'Nenhum país tem permissão para cobrar pedágios' em Ormuz, diz Marco Rubio

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, chegou nesta terça-feira, 23, aos Emirados Árabes Unidos, primeira parada de uma viagem pelos países do Golfo para demonstrar apoio aaliados afetados pela guerra entre Washington e Teerã. A visita ocorre em meio às negociações entre os dois países para transformar um acordo preliminar em um pacto definitivo e encerrar o conflito.
A viagem é a primeira de um alto funcionário americano à região desde o início do conflito em fevereiro.
Os países do Golfo foram afetados economicamente pelo conflito após a decisão de Washington e Israel de atacar o Irã, o que levou Teerã a realizar ataques contra vizinhos da região.
O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã interrompeu parte das exportações de petróleo e gás dos países do Golfo, enquanto ataques com drones e mísseis afetaram a percepção de segurança da região, especialmente em países como Catar e Emirados Árabes Unidos.
Durante a passagem por Abu Dhabi, Rubio afirmou que nenhum país pode impor pedágios ou taxas sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de energia.
"Trata-se de uma via navegável internacional. Nenhum país tem permissão para cobrar pedágios ou taxas em uma via navegável internacional. Essa é a legislação internacional vigente", disse o secretário.
Reunião com o Conselho de Cooperação do Golfo
A visita também terá como objetivo tratar da estabilidade regional. No Bahrein, previsto como último destino da viagem, Rubio se reunirá com representantes do Conselho de Cooperação do Golfo para discutir interesses comuns dos países da região.
A missão ocorre em um momento de tentativa de reconstrução da confiança entre Washington e seus aliados árabes. Países do Golfo foram atingidos por ações iranianas em resposta aos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel durante a guerra.
O Irã acusou Kuwait e Bahrein de permitirem o uso de seus territórios por forças americanas para operações militares.
Negociações de paz com o Irã
Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)
As negociações ganharam força após uma proposta de entendimento que prevê a suspensão permanente das operações militares entre Estados Unidos e Irã e estabelece um prazo de 60 dias para a elaboração de um acordo final.
O documento prevê que os dois países se comprometam a respeitar a soberania um do outro, interromper ameaças e evitar novos confrontos. O texto também inclui medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz, com a previsão de retomada gradual do tráfego comercial e a garantia de passagem segura de embarcações durante o período de transição.
Entre os pontos econômicos, o memorando estabelece discussões sobre o fim de sanções contra o Irã, a liberação de ativos congelados e a criação de um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico avaliado em pelo menos US$ 300 bilhões.
Na área nuclear, o Irã reafirma que não pretende desenvolver armas atômicas. O acordo prevê negociações sobre o destino de materiais enriquecidos e sobre o futuro do programa nuclear iraniano, com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Antes da viagem de Rubio, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, participou de negociações com autoridades iranianas na Suíça. As conversas tiveram como base o memorando de entendimento e o cronograma de 60 dias estabelecido para alcançar um acordo definitivo.
*Com informações da AFP.
