Netanyahu pressiona Trump a retomar guerra contra o Irã logo após eleições nos EUA
Premiê israelense pediu nova ofensiva em ligação no sábado; Trump ainda não decidiu e mediadores do Catar tentam fechar acordo sobre Ormuz

A próxima fase da guerra contra o Irã pode ser decidida logo depois das urnas americanas. As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos acontecem nesta terça-feira, 3, e Israel já pediu que os combates recomecem assim que a votação terminar.
Em telefonema no sábado, 31, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu ao presidente Donald Trump a retomada rápida da guerra, segundo duas pessoas familiarizadas com a conversa ouvidas pelo Financial Times (FT). Trump ainda não tomou uma decisão.
Uma das fontes disse ao jornal britânico que os EUA estão dando uma "última chance para que a diplomacia tenha sucesso". Disse também que o governo Netanyahu não quer um acordo, e sim uma solução militar para o problema com o Irã.
Um funcionário do governo americano confirmou ao FT que os dois conversaram e que Netanyahu defendeu a volta das hostilidades, mas que Trump "ainda não estava pronto para isso". Os detalhes da ligação foram revelados primeiro pelo site Axios.
Estados Unidos e Israel lançaram uma grande ofensiva contra o Irã em fevereiro. Autoridades do Oriente Médio alertaram no fim de semana que uma nova onda de confrontos tende a ser mais intensa do que as anteriores, que desestabilizaram a região e provocaram turbulência nos mercados internacionais de energia, de acordo com o FT.
O pedido de Netanyahu chega em um momento delicado para o premiê, que luta para se manter no poder após uma eleição inconclusiva em Israel na semana passada.
Do lado americano, Trump disse na semana passada que tinha "uma decisão a tomar" sobre uma nova ofensiva militar. O presidente já atacou o Irã duas vezes enquanto seu governo mantinha negociações com Teerã.
O que está na mesa em Doha
A aposta diplomática passa pelo Catar. Mediadores do país tentam costurar um acordo provisório entre Washington e Teerã com base em uma versão do plano de sete dias apresentado pelo Irã na Assembleia Geral da ONU.
Pela proposta, o Irã liberaria a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz se os EUA suspendessem o bloqueio aos portos iranianos, autorizassem a exportação de petróleo e dessem acesso a parte dos ativos do país congelados no exterior. As partes, então, voltariam a negociar um acordo definitivo.
Negociadores catarianos passaram a sexta-feira, 30, em Teerã, e autoridades iranianas mantiveram conversas com os mediadores em Doha durante o fim de semana, segundo o FT.
Uma pessoa a par da mediação disse ao jornal que os dois lados querem um acordo e têm mostrado mais flexibilidade, mas que ainda não está claro se a diplomacia vai superar as divergências. Os mediadores, acrescentou, pressionam Trump a dar mais tempo às conversas.
Na prática, houve poucos sinais de avanço. Washington e Teerã, que desconfiam profundamente um do outro, divergem sobre a ordem dos passos e sobre o destino do estoque iraniano de 440 kg de urânio altamente enriquecido.
Os EUA querem que o Irã aceite um cronograma de visitas de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) às principais instalações nucleares, onde se acredita que o estoque esteja guardado, de acordo com pessoas a par das negociações.
O governo Trump também tem insistido para que Teerã abra mão do material e o transfira para fora do país. Autoridades iranianas rejeitam publicamente a ideia.
A resposta de Teerã
O Irã promete uma resposta dura a qualquer novo ataque, mas mantém a porta aberta para a diplomacia. "Se as exigências do Irã forem atendidas, será possível restabelecer a segurança no Estreito de Ormuz e iniciar o processo de negociação em breve", afirmou nesta segunda-feira, 2, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei.
"No que nos diz respeito, a troca de mensagens ainda está em andamento", acrescentou. Segundo ele, o Irã já transmitiu suas "exigências legítimas" aos EUA, e cabe agora aos americanos tomar uma decisão.
Em Israel, a leitura é de que a janela diplomática segue aberta. Um oficial militar informado sobre as primeiras conclusões de uma avaliação preliminar de inteligência disse ao FT que interceptações e vigilância recentes levaram as Forças de Defesa de Israel (FDI) a acreditar que a atual rodada de negociações pode avançar o suficiente para convencer os EUA a adiar os ataques, ao menos por ora.
