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EXAME AgroACSBDRCMDT
09/07/2026
4 min

Nem o frango salva: por que o Santander não está otimista com frigorífico dos EUA

Nem o frango salva: por que o Santander não está otimista com frigorífico dos EUA

O bom desempenho da divisão de frango da Tyson Foods não foi suficiente para convencer o Santander a adotar uma postura mais otimista com a companhia.

Apesar de elevar o preço-alvo da ação para US$ 69 até o fim de 2027, ante US$ 64 anteriormente, o banco manteve a recomendação neutra, avaliando que boa parte da recuperação operacional já está refletida no preço dos papéis.

Em relatório, o Santander afirma que, embora a operação de aves siga entregando resultados sólidos, o ciclo negativo da carne bovina nos Estados Unidos continua limitando o potencial da empresa.

"A Tyson Foods está sendo negociada a 8,5 vezes o EV/Ebitda de 2027, acima de sua média histórica de cinco anos de 8 vezes, e vemos espaço limitado para revisões positivas de resultados daqui para frente", afirmam os analistas Guilherme Palhares, Laura Hirata e Ulises Argote no documento divulgado nesta quarta-feira, 8.

Segundo o banco, a divisão de frango é o principal destaque da Tyson, sustentada por contratos comerciais, produtos de maior valor agregado e ganhos de eficiência com genética.

"Embora a Tyson tenha migrado para um portfólio de frango de maior valor agregado, o que poderia levar a margens mais estáveis, a visibilidade dos lucros futuros em relação aos pares ainda é baixa", afirmam.

Para o terceiro trimestre fiscal de 2026, o Santander projeta Ebitda ajustado de US$ 828 milhões, 8% abaixo do consenso de mercado.

Na divisão de frango, a expectativa é de Ebit ajustado de US$ 489 milhões, acima das estimativas do mercado. Já a operação de carne bovina deve registrar Ebit ajustado negativo de US$ 157 milhões, refletindo o cenário mais difícil para o setor.

Crise da carne nos EUA

O principal desafio para a Tyson — e para os frigoríficos americanos como um todo — continua sendo o mercado de carne bovina. Na avaliação do Santander, o ciclo pecuário nos Estados Unidos permanece pressionado por uma oferta restrita de animais, custos elevados e margens apertadas.

Desde 2019, o número decabeças de gado de corte nos Estados Unidos caiu 13%, para 27,9 milhões. Já o rebanho bovino total do país atingiu o menor nível desde 1952, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A seca prolongada no oeste americano agravou esse cenário ao elevar os custos com alimentação do rebanho e reduzir áreas de pastagem, levando muitos pecuaristas a anteciparem o descarte de animais para preservar o caixa.

Em 2025, a produção americana de carne bovina caiu 4%, para 11,8 milhões de toneladas, permitindo que o Brasil retomasse a liderança mundial na produção da proteína.

A menor oferta também impulsionou os preços. Desde 2020, a carne bovina acumulou valorização de 75% nos Estados Unidos, segundo o Federal Reserve de St. Louis.

Dados do USDA mostram que os preços estão 16% acima dos registrados há um ano, tornando a proteína um dos principais focos da inflação de alimentos no país.

Diante desse cenário, o Santander afirma ter incorporado "uma visão mais negativa para o mercado de bovinos nos Estados Unidos" e agora espera que o ciclo permaneça desfavorável até 2028.

"Estamos estendendo nossa visão pessimista para a divisão de carne bovina dos Estados Unidos por mais tempo", afirmam os analistas. Segundo eles, o consumo continua resiliente, mas isso "parece insuficiente para compensar os ventos contrários nas margens".

O banco projeta Ebitda de US$ 3,44 bilhões para a Tyson em 2026, US$ 3,24 bilhões em 2027 e US$ 3,35 bilhões em 2028. Para 2027, a estimativa está 15% abaixo do consenso de mercado.

" A carne bovina continua enfrentando pressão do ciclo do gado", diz o relatório, acrescentando que os recentes fechamentos de plantas no setor ainda não foram suficientes para reduzir os preços do gado e aliviar as margens dos frigoríficos.

Além da persistente pressão na carne bovina, o Santander vê riscos ligados a um eventual aumento da oferta de frango nos EUA, que poderia voltar a pressionar preços e margens, além da concorrência de empresas globalmente diversificadas.

Por outro lado, o banco cita como possíveis catalisadores uma oferta mais restrita de frango por um período prolongado, preços firmes da proteína, queda dos custos com grãos, sinais de retenção de matrizes bovinas nos EUA e futuras revisões positivas do guidance da companhia.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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