linha de chegada. 

Um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento foi a aquisição de 60% dos ativos do campo de Peregrino pela Prio (PRIO3), em uma operação avaliada em US$ 3,35 bilhões. 

O negócio reforça a percepção de que energia continua sendo um dos principais polos de atração de capital no país, mesmo em um ambiente econômico mais desafiador. 

Private equity volta a acelerar 

A Marsh também destaca a retomada do protagonismo dos fundos de private equity. O valor das operações na América Latina saltou 106% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 19,8 bilhões em 2025. 

Na avaliação da Marsh, esse avanço não reflete apenas uma melhora de apetite dos investidores, mas também uma mudança de estágio em alguns setores da economia. 

Ativos de infraestrutura, redes de fibra ótica, data centers e negócios ligados à digitalização estão cada vez mais migrando das mãos de investidores financeiros para operadores estratégicos. 

Segundo Escallón, essa transição é um dos sinais mais claros de evolução do ambiente de investimentos da região. 

O movimento também reflete uma busca crescente por ativos com receitas previsíveis e exposição a tendências estruturais de longo prazo. 

O que esperar de 2026?

Apesar dos números robustos, a Marsh faz um alerta: encontrar oportunidades continua importante, mas a capacidade de executar os negócios passou a ser o principal diferencial. 

Em um ambiente marcado por inflação persistente, volatilidade cambial, incertezas regulatórias e tensões geopolíticas, fechar uma transação se tornou uma tarefa mais complexa do que em ciclos anteriores. 

"Os negociadores enfrentam incertezas políticas e regulatórias, ventos contrários de tarifas e comércio, inflação e volatilidade cambial", avalia Escallón. 

Isso significa que nem toda negociação iniciada necessariamente chegará ao aperto de mãos final. 

Ainda assim, o Brasil entra em 2026 carregando atributos que continuam atraindo investidores globais. 

Além da dimensão de seu mercado interno, o país possui uma combinação de recursos naturais e oportunidades em infraestrutura difícil de replicar em outras geografias, de acordo com o relatório. 

Por isso, mesmo com os desafios macroeconômicos no radar, a expectativa é que o Brasil continue ocupando uma posição de destaque no mapa latino-americano de fusões e aquisições.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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