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18/06/2026
5 min

Nescafé ultrapassa metade do café global com agricultura regenerativa e acelera trabalho justo

Nescafé ultrapassa metade do café global com agricultura regenerativa e acelera trabalho justo

O café que chega às xícaras ao redor do mundo está cada vez mais exposto a um sistema agrícola sob pressão.

Eventos climáticos extremos como secas, lavouras com baixa produtividade e a instabilidade de renda entre produtores desafiam uma cadeia que movimenta bilhões globalmente e sustenta milhões de famílias no campo.

É nesse contexto que o Nescafé anunciou que ultrapassou um marco significativo em 2025: mais da metade (53%) do grão de café global passou a vir de fazendas que adotam práticas de agricultura regenerativa.

O avanço marca a expansão do Nescafé Plan, programa da gigante Nestlé voltado à transformação da cadeia do café, que combina adaptação climática, aumento da produtividade e mudanças nas condições de trabalho.

Em plena expansão, a iniciativa conta com produtores em 15 países e mais de 100 mil agricultores capacitados em boas práticas agrícolas, de gestão e temas sociais, além da atuação de mais de 1.600 agrônomos e equipes de campo.

Mas a transformação na cadeia do café não se limita ao impacto ambiental. Pensando nisso, a companhia suíça acaba de lançar uma parceria no Brasil com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) para integrar os direitos humanos à estratégia de sustentabilidade, com foco em geração de renda e resiliência das comunidades produtoras do grão.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 18, executivos da Nestlé destacaram que a integração entre clima e o pilar social passou a ocupar papel central na agenda da matéria-prima, diante das pressões crescentes provocadas pelas mudanças climáticas, volatilidade dos preços e envelhecimento das lavouras.

“Meios de vida resilientes, rendas mais estáveis e comunidades mais fortes ajudam a reduzir os fatores que estão na origem de desafios sociais e humanos”, disse Yann Wyss, diretor global de Assuntos Públicos da Nestlé.

++ Leia mais: Do chocolate ao café, a aposta bilionária de gigantes de alimentos em agricultura regenerativa

Antes de chegar ao Brasil, o projeto foi implementado no Vietnã e na Indonésia. No Vietnã, o programa gerou resultados positivos: alcançou cerca de 22 mil produtores e 83% das 460 fazendas passaram a utilizar contratos formais de trabalho.

Regeneração como resposta

Do ponto de vista climático, o avanço da agricultura regenerativa envolve práticas como sistemas agroflorestais, uso de plantas de cobertura e manejo do solo, com impacto direto na produtividade e na redução de riscos do setor.

No ano passado, o programa também reportou redução de 18,3% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao grão do café em relação a 2018.

A aposta nesse modelo está ligada à própria estrutura da pegada de carbono da companhia. Hoje, cerca de 70% das emissões do grupo estão concentradas nos ingredientes utilizados em seus produtos, o que inclui cadeias como cacau, leite e café.

Além dos ganhos ambientais, a Nestlé afirma que o modelo contribui para diversificação de renda e estabilidade econômica dos produtores, especialmente em regiões mais expostas e vulneráveis a variações climáticas.

Direitos humanos ganham espaço na cadeia

A parceria com a Organização Internacional do Trabalho tem como foco a expansão das ações de trabalho justo na cadeia do café, abrangendo segurança ocupacional, formalização de contratos e fortalecimento de sistemas locais de proteção social.

“Sabemos que melhorias no nível do trabalho são importantes, mas não são sustentáveis sem um ambiente institucional forte, com leis, fiscalização e políticas públicas”, afirmou Ockert Dupper, gerente global do Vision Zero Fund da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Também presente na coletiva, o executivo defendeu que mudanças duradouras dependem da articulação entre empresas, governos e trabalhadores.

A metodologia utilizada no programa inclui ações de treinamento em saúde e segurança ocupacional, com foco em riscos como uso de agroquímicos, ferramentas agrícolas e exposição a condições climáticas extremas.

A partir desse eixo, o objetivo será ampliar o alcance para temas como trabalho infantil, proteção social e recrutamento justo.

A Nestlé e a OIT afirmam que a estratégia tem como objetivo transformar práticas de campo em mudanças estruturais na cadeia de suprimentos, conectando ações locais a políticas públicas e sistemas nacionais de proteção ao trabalhador rural.

No Brasil, o Nescafé Plan reúne mais de 3.800 fazendas em estados como Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e São Paulo, com apoio técnico contínuo e adesão integral à jornada de agricultura regenerativa entre propriedades participantes. O país é tratado como uma das principais frentes de expansão do modelo.

A combinação da regeneração e do fortalecimento de direitos trabalhistas é apresentada como a base de uma estratégia de longo prazo para aumentar a resiliência da cadeia global do café diante das mudanças climáticas e dos desafios sociais. 

AutorSofia Schuck
FonteExame
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