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Sacre Investimentos
EconomiaACS
15/09/2026
3 min

Nem Milei conseguiu fazer o ajuste fiscal que o Brasil precisa, diz economista

Fernando Honorato, do Bradesco, diz que país precisaria de uma mudança de até 5 pontos no superávit primário para estabilizar dívida

Nem Milei conseguiu fazer o ajuste fiscal que o Brasil precisa, diz economista

O tamanho do ajuste fiscal que o Brasil precisaria fazer para estabilizar a dívida é maior do que o entregue por Javier Milei na Argentina. A comparação foi feita pelo economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, durante painel da B3 Week mediado pelo CEO da B3, Chris Egan, ao lado do economista-chefe do Itaú, Diogo Guillen.

A conta que ele apresentou parte do juro real elevado. Com a NTN-B (título do Tesouro atrelado à inflação) a 7,5% ao ano em termos reais, o país precisaria de um superávit primário de 4,5% do PIB só para estabilizar a dívida, uma mudança de 5 pontos percentuais em relação aos cerca de 0,5% atuais. "Nem o Milei na Argentina conseguiu uma mudança de 5% no superávit primário", afirmou.

O governo Milei chegou ao poder no fim de 2023 prometendo déficit zero e promoveu um corte de gastos que levou a Argentina ao primeiro superávit primário em mais de uma década, à custa de forte contração da atividade.

Com a taxa real em torno de 4% a 4,5%, patamar que Honorato descreve como a média histórica da economia brasileira, o esforço fiscal necessário recuaria para cerca de 1,5% do PIB. "É algo absolutamente administrável, está ao alcance das mãos", disse.

Para o economista, a origem do juro alto está no fiscal, não na política monetária. Ele lembrou que o país tem a menor taxa de desemprego da história e que a renda disponível cresce cerca de 4% acima da inflação ao ano desde a pandemia, mas o consumo está estagnado e caiu 0,4% no último trimestre.

Risco de alta por mais tempo

"Essa economia está sofrendo de juros excessivos, e a culpa não é dos meus colegas do Banco Central, é do fiscal", afirmou. "Se o próximo presidente não resolver o fiscal, o grande risco que enfrentamos é o de a taxa de juros seguir alta por muito tempo."

Os economistas também avaliaram o impacto da mudança de patamar de juros no valuation das empresas. "Você consegue imaginar o que aconteceria com os valuations se a taxa real de 10 anos não fosse 7,5%, e sim 4%? Seria uma mudança gigantesca no valuation das empresas", disse Honorato. O raciocínio é o mesmo que o mercado projeta para o ciclo de queda da Selic: juros menores trazem os fluxos de caixa futuros das companhias a valor presente com menos desconto, elevando o preço das ações, movimento que tende a beneficiar sobretudo setores intensivos em capital e sensíveis ao crédito, como varejo, consumo e infraestrutura.

Honorato se disse construtivo para o cenário pós-eleição, apostando que a solução virá por necessidade. "O custo de não fazer isso politicamente é tão alto que, por algum tipo de engenharia reversa, algo será feito."

"Precisamos reinstalar a credibilidade depois da eleição." A ressalva foi sobre o caminho: "Infelizmente, algo será feito via impostos."

Ajuste não precisa trazer recessão

Diogo Guillen reforçou que o ajuste não precisa ser lido como um choque recessivo. "Quando pensamos no fiscal, achamos que precisamos de um grande ajuste que vai ter impacto no crescimento", disse, ao argumentar que o valor está na credibilidade gerada pela mudança fiscal, que derruba juros e cria um ciclo positivo em vez de sufocar a atividade.

Ele apontou como desafio a rigidez do orçamento, com despesas obrigatórias difíceis de cortar, e alertou que um déficit nominal elevado se retroalimenta na dinâmica da dívida. "Introduz prêmio de risco, introduz juros" e reduz investimento, afirmou.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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