Nem o lixo escapa: EUA suspendem exportações de sucata para a China
A decisão ocorre em meio à corrida dos EUA e de outros países ocidentais para assegurar o acesso a matérias-primas críticas, amplamente dominadas pela China

Os Estados Unidos anunciaram a proibição da exportação de resíduos de baterias de íons de lítio e de tungstênio, em mais uma medida para reduzir a dependência da China e garantir o abastecimento de materiais considerados estratégicos para a indústria de defesa.
A nova medida foi publicada pelo Departamento de Comércio no Federal Register — o registro oficial que documenta as políticas da Casa Branca — e entra em vigor ainda neste mês: durante um ano, determinados resíduos de baterias e de tungstênio gerados nos EUA deverão ser vendidos no mercado doméstico, salvo em casos específicos autorizados pelo governo.
A decisão ocorre em meio à corrida dos EUA e de outros países ocidentais para assegurar o acesso a matérias-primas críticas, amplamente dominadas pela China.
Nos últimos anos, Pequim passou a restringir a exportação de alguns desses materiais, o que aumentou as preocupações quanto à segurança das cadeias globais de suprimento.
Sucata?
O tungstênio é utilizado em blindagens de tanques, armamentos e componentes de motores devido à sua elevada resistência mecânica e térmica. A China é a maior produtora mundial do metal, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, e incluiu o tungstênio entre as novas restrições às exportações.
Já a sucata de baterias de íons de lítio, conhecida como “massa negra” (black mass), contém lítio e outros minerais críticos, como cobalto, níquel, manganês e grafite. Esses materiais podem ser recuperados por meio de processos de reciclagem química ou metalúrgica.
O aviso publicado no Federal Register afirma que o presidente Donald Trump concluiu que a escassez de materiais críticos representa um risco crescente à defesa e à segurança nacional. As restrições, segundo o governo, são necessárias para garantir um suprimento adequado de recursos essenciais à defesa dos Estados Unidos.
A regra prevê exceções, incluindo casos em que os resíduos sejam enviados ao exterior para processamento ou refino e, posteriormente, retornem ao território americano.
Washington já vem ampliando os investimentos para criar cadeias de suprimento de minerais críticos fora da China. O governo negociou acesso preferencial a recursos minerais em países afetados por conflitos e oferece financiamento a projetos de materiais estratégicos destinados a abastecer empresas americanas.
Em outra medida voltada a reduzir a dependência chinesa, o Departamento de Defesa determinou que fornecedores militares eliminem as terras raras de origem chinesa das cadeias de produção de ímãs até o próximo ano.
