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Bolsa e dólarACS
04/11/2026
7 min

Nem todo mundo quer comprar Itaú: por que ITUB4 ainda não convenceu todos os analistas após o 3T26

Resultado do 3T26 reforçou a vantagem competitiva do banco, mas analistas têm visões diferentes sobre o potencial de valorização das ações

Nem todo mundo quer comprar Itaú: por que ITUB4 ainda não convenceu todos os analistas após o 3T26

A força do Itaú Unibanco (ITUB4) já não está exatamente em discussão. Com rentabilidade elevada, capacidade de geração de capital e uma carteira de crédito mais protegida, o banco construiu uma posição de destaque entre as instituições financeiras brasileiras.  

Para os analistas, o teste agora é outro: transformar essas vantagens em crescimento sustentável — e continuar entregando resultados fortes mesmo quando o ambiente fica menos favorável. 

Foi essa a principal mensagem que ficou da temporada de balanços do terceiro trimestre. Veja os principais números do resultado: 

Veja os principais indicadores do Bradesco (BBDC4) no 3T26:

Indicador Resultado 3T26 Projeções Variação (a/a) Evolução (t/t)
Lucro líquido R$ 12,6 bilhões R$ 7,145 bilhões +6,7% +2,5%
ROAE 23,6% 23,8% +0,3 p.p. -0,7 p.p
Carteira de crédito ampliada R$ 1,54 trilhão — +10,9% +2,2%
Inadimplência acima de 90 dias 2% — +0,1 p.p +0,1 p.p
Margem financeira R$ 34,6 bilhões — +7,8% +3,4%

Na avaliação dos analistas, o Itaú mostrou que tem estrutura para atravessar um cenário de crédito mais seletivo, pressão sobre as margens e mudanças aceleradas pela tecnologia.  

Mas o resultado também deixou uma questão no radar: até onde essa qualidade operacional ainda pode surpreender o mercado? 

A reação dos investidores nesta sessão é positiva. Por volta das 16h07, as ações preferenciais ITUB4 subiam 3,01%, a R$ 39,65. 

Mais do que os números do trimestre, o que está em debate é o valor dessa vantagem competitiva.  

XP, BTG Pactual, BB Investimentos e UBS BB reconhecem a força da franquia, mas divergem sobre o quanto dela ainda pode se transformar em novas revisões de lucro e valorização das ações. 

Itaú com vantagem sobre os concorrentes 

Para o BTG Pactual, o setor bancário brasileiro atravessa uma mudança estrutural de regime — um movimento que os analistas comparam ao impacto do Plano Real, na década de 1990.  

Naquela época, a estabilização da economia separou as instituições capazes de se adaptar das que não conseguiram acompanhar a transformação. 

Agora, a digitalização, o avanço da inteligência artificial e a capacidade de geração de capital voltam a redesenhar a competição. Nesse cenário, o BTG acredita que os bancos com escala, tecnologia e balanços sólidos tendem a ampliar sua distância em relação aos concorrentes. 

Para os analistas, o Itaú aparece entre os principais beneficiados.  

Embora 2026 seja visto como um “ano de transição”, marcado por uma base de comparação mais exigente e maior cautela diante do cenário macroeconômico e eleitoral, o BTG avalia que a instituição está especialmente preparada para o próximo ciclo. 

“Acreditamos que o banco nunca esteve tão forte, do ponto de vista digital, cultural e de balanço patrimonial, para enfrentar os desafios e oportunidades que possam surgir no próximo ciclo. [...] A tese de investimento em Itaú vai muito além do resultado trimestral”, afirmam os analistas. 

A confiança é tamanha que o BTG mantém o Itaú como sua única recomendação de compra entre os quatro grandes bancos tradicionais. 

Crédito de qualidade é trunfo para o Itaú (ITUB4) 

Parte dessa vantagem está na maneira como o Itaú escolhe crescer. Em vez de perseguir volume a qualquer custo, o banco tem direcionado esforços para operações com garantias e perfis de risco mais controlados, como crédito imobiliário e consignado. 

A estratégia pode limitar o ritmo de expansão da carteira e pressionar as margens no curto prazo, já que produtos de menor risco costumam oferecer spreads mais baixos.  

Em contrapartida, reduz a exposição a perdas e ajuda a preservar a rentabilidade quando a inadimplência aumenta. 

É justamente essa combinação que sustenta a visão positiva da XP. A corretora destaca a disciplina na concessão, a melhora do mix de crédito e as reservas de capital como fatores que dão ao banco condições de atravessar um ambiente mais difícil sem comprometer significativamente seus resultados. 

A XP Investimentos manteve recomendação de compra e colocou ITUB4 como sua principal escolha entre os bancos. Para a casa, o diferencial não está apenas na capacidade de ampliar a carteira, mas na previsibilidade dos lucros ao longo do ciclo. 

Na leitura de Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, foi um resultado "relativamente em linha com as expectativas, com alguma desaceleração por conta do ambiente macro, mas ao mesmo tempo conseguindo manter métricas de qualidade de crédito melhores do que os pares neste momento mais desafiador".

Segundo o analista, embora lucro e rentabilidade tenham ficado levemente aquém do esperado, a qualidade da carteira traz perspectivas positivas sobre a capacidade de o banco enfrentar um ambiente de crédito mais difícil pela frente.

O BB Investimentos também vê na solidez da carteira e no controle do custo do crédito pilares importantes para sustentar o retorno elevado.

Porém, os analistas chamam atenção para a necessidade de acompanhar a inadimplência nas pequenas e médias empresas, especialmente à medida que os efeitos de programas de renegociação e linhas com garantia pública se normalizam. 

Desafio é crescer sem abrir mão das margens 

Se a qualidade do crédito e a posição competitiva ajudam a explicar o otimismo, há limites para o quanto o Itaú pode avançar sem enfrentar novos obstáculos. 

Um deles está na própria estratégia de reduzir riscos. Ao direcionar mais recursos para clientes e produtos considerados mais seguros, o banco troca parte dos spreads mais elevados por operações com retorno menor.  

O resultado é uma carteira potencialmente mais resiliente, mas que não necessariamente impulsiona a margem financeira na mesma proporção do crescimento do crédito. 

As receitas de serviços e seguros também entram nessa conta. Embora cartões e administração de recursos tenham apresentado crescimento, outras linhas tiveram desempenho mais fraco.  

Para o banco, manter essas fontes de receita em expansão é importante para diversificar os resultados e diminuir a dependência da margem de crédito. 

É nesse ponto que a avaliação do UBS BB se torna mais cautelosa. A instituição reconhece a qualidade operacional do Itaú, mas não vê elementos suficientes no balanço para justificar uma rodada expressiva de revisões positivas nas estimativas de lucro. 

Na leitura dos analistas, o trimestre foi sólido, mas não mudou de forma relevante as perspectivas para os próximos períodos.  

O alívio na alíquota efetiva de impostos anunciado pelo banco pode favorecer o resultado, mas parte desse benefício tende a ser compensada por um desempenho mais moderado das receitas com clientes e serviços. 

O que esperar das ações do Itaú? 

No fim, a discussão entre os analistas não é sobre a qualidade do Itaú, mas sobre quanto dessa força já está refletido no preço das ações e qual é o espaço para novas valorizações. 

A XP mantém recomendação de compra e avalia que a resiliência dos resultados justifica pagar um prêmio pelas ações, mesmo reconhecendo que parte dos fundamentos superiores do banco já está incorporada ao valuation. 

“Embora o prêmio de valuation da ação já reflita grande parte de seus fundamentos superiores, continuamos acreditando que a visibilidade dos lucros e sua resiliência justificam pagar por qualidade, particularmente em um ambiente macroeconômico menos previsível”, afirma a corretora. 

O BTG também aposta na capacidade do Itaú de se destacar em um setor que deve passar por uma nova rodada de competição e transformação digital.  

O BB Investimentos, por sua vez, mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 50 para o fim de 2027, sustentado pela expectativa de continuidade dos resultados sólidos. 

Já o UBS BB adota uma postura mais neutra: mantém recomendação equivalente à neutra e preço-alvo de R$ 54. O banco reconhece a força do negócio, mas considera que o balanço não trouxe novidades suficientes para alterar suas projeções de maneira significativa. 

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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