Netanyahu diz que não concorda com plano do conselho de Trump para Gaza
Divulgado na semana passada, o acordo de paz demanda a retirada das tropas israelenses da região após o desarmamento do Hamas, com o qual o grupo islamista concordou poucas horas depois

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira, 5, que o país discorda do plano para Gaza criado pelo Conselho da Paz, órgão liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O acordo de paz, divulgado na quinta-feira passada, 30, demanda a retirada das tropas israelenses da região após o desarmamento do Hamas, condição com a qual o grupo que controla Gaza concordou poucas horas depois.
Em um vídeo publicado em suas redes sociais na noite de terça-feira, Netanyahu afirmou que a equipe de Trump "acredita que pode alcançar o desarmamento do Hamas e a desmilitarização de Gaza". "Estamos verificando isso. Eles nos enviaram um rascunho; não concordamos com ele, não é o nosso rascunho. Enviamos nossos comentários", disse o premiê.
Netanyahu se reuniu na segunda-feira, 3, com o Conselho e recebeu garantias de que o Exército israelense só será obrigado a deixar suas posições atuais em Gaza depois que o Hamas for desarmado.
Nesta quarta-feira, o chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que o Exército israelense continuará "atuando de maneira proativa" na Faixa de Gaza, da qual ocupa mais de 60% do território. "Não permitiremos que uma ameaça se forme em nossas fronteiras, como a que conhecemos em 7 de outubro de 2023", e que desencadeou a guerra, disse Zamir durante uma visita às tropas israelenses no território palestino.
Conselho de Paz confirma desarmamento do Hamas
Em publicação na rede X, o Conselho de Paz afirmou nesta segunda-feira que a retirada das Forças de Defesa de Israel (IDF) para além da chamada "Linha Amarela" dependerá daconclusão do processo de desativação do arsenal do Hamas.
"Observamos que a retirada completa das IDF para além da Linha Amarela ocorrerá apenas quando o descomissionamento (das armas) estiver concluído, conforme o Hamas se comprometeu perante os mediadores", escreveu o órgão.
As part of the process of decommissioning weapons in Gaza and enabling the transition to civilian governance, and creating a safer future in the region for both Israelis and Palestinians in Gaza, a meeting was held earlier today (Monday) between High Representative Nickolay…
— Board of Peace (@BoardOfPeace) August 3, 2026
Na mesma publicação, o Conselho de Paz afirmou que existe entendimento entre o governo israelense e o grupo criado por Trump sobre os objetivos finais das negociações.
A chamadaLinha Amarela é a linha de demarcação que separa as áreas atualmente controladas pelo Hamas daquelas ocupadas pelas forças israelenses na Faixa de Gaza.
Desarmamento é um dos principais impasses do acordo
A exigência reforça um dos pontos centrais do plano de paz anunciado pelo governo Trump no fim de julho. Segundo a proposta apresentada pelo Conselho de Paz, Israel deverá encerrar suas operações militares e o Hamas deverá entregar seu arsenal como parte de um processo gradual de implementação do acordo.
O grupo palestino, porém, já indicou que condiciona a entrega de armamentos ao cumprimento de outras etapas, incluindo a retirada das tropas israelenses e medidas relacionadas à reconstrução de Gaza.
Especialistas ouvidos pelo New York Times avaliam que justamente a sequência entre desarmamento e retirada militar continua sendo um dos maiores obstáculos para a implementação do acordo.
Eleições em Israel
Netanyahu está em plena campanha para as eleições primárias de seu partido, o Likud, de olho nas eleições de 27 de outubro, que prometem ser disputadas.
Dois ministros da extrema direita solicitaram na terça-feira, 4, uma nova votação sobre o plano por considerarem que ele se afasta do que havia sido discutido inicialmente. O gabinete de segurança de Israel, do qual fazem parte os ministros das Finanças, Betsalel Smotrich, e da Colonização, Orit Struk, havia aprovado o plano de Trump, que prevê, entre outras medidas, o envio de tropas internacionais de manutenção da paz para a Faixa de Gaza.
O pedido dos dois ministros deve ser interpretado "como uma manobra de campanha" para pressionar Netanyahu, afirmou Tal Elovits, pesquisador do centro de estudos israelense Molad.
Na prática, Israel tem dificuldades para rejeitar o plano, diante do isolamento do país no cenário internacional. "Netanyahu não tem outra opção a não ser ouvir o único amigo que lhe resta na comunidade diplomática", ou seja, Trump, avaliou Elovits.
Com AFP.
